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Mostrando postagens de junho, 2026

solidariedade que atravessa fronteiras: Cuba, crises e escolhas políticas - 2026 1º revisao

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Quando a Rússia se voltou para a liderança de Vladimir Putin e ainda acreditava que a aproximação à Europa e aos Estados Unidos poderia significar uma nova era de amizade e cooperação, a história já carregava uma das maiores tragédias do século XX: o desastre nuclear de Chernobyl, em 1986. Na altura, a União Soviética procurava melhorar a sua relação com o Ocidente e apresentava sinais de abertura. O mundo assistia a uma mudança de equilíbrios políticos, enquanto as consequências de Chernobyl mostravam também os limites e os perigos de um sistema fechado e de decisões tomadas sem transparência. Cuba, apesar das suas próprias dificuldades económicas e políticas, esteve presente na ajuda às vítimas da tragédia. Durante anos recebeu crianças afetadas pelo acidente e enviou profissionais de saúde para apoiar populações atingidas. Mais tarde, em várias crises internacionais, médicos e enfermeiros cubanos continuaram a participar em missões humanitárias. Hoje, perante uma Venezuela marcada p...

A solidariedade que atravessa fronteiras: Cuba, crises e escolhas políticas - 2026

  Quando a Rússia virou para Putin e ainda achava que a Europa e os estados unidos eram seus amigos ocorreu o desastre de Chernobyl. Tinha deixado de vender produtos a Cuba para estar de bem com os americanos. Cuba mandou médicos e enfermeiros seus para ajudar. Agora a Venezuela ficou na mão dos americanos, deixou de vender produtos a Cuba também, mesmos assim 24h passado o terramoto, as equipas médicas cubanas já estão na Venezuela a ajudar. Se isto não é um país extraordinário, não sei qual seja.

A Canção que uma Mãe Escolhe Nunca se Cala 2026

 Hoje é Dia da Mãe e, sem saber muito bem porquê, lembrei-me de uma canção que a minha mãe da casa decidiu que seria minha desde o dia em que nasci. Chamava-se "Maria Morena" , de Francisco José. Não fui eu que a escolhi. Foi ela que decidiu que aquela seria a música que me acompanharia pela vida fora. E assim foi. Sempre que a vida me pregava uma partida ou eu aparecia em casa para desabafar, lá vinha ela, sem grandes discursos nem lições. Bastavam-lhe meia dúzia de versos e, sobretudo, o refrão. Cantava-o com aquele sorriso que só as mães sabem ter, como quem dizia: "Isto também passa." Na altura, eu sorria. Hoje percebo que, muitas vezes, aquela canção dizia muito mais do que qualquer conselho. Anos mais tarde descobri que, em África, existe uma tradição muito semelhante entre os Himba, da Namíbia. Diz-se que cada criança recebe uma canção antes mesmo de nascer e que essa melodia a acompanhará ao longo de toda a vida. É a sua identidade, a sua memória e o seu lug...

As Férias Passam. O Amor Fica - 2019 1º revisao

 Enquanto a minha filha e as minhas sobrinhas de coração foram pequenas, organizámos sempre as férias a pensar nelas. O objetivo era simples: proporcionar-lhes alegria, memórias e conhecimento. Escolhíamos zonas de Portugal ou da vizinha Espanha que tivessem alguma coisa especial para as miúdas. Um parque temático, uma exposição, uma praia com atrações para crianças, uma serra com qualquer atividade que lhes despertasse a curiosidade… Não importava exatamente o quê. O importante era que regressassem a casa mais felizes do que tinham partido. Foi assim que viajámos durante anos. Quando cresceram e passaram a organizar as próprias férias com os amigos, comecei, naturalmente, a escolher os destinos que mais me agradavam a mim. Durante muito tempo nem pensei no resultado daquelas escolhas de outros tempos. Mas, há alguns anos, a vida colocou-mo diante dos olhos. Hoje são elas que organizam as férias a pensar na felicidade dos filhos e dos sobrinhos. São elas que andam com os pequenos a...

A Família que se Escolhe- 2023 1º revisao

 Ontem foi, dizem, o Dia da Família. Mais uma vez, percebi que, nesta matéria, sou uma mistura feita por gente que pensava de forma completamente diferente. Mas era gente que, apesar de tudo, deu certo. A minha mãe, criada numa família matriarcal, acreditava que a família de sangue estava acima de tudo. Para ela, aqueles com quem partilhava o mesmo sangue eram as pessoas mais importantes da sua vida. Eram perfeitos aos seus olhos. Bastava estalarem os dedos para ela acudir. Aos "seus" nunca podia faltar nada, nem que para isso tivesse de correr seca e meca. Tinham sempre razão. Eram, para ela, as criaturas perfeitas da criação. O meu pai, por sua vez, foi criado por uma avó e por um pai anarquistas. Aprendeu que o sangue era apenas um dos aspetos que ligavam as pessoas. Havia muitos outros valores capazes de aproximar alguém de quem não partilhava os mesmos genes e, da mesma forma, muitos motivos para afastar quem partilhava o mesmo apelido. Eu fiquei algures a meio caminho. ...

A Queda do Império? Uma Nova Ordem Mundial a Nascer - 2022 1º revisao

 Tenho para mim que, depois desta guerra, os países do Oriente voltarão a assumir o protagonismo mundial, tal como aconteceu em diferentes momentos da História. Os impérios nunca foram eternos e o centro do poder tem mudado de mãos ao longo dos séculos. Talvez estejamos, uma vez mais, perante uma dessas grandes viragens. Neste momento, o que está em jogo no tabuleiro internacional é muito mais do que a ocupação de um país. O que verdadeiramente se disputa é a liderança do mundo. Uma mudança de poder que já se desenhava há alguns anos, mas que esta guerra poderá acelerar de forma abrupta. Não tenho muitas dúvidas de que, num futuro não muito distante, uma parte significativa das transações comerciais internacionais deixará de ser feita em dólares. Talvez este seja, aliás, um dos verdadeiros motivos que alimentam este conflito. Também não acredito que venha a ser o rublo a ocupar esse espaço. As minhas fichas estão na moeda chinesa, sustentada por uma economia produtiva e por ativos ...

O Grito Silenciado do Congo: Quando um Gesto Vale Mais do que Mil Discursos - 2026 - 1ª revisao

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  Há quase três décadas que a República Democrática do Congo vive mergulhada numa guerra que parece não ter fim. Um conflito que já ceifou milhões de vidas, provocou o deslocamento de milhões de pessoas e condenou sucessivas gerações à fome, ao medo e à miséria. Apesar da sua dimensão humanitária, continua a receber uma atenção internacional muito aquém da tragédia que representa. Por detrás desta guerra estão interesses geopolíticos e económicos que alimentam a exploração das imensas riquezas minerais do Congo. Paradoxalmente, um dos países mais ricos do mundo em recursos naturais continua a ser um dos mais pobres em condições de vida. A chamada "maldição dos recursos" mantém o povo congolês preso a um ciclo de violência, exploração e abandono. Foi neste contexto que a equipa do Congo voltou a usar a sua presença no Mundial para lembrar ao mundo que a guerra continua. Enquanto muitos celebravam o espetáculo desportivo, os atletas escolheram transformar o palco do desporto nu...

O Grito Silenciado do Congo: Quando um Gesto Vale Mais do que Mil Discursos - 2026

  A equipa do Congo, tal como muitos atletas de outras areas, usou a sua presença no mundial para voltar a chamar a atenção para a Guerra no Congo que já existe vai para 30 anos, ja dizimou milhares de congaleses, deslocou outros milhares e parece nao ter fim à vista. Esta guerra, tem por tras apoios internacionais que exploram as riquezas minerais do Congo, visto que este é o pais mais rico do mundo em minerios. A maldição dos recursos tem mantido aquele povo debaixo de fogo e de fome. Mais uma vez os atletas do Congo tentam chamar a atenção da comunidade internacional, com um gesto simbolico que diz muito: o revolver a apontar à cabeça, a guerra, e a boca tapata, que representa o silencio internacional!

A Europa na Fatura de Trump - 2025 1º revisao

Parabéns, Trump. Conseguiu aquilo que muitos julgavam impossível: convencer a Europa a pagar por armamento que, em muitos casos, está tecnologicamente ultrapassado, enquanto os Estados Unidos libertam recursos para investir na próxima geração de armas. E depois há quem continue a dizer que o homem é estúpido. Se alguém saiu a ganhar desta negociação, certamente não foi a Europa. O problema não está apenas em Washington. Está, sobretudo, em Bruxelas e nas capitais europeias, onde demasiados líderes continuam a revelar uma preocupante dependência política e estratégica dos Estados Unidos. A velha relação de parceria parece, por vezes, transformar-se numa relação de vassalagem. Fica também a pergunta que muitos cidadãos fazem, mesmo sem resposta: quem beneficiou verdadeiramente destes acordos? Foram negociados apenas em nome da segurança europeia ou haverá interesses políticos, económicos e industriais que nunca chegam ao conhecimento do público? Depois, quando os partidos tradicionais se...

A Europa na Fatura de Trump - 2025

  Parabens Trump, enganou a europa e colocou-a a pagar as armas obsoletas, para investir nas novas armas americanas. E dizem que o homem é estupido! Estupidos sao os lideres europeus e as suas vassalagens à america. Quanto ganharao os lideres que negociaram este negócio da trampa para a europa. Depois queixam-se da extrema direita estar a crescer.

Eva Wilma: A Noite em Que o Teatro Venceu a Escuridão -2021 1º revisao

Eva Wilma: A Noite em Que o Teatro Venceu a Escuridão Hoje morreu uma das atrizes brasileiras de quem mais gostava. Vi-a duas vezes em palco. Todas as outras vezes encontrei-a através do ecrã, no teatro filmado, na televisão ou no cinema. Mas foram aquelas duas noites que guardo na memória e que hoje regressam com uma força especial. A última aconteceu há 21 anos, no Teatro Tivoli, na famosa noite do apagão. Estava em cena "Madame", de Maria Velho da Costa. No palco encontravam-se duas gigantes da representação: Eva Wilma e Eunice Muñoz. Pouco tempo depois do início do espetáculo, a luz foi abaixo. De repente, a sala mergulhou na escuridão. O silêncio instalou-se por breves segundos, daqueles que parecem durar uma eternidade. Foi então que aconteceu algo extraordinário. Eva Wilma recuperou de imediato da surpresa e começou a improvisar. Chamou pela sua "comadre", integrou a falta de luz na narrativa e transformou o imprevisto em matéria teatral. Poucos instantes dep...

Quando as vitimas se transformam em carracos -2018 1º revisao

  Quando as Vítimas se Transformam em Carrascos Nunca me verão contra um povo, seja ele religioso ou não, qualquer que seja a sua origem. Os povos são frequentemente vítimas da propaganda, da manipulação e dos interesses daqueles que os governam. Por isso, a responsabilidade dos cidadãos comuns raramente pode ser equiparada à responsabilidade dos líderes que decidem, ordenam e executam políticas. Escrevo isto a propósito de Israel. Não estou contra os judeus enquanto povo. A história judaica é marcada por séculos de perseguições, discriminação e sofrimento. Estou, sim, contra a política expansionista e ultranacionalista do sionismo mais radical e contra os dirigentes israelitas que, ao longo de décadas, recusaram soluções duradouras para a convivência entre israelitas e palestinianos. Os sucessivos governos de Israel foram acumulando violações, ignorando resoluções internacionais, expandindo colonatos e contribuindo para um conflito sem fim. Nos últimos anos, a situação agravou-se ...

A degradaçao Moral já não choca ninguem -2017 1º revisao

  A Degradação Moral Já Não Choca Ninguém? Afronta-me que a CMTV tenha passado o vídeo da jovem abusada num autocarro do Porto? Afronta-me. E muito. Mas, sinceramente, isso nem é o que mais me revolta. Revolta-me a passividade de todos os que estavam naquele autocarro e nada fizeram. Revolta-me que ninguém tenha tido a coragem de se levantar e dizer basta. Revolta-me que o motorista não tenha percebido o que se passava ou, pior ainda, que tenha percebido e optado por ignorar. Revolta-me a presença dos jovens que gravaram tudo, transformando uma situação de abuso num espetáculo para partilhar e comentar. Revolta-me a atitude das amigas que assistiram sem impedir, sem denunciar, sem proteger. Revolta-me a alegria coletiva à volta da humilhação de uma pessoa. Revolta-me a forma como a vítima parece resignar-se, como se já não esperasse ajuda de ninguém. E revolta-me que, perante factos desta gravidade, ainda não exista uma resposta firme e imediata das autoridades. Tudo isto me afront...

Quando a Austoridade começa a ser julgada - 2013 1º revisao

  Quando a Austeridade Começa a Ser Julgada Ora, parece que a realidade começa finalmente a impor-se. Já não é apenas em Portugal, na Grécia ou na Irlanda que as receitas de austeridade impostas pelas troikas de credores internacionais são alvo de críticas. Na própria Alemanha, as equipas da Comissão Europeia — com especial destaque para Durão Barroso —, do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) começam a ser acusadas, com crescente insistência, de terem imposto políticas erradas aos países sujeitos a programas de assistência financeira. Ainda bem. Concordo com muitas dessas críticas, embora sem esquecer as enormes responsabilidades da Alemanha em todo o processo que conduziu à implosão do projeto europeu tal como o conhecíamos. As marcas deixadas pela senhora austeridade, Angela Merkel, são profundas e dificilmente apagáveis. Defendeu a austeridade com uma determinação férrea e, não raras vezes, com uma arrogância moral que dividiu a Europa entre povo...

Quando a Democracia Incomoda os Donos da Europa - 2026 1º revisao

 A reforma laboral não passou porque a democracia funcionou. A maioria votou contra e, por isso, a intenção do Governo caiu. Simples. É assim que deveria funcionar um regime democrático. Mas, nesta Europa cada vez mais dominada por elites tecnocráticas e interesses que muitos consideram distantes da vontade popular, os amigos do costume vieram rapidamente em defesa do Governo. E, como não podia deixar de ser, reapareceu aquele velho vampiro das crises: o FMI. Lembram-se deles no tempo de Passos Coelho? Lembram-se da austeridade, dos cortes, da destruição económica e social que ajudaram a impor? E lembram-se também de, anos mais tarde, admitirem que tinham cometido erros graves nos cálculos e nas previsões? São os mesmos que regressam agora para dizer que as pensões mais baixas são demasiado altas e que devem ser reduzidas. Ora, acontece que as pensões mínimas rondam os 341,08 euros por mês. Não chegam sequer para garantir uma alimentação digna, quanto mais uma vida com o mínimo de ...

Quando a Democracia Incomoda os Donos da Europa - 2026

  a reforma laboral não passou porque a democracia funcionou, a maioria votou contra, logo caiu a intençao do governo. Mas nesta europa fascista, sim meus amigis sao os fascistas que neste momento dominam bruxelas e as instituições internacionais, os amigos vieram em defesa do governo. E aparece de novo aquele vampiro do FMI. Lembram-se deles no tempo de Passos? lembram-se deles terem dado cabo do pais e depois de verem a merda que fizeram, terem dito que "ah afinal erramos"? Esses mesmo, vem agora dizer que: As pensões mais baixas, dizem eles, estao altas e tem que baixar. Ora acontece que as pensões mais baixas sao de 341,08 euros por mês, não dão nem para a comida. E as de viuvez, tambem tem que baixar. Acontece que a pensao de viuvez, depende da contribuição para a segurança social ou caixa de aposentaçoes de cada um de nós. O governo não está a dar nada, está a pagar aquilo que um contribuinte que morreu tem direito a deixar a quem viveu com ele. Não é uma dadiva, é o c...

E a Maluca Sou Eu? - 2017 1º revisao

 A Évora da minha adolescência era uma cidade ainda mais conservadora do que é hoje. Não eram muitas as raparigas da minha idade que frequentavam bares ou cafés. Ao cinema iam acompanhadas pelas mães. As pastelarias e os salões de chá eram espaços aceitáveis, mas o Café Portugal? Isso era outra conversa. Diziam que era lugar para adolescentes malucas, rebeldes ou, segundo os mais exagerados, até para aquelas que “não andavam em bons caminhos”. A noite estava praticamente proibida. A não ser o baile, claro, mas devidamente acompanhadas e com todas as regras de segurança familiar bem apertadas. As amizades com rapazes ficavam limitadas à escola ou a uma ou outra festa de domingo à tarde, onde os olhares dos adultos funcionavam como uma espécie de polícia invisível. Por isso, durante o dia, muitas meninas vingavam-se. Faziam coisas que jamais confessariam aos pais. Pequenas transgressões, pequenas aventuras, pequenas fugas a uma vida onde quase tudo era controlado. E a Feira de São Jo...

E a Maluca Sou Eu? - 2017

  A Évora da minha adolescência era uma cidade ainda mais conservadora do que é hoje. Não eram muitas as meninas da minha idade que frequentavam os bares ou os cafés. Ao cinema iam acompanhadas das mães. Frequentavam as pastelarias ou salões de chã e nunca frequentavam o Café Portugal ( isso era só para adolescentes malucas ou drogadas). A noite era-lhes vedada a não ser a ida ao baile acompanhadas devidamente. As amizades com os rapