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Mostrando postagens de junho, 2026

Os dias que nos devolvem a esperança - 2017 1ª revisao

  Os dias que nos devolvem a esperança Há dias em que o cansaço se senta ao nosso lado. Dias em que as forças começam a faltar, em que a esperança parece escorrer lentamente por entre os dedos e em que a luta pesa mais do que o habitual. Dias em que olhamos para o caminho percorrido, para os obstáculos encontrados, para as portas fechadas e para as dificuldades acumuladas, e nos perguntamos quanto tempo conseguiremos continuar. Mas a vida tem uma forma curiosa de nos surpreender. Quando tudo parece mais pesado, surge quase sempre qualquer coisa — uma pessoa, um gesto, uma palavra, um abraço — capaz de nos lembrar porque começámos esta caminhada. A passada quinta-feira foi um desses dias. Antes de mais, pela generosidade de dois amigos extraordinários, o Pedro Mestre e o Chico Lobo, que quiseram, simplesmente porque sim, passar pelo Armazém 8 e oferecer-nos um espetáculo memorável. Daqueles que nos lembram que a música não é apenas arte: é encontro, partilha e humanidade. Depois, pe...

Os dias que nos devolvem a esperança - 2017

  Quando as forças me começam a faltar, quando a esperança se começa a esvair, quando a luta me começa a pesar eis que surge sempre algo para me dar animo, para me levantar e levar para cima, para me dar coragem e me fazer continuar a caminhada! Quinta feira foi um destes dias, não só pelo carinho dos dois amigos que tive a honra de receber no Armazém 8, Pedro Mestre e Chico Lobo, que quiseram porque sim vir ao nosso espaço dar um espectaculo excelente, não só porque o publico, apesar de não estar habituado a vir à 5ª Feira, veio e encheu a sala, mas também porque tivemos a visita de um dos maiores produtores, jornalistas e críticos culturais do Brasil. Tivemos sorte Zuza Homem de Melo https://pt.wikipedia.org/wiki/Zuza_Homem_de_Mello estava a passar o fim de semana em Évora e sabendo da nossa existência por um amigo veio ver o espectaculo. Há saída deu-nos os parabéns pela qualidade da sala, pelo trabalho técnico, pela bela escolha da programação e pela simpatia... Receber elog...

o aeroporto que não se faz - 2018 1º revisao

 O texto original tem alguns problemas de forma e algumas afirmações apresentadas como factos sem prova. Numa crónica política, convém transformar suspeitas em perguntas ou críticas políticas, evitando afirmar como certo aquilo que exigiria demonstração. Principais correções: "em media" → em média "a distancia" → a distância "esta pronto" → está pronto "Porque não se desenvolve?" → melhor: Porque não avança? "ai" → aí "activar" → ativar (Acordo Ortográfico) Sugestão de crónica: O aeroporto que espera Portugal tem uma estranha relação com o Alentejo. Todos concordam que é importante. Todos elogiam o seu potencial. Todos falam do interior quando chegam as campanhas eleitorais. Mas, quando chega a hora das decisões, o país continua a olhar para os mesmos lugares de sempre. O caso do Aeroporto de Beja é talvez um dos exemplos mais evidentes dessa contradição. Enquanto se discutem novas infraestruturas, novos investimentos e novos...

o Aeroporto que não se faz - 2018

  Por esta Europa fora, os aeroportos das low cost estão em media a 1,30 de autocarro da capital do País. Se se construísse a estrada Beja Lisboa a distancia entre as duas seria esta. Do Algarve fica mais perto e de Évora também. Este equipamento esta pronto a ser usado, tem todas as condições para servir o País. O desenvolvimento para o Alentejo era enorme! Porque não se desenvolve? Porque os "amiguinhos" do costume compraram terrenos no Montijo e pressionam para que se construa ai um aeroporto, com isto ganhariam milhões com a venda de terrenos. Já nós, os que costumamos pagar as grandes roubalheiras, teríamos que pagar não só os terrenos, mas a construção do aeroporto que é exorbitante, isto quando temos um com todas as condições, pronto a ser usado e que custou muito pouco, já que era uma base alemã! Porque não se juntam os políticos do Alentejo e pressionam o governo a activar o aeroporto de Beja? Também compraram terrenos no Montijo? Ou o desenvolvimento do Alentejo não...

O ensopado que atravessou oceanos - 2019 1ª revisao

O ensopado que atravessou oceanos No final da década de 1980, a Universidade de Évora começou a receber estudantes vindos de todo o país. A cidade ainda não estava preparada para os acolher. Faltavam residências, faltavam refeitórios, faltavam estruturas. Mas sobrava uma coisa que hoje parece mais rara: proximidade. Os estudantes viviam a cidade como quem habita uma casa grande. Sentavam-se nas praças, enchiam os cafés, cruzavam-se com os moradores e, sem darem por isso, iam tecendo uma rede invisível de afetos e cumplicidades. O restaurante dos meus pais era um desses lugares. Ali almoçava-se e jantava-se, mas fazia-se muito mais do que isso. Celebravam-se aniversários, discutiam-se amores e exames, pediam-se ingredientes para uma receita improvisada e, por vezes, até se deixava roupa para lavar. A minha mãe recebia tudo isso com a naturalidade de quem nunca soube fechar a porta a ninguém. Foi nesse tempo que apareceu o Fabiano. Vinha de Coimbra. Era filho de um médico respeitado e, t...

O ensopado que atravessou oceanos- 2019

n o final da década de 80 a Universidade de Évora começou a receber estudantes vindos de todo o país. Ainda sem estruturas de alojamento ou refeitórios em quantidade suficiente, era normal os estudantes viverem a cidade e os espaços públicos criando ligações e cumplicidades com os habitantes. O restaurante dos meus pais era por isso frequentado por muitos estudantes, almoçavam, jantavam, faziam festas, iam pedir ingredientes em falta ou mesmo pedir para a minha mae lavar a roupa pois não iam a casa. Durante esse tempo entre eles e os meus pais foram criados laços, cumplicidades, alguns duram ate hoje. Num dos grupos que vivia por lá encontrava-se um estudante de Coimbra, filho de um medico renomado. O pai enviava para o restaurante todos os meses um cheque para pagar a conta. No 3º ano de curso mais ou menos a meio do ano, ele deixou de aparecer para almoçar e jantar, a minha mae preocupou-se e perguntou a um colega. Ficou então a saber que a mae do jovem tinha saído de casa por violê...

A cultura precisa de estratégia - 2020 covid 1ª revisao

 Há alguns erros e pequenas melhorias de estilo no texto original: "apoio as estruturas" → "apoio às estruturas" "Pois nao o ter levara´a" → "Pois não o fazer levará a " ou "Pois a sua ausência levará a " "nao" → "não" A expressão "covões" pode manter-se se for uma referência intencional e conhecida no contexto local; caso contrário, pode precisar de explicação. A construção geral ganha força com frases mais afirmativas e menos repetição de "precisamos". Segue uma versão em formato de crónica política e cultural: A cultura precisa de estratégia Era, em parte, disto que estávamos a precisar. Mas apenas em parte. A cultura não vive de anúncios ocasionais, nem de eventos isolados que surgem e desaparecem ao sabor dos calendários políticos. A cultura precisa de continuidade. Precisa de visão. Precisa de estratégia. Precisamos de estabilidade para quem cria, produz e programa. Precisamos de apoio ...

A cultura precisa de estratégia - 2020 Covid

  era em parte disto que estávamos a precisar. Mas precisamos de mais. Precisamos de alguma estabilidade, precisamos de apoio as estruturas, precisamos de coisas sem ser avulsas, precisamos de mais do que espectáculos promovidos pelo município. Precisamos que se cumpra o artigo 73 da constituição por parte do governo central e dos municípios.Pois nao o ter levara´a que só sobrevivam os "covões" deste mundo. E um mundo de cultura destes senhores é feio demais e nao nos levara a um mundo como nós o sonhamos. Que se faça o impossível. Esta é a hora.

Quem vê demais já não cabe no discurso oficial -2025 1ª revisao

 Há dois aspetos a considerar: os erros/ajustes de estilo e a transformação em crónica política . Ajustes ao texto original A frase atribuída a Nietzsche Não há registo amplamente reconhecido de uma citação de Nietzsche exatamente com a formulação: “Quem vê demais, acaba não cabendo em lugar nenhum.” Se não houver fonte confirmada, convém escrever: “Como sugere o pensamento de Nietzsche...” ou “Parafraseando Nietzsche...” “des-vistas” O correto é: “não podem mais ser desvistas”. Excesso de abstração Expressões como “sussurro do abismo”, “território onde o senso comum não alcança” e “a alma cresce mais do que o espaço ao redor” são literárias, mas em sequência podem tornar o texto redundante. Uma crónica ganha força quando alterna reflexão com exemplos concretos. Tom potencialmente elitista A frase: “talvez seja porque você enxerga o que os outros ainda não suportam ver” pode soar como se quem concorda com o texto fosse mais esclarecido do que os demais. Politicamente e socialmente...

Quem vê demais já não cabe no discurso oficial -2025

  Quem vê demais, acaba não cabendo em lugar nenhum.” — Friedrich Nietzsche Essa frase não é apenas uma observação — é um sussurro do abismo. Há um ponto sem retorno em nossa consciência: aquele instante exato em que acordamos para verdades que não podem mais ser des-vistas. Verdades sobre o mundo. Sobre as pessoas. Sobre nós mesmos. Nietzsche, mestre em atravessar o escuro, sabia que o conhecimento ilumina, mas também queima. Ver demais é perder o privilégio da ignorância. É não poder mais se encaixar em narrativas confortáveis, é carregar um olhar que incomoda — até a si mesmo. “Aquele que vê muito carrega uma solidão profunda” — porque passa a viver num território onde o senso comum não alcança. Os laços antigos afrouxam. Os cenários familiares tornam-se irreconhecíveis. O que antes acolhia, agora sufoca. É o preço da lucidez. E não, não se trata de superioridade. Mas de um tipo específico de exílio: aquele que acontece quando a alma cresce mais do que o espaço ao redor. Mas há ...

as fraldas - 2020 2ª revisao

 No início da pandemia, quando o medo e a incerteza faziam parte dos nossos dias, vi no espaço da Caixa Solidária o apelo desesperado de um pai que tinha acabado de ficar desempregado. Não pedia dinheiro. Não pedia nada para si. Pedia apenas fraldas e comida para o bebé. Escrevia que ele e a mulher iam sobrevivendo com o que aparecesse, mas que o verdadeiro problema eram os dois filhos pequenos, que dependiam deles para tudo. Aquelas palavras ficaram-me na cabeça. Não consegui simplesmente seguir em frente. Entrei em contacto com ele e encontrámos uma solução simples: eu comprava fraldas e papas aqui, e ele levantava-as na Parede. Foi um gesto pequeno. Ou pelo menos achei que era. Hoje, anos depois, cheguei a casa e encontrei esta mensagem: "Olá boa tarde queria agradece péla ajuda que deram a minha família so para disse ja voltei ao trabalho e graças a deus tudo a corre bem nesta volta a normalidade muito obrigado mesmo péla atenção abracos..." Li aquelas palavras várias vez...

as fraldas - 2020 1ª revisao

 Aqui está uma versão corrigida e mais emotiva do texto: No início da pandemia, vi no espaço da Caixa Solidária o apelo de um pai que tinha ficado desempregado. Pedia apenas fraldas e comida para o bebé. Dizia que ele e a mulher comiam o que houvesse, mas que a sua maior preocupação eram os dois filhos pequenos. Entrei em contacto com ele e combinámos uma forma de ajudar: eu comprava as fraldas e as papas aqui, e ele levantava tudo na Parede. E assim aconteceu. Hoje, ao chegar a casa, encontrei esta mensagem: "Olá, boa tarde. Queria agradecer pela ajuda que deram à minha família. Só para dizer que já voltei ao trabalho e, graças a Deus, está tudo a correr bem neste regresso à normalidade. Muito obrigado mesmo pela atenção. Abraços." Há gestos que parecem pequenos quando os fazemos, mas que podem significar o mundo para alguém. Saber que esta família conseguiu ultrapassar uma fase tão difícil e recuperar a sua estabilidade enche-me o coração. Hoje não ganhei apenas o dia. Ganh...

as fraldas- 2020

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  No inicio da pandemia, vi no espaço da caixa solidaria o apelo de um pai que tinha ficado desempregado e que só pedia fraldas e comida para o bebe. Dizia, que ele e a mulher comiam qualquer coisa, o problema eram os 2 filhos pequenos. Entrei em contacto com ele e resolvemos a forma de eu comprar fraldas e papas aqui e ele levanta-las na Parede. assim aconteceu. Hoje chego a casa e tenho esta mensagem "Olá boa tarde queria agradece péla ajuda que deram a minha família so para disse ja voltei ao trabalho e graças a deus tudo a corre bem nesta volta a normalidade muito obrigado mesmo péla atenção abracos Dxxxxx sxxxx da sxxx " Ganhei o dia

Crónica de uma greve que vem de longe - 2026 "º revisao

  Crónica de uma greve que vem de longe Contava-me o meu pai que a primeira greve em que participou foi na década de 1940. Nessa altura, os trabalhadores rurais tinham o desagradável hábito de querer comer todos os dias. Como os preços subiam e os bens essenciais escasseavam, decidiram cometer a ousadia de protestar. O regime, sempre atento às necessidades do povo, enviou a GNR para lhes explicar a situação com o tradicional método pedagógico da época: cacetete, coronha e pontapé. Levaram porrada a rodos, mas tiveram a falta de educação de não desistir. Insistiam naquela ideia extravagante de que quem trabalha devia conseguir alimentar a família. O Zé Barrenho, irmão da minha bisavó, perdeu um olho nesses confrontos, para os lados da Vidigueira. Foi uma contribuição involuntária para a estabilidade social. Afinal, nada fortalece tanto a paz laboral como deixar um trabalhador sem um olho. Na década de 1950, o meu pai voltou à greve. Desta vez, a reivindicação era salarial. Os trabal...

Crónica de uma greve que vem de longe- 2026

  Contava-me o meu pai que a primeira greve em que participou foi na decada de 40. Lutava contra o aumento dos bens e a sua a escassez. Os trabalhadores rurais estavam literalmente a morrer de fome, fizeram greve. A GNR veio com tudo, levaram porrada a rego cheio, mas não desmobilizaram. Queriam poder alimentar as familias. O Zé Barrenho, irmao da minha bisa, perdeu um olho nestes confrontos ali para os lados da vidigueira. Na decada de 50 voltou á greve, mais uma dos trabalhadores rurais, aqui pelo aumento de saçario. Nas aldeias, vilas e cidades os trabalhadores reuniam-se em grupo, para ter mais força e não aceitaram trabalho senao quando o valor das contratações foi definido pelo valor que defendiam. Num desses largos, morreram alguns trabalhadores rurais às maos da GNR. Mas foi a greve de 62 a que foi mais importante para os trabalhadores rurais. Nessa altura o meu pai já não trabalhava no campo, mas fez greve na mesma. A luta era pelas 8 horas de trabalho, coisa que ele já t...

Crónica de uma greve que vem de longe - 2026 1º revisao

  Crónica de uma greve que vem de longe Contava-me o meu pai que a primeira greve em que participou foi na década de 1940. A luta era contra o aumento do custo de vida e a escassez dos bens essenciais. Os trabalhadores rurais estavam literalmente a morrer de fome e decidiram fazer greve. A GNR apareceu em força. Houve pancada sem dó nem piedade, mas ninguém desmobilizou. O que estava em causa era simples: poder alimentar as famílias. O Zé Barrenho, irmão da minha bisavó, perdeu um olho nesses confrontos, para os lados da Vidigueira. Na década de 1950, o meu pai voltou à greve, novamente ao lado dos trabalhadores rurais, desta vez pela melhoria dos salários. Nas aldeias, vilas e cidades, os trabalhadores reuniam-se em grupo para ganhar força e recusavam trabalhar enquanto os valores das contratações não correspondessem ao que reivindicavam. Em alguns desses largos ficaram corpos no chão. Houve trabalhadores mortos às mãos da GNR. Mas foi a greve de 1962 que mais marcou a história do...

a profissao mais velha do mundo - 2018 2ª revisao

  Não são só mulheres. Há homens também. Dizem que a prostituição é a profissão mais antiga do mundo. Não sei se é. O que sei é que continua a ser uma das atividades com menos direitos, menos proteção e menos garantias de segurança. E, quanto a mim, uma das que mais expõe quem a exerce a violência, abuso e risco constante. Em muitos casos, não estamos sequer a falar de uma escolha livre. Estamos a falar de pobreza extrema, dependência, migração vulnerável, dívidas impossíveis de pagar e redes de exploração que se alimentam precisamente dessa fragilidade. O tráfico humano continua a ser uma realidade presente neste setor, movendo pessoas como mercadoria, retirando-lhes autonomia e impondo-lhes condições de vida e trabalho que se aproximam da escravatura moderna. Nunca conheci uma criança que sonhasse ser prostituta quando crescesse. Nunca ouvi ninguém dizer que era a sua vocação de infância, o seu projeto de vida, a concretização de um sonho. Por isso, custa-me acreditar que a maior...

a biblioteca da liliana - 2012 1º revisao

 Hoje a nossa futura Biblioteca da Casa da Cultura ficou muito mais rica. Recebemos os livros que, ao longo dos anos, acompanharam a nossa amiga Liliana Monteiro. Centenas de volumes que deixaram de habitar apenas uma estante privada para passarem a integrar um espaço coletivo, aberto a todos, onde novas histórias de leitura irão nascer. O nosso agradecimento é imenso. A verdade é que estávamos preparados para começar de forma modesta, com meia dúzia de livros nas prateleiras e muita vontade de construir um projeto. Graças à generosidade da Liliana, começamos já acompanhados por centenas de bons amigos, daqueles que nunca falham: os livros. Há algo de particularmente bonito neste gesto. Cada livro transporta conhecimento, memórias, descobertas e perguntas. Quando alguém decide partilhá-los, não está apenas a oferecer papel e tinta; está a ajudar a construir uma comunidade mais informada, mais curiosa e mais livre. As bibliotecas são isso mesmo: lugares onde o saber deixa de ser pro...

a biblioteca da liliana - 2012

  Recebemos para a Biblioteca da nossa nova casa da cultura os livros que ao longo dos anos acompanharam a nossa amiga Liliana Monteiro, o nosso agradecimento é imenso, ja que iríamos começar com meia dúzia de livros nas prateleiras e recebemos centenas de bons companheiros para ler! A amizade ainda compensa. Beijos à Lili e o nosso muito obrigado!

a profisao mais velha do mundo - 2018 1º revisao

  Não são só mulheres. Há homens também. Dizem que a prostituição é a profissão mais antiga do mundo. Não sei se é. O que sei é que continua a ser uma das profissões com menos direitos, menos proteção e menos respeito social. E, quanto a mim, uma das que exige mais coragem e envolve mais riscos. Nunca conheci uma criança que sonhasse ser prostituta quando crescesse. Nunca ouvi ninguém dizer que era a sua vocação de infância, o seu projeto de vida, a concretização de um sonho. Por isso, custa-me acreditar que a maioria dos homens e mulheres que exercem esta atividade o façam por escolha livre e despreocupada. Acredito mais na força da necessidade do que na do desejo. Acredito mais na carência, no desespero e na falta de alternativas do que numa qualquer fantasia romântica sobre liberdade individual. A sociedade, no entanto, continua a olhar para estas pessoas com uma mistura de desprezo e hipocrisia. Condena quem vende, mas raramente questiona quem compra. Julga os corpos expostos à...

A profissao mais velha do mundo - 2018

  Não são só mulheres, há homens também! Dizem que é a mais velha profissão do mundo, não sei, o que sei é que é uma das que tem menos direitos e quanto a mim uma das que requer mais coragem e uma profissão de riscos! Não conheço crianças que sonhem ser putas, o que me leva a pensar que não é por sonho e sim por carência, necessidade e desespero que os homens e mulheres que a praticam o fazem! Não conheço nenhuma profissional do ramo...mas conheço muita Puta e muitos Filhos da Puta...e a esses ninguém maltrata

a sala do covões - 2020 1ª revisao

 O Armazém 8 tem capacidade para cerca de 80 pessoas sentadas. Mas eu só posso abrir para 40. Concordo. Há que ter cuidado. Há regras, há riscos, há uma pandemia que ninguém pode ignorar. Até aqui, tudo bem. Mas... já vos disse muitas vezes que é o "mas" que costuma estragar os discursos bonitos. Por isso, expliquem-me lá uma coisa. Ontem houve espectáculo no Campo Pequeno. Tudo dentro da legalidade, garantem-nos. E eu acredito que sim. Aliás, a presença do Primeiro-Ministro e da Ministra da Cultura parece funcionar quase como um selo de certificação oficial: se eles lá estavam, certamente estava tudo em conformidade. O que eu não consigo compreender é a matemática da coisa. No meu espaço, com capacidade para 80 pessoas, só posso receber 40. No Campo Pequeno, uma sala com milhares de lugares, houve espectáculo, aplausos, emoção e fotografias para a posteridade. Tudo legal, repito. Mas a legalidade, por vezes, tem uma estranha forma de se distribuir pelo território nacional. P...

a sala do covões- 2020

  O armazém 8, tem em mesa capacidade para 80 pessoas, mas só posso abrir para 40. Concordo, há que ter cuidado, mas...( ja vos tenho dito que o "mas" é que entala tudo) Expliquem-me la´esta abertura dos espectáculos ontem no Campo Pequeno, a sala do Sr. Covões? Estava tudo dentro da legalidade, com presença do 1º Ministro e da Ministra da Cultura.

chico buarque - 2023 1ª revisao

 Fiz uma revisão dos erros, melhorei a fluidez e reforcei o tom de crónica cultural, mantendo a sua voz crítica e apaixonada. A voz, a obra, a música e as causas de Chico Buarque encheram o Campo Pequeno. Acompanhado por um excelente grupo de músicos, num alinhamento que percorreu grande parte da sua carreira, Chico foi simplesmente Chico: cantou e encantou. Falou pouco, como sempre. Cantou muito, como sempre. Os quase 80 anos não lhe pesam na voz, na presença ou na capacidade de prender uma sala inteira. Durante mais de duas horas esteve ali, diante de nós, um dos verdadeiros monstros sagrados da música mundial. Um dos maiores compositores da língua portuguesa, um criador que há muito ultrapassou a dimensão de cantor para se tornar património cultural. Talvez quem tenha ido à procura dos grandes êxitos das rádios ou dos discos mais vendidos tenha saído menos satisfeito. Mas quem acompanha Chico Buarque ao vivo sabe que os seus alinhamentos raramente obedecem à lógica do mercado. S...

Chico Buarque - 2023

  A voz, a obra, a musica e as causas de Chico Buarque encheram o Campo Pequeno. Acompanhado por um excelente grupo de músicos, com um alinhamento que percorreu grande parte da sua obra, Chico foi Chico, cantou e encantou. Falou pouco como sempre, mas cantou muito, os quase 80 anos não o prejudicam, não lhe pesaram. Ali na nossa frente esteve durante mais de 2 horas um dos "monstros sagrados" da musica do mundo. Ali em frente a nós esteve um dos maiores compositores da língua portuguesa, um génio. Talvez para quem ia para escutar os "êxitos" de vendas ou das rádios, o espectaculo não tenha sido o melhor, mas quem acompanha desde sempre Chico ao vivo sabe que os alinhamentos são marcados pelas musicas das "beiradas" os lados B, aqueles que ele mais ama, os que falam dos temas que defende na vida civil. Desde a adolescência que vejo Chico de cada vez que vem a Portugal, agora quando decidi ir pensei ir apenas para lhe prestar uma homenagem por tudo o que me...

o meu neto pos-me a cavar- 2024 1ª revisao

 Já vos disse que o meu neto tem uma horta? Pois bem. Na sexta-feira, o rapaz enfrentava um problema de grande dimensão agrícola: precisava de apanhar as batatas. Eram muitas e, sozinho, ia demorar uma eternidade. Depois de alguma reflexão estratégica, abordou-me com uma proposta irrecusável: — Estive a pensar... não queres ajudar-me? Depois dou-te umas batatas. É que estão caras e assim poupas dinheiro. Confesso que fiquei impressionada. Nem os melhores vendedores conseguem apresentar uma oferta tão convincente. Com um argumento destes, ganhou logo uma ajudante. Havia apenas um pequeno detalhe: eu nunca tinha apanhado batatas na vida. — Não tem problema, eu ensino-te. E assim foi. Após uma breve formação intensiva em "Bataticultura para Principiantes", lá fui eu arrancar batatas da terra com o empenho de quem procura tesouros escondidos. Se o meu pai me estiver a observar de algum lado, deve estar a gargalhar sem parar. Durante anos tentou, sem sucesso, convencer-me a...

o meu neto pos-me a cavar- 2024

  Já vos disse que o meu neto tem uma horta, pois bem, sexta feira o rapaz estava com um problema, precisava de apanhar as batatas, eram muitas e ele sozinho ia demorar muito tempo, então como me disse "estive a pensar, não queres ajudar-me, depois dou-te umas, é que estão caras, poupavas dinheiro" Com este argumento, ganhou uma ajudante, o único senão é que eu nunca tinha apanhado batatas, "não tem problema, ensino-te" e depois de uma pequena aula, lá fui arrancar batatas. Se o meu pai, estiver a ver num lado qualquer, vai gargalhar à grande, ele nunca conseguiu meter-me a cavar, mas o neto enrola-me no dedo mindinho e lá vou eu. Que mais me irá acontecer?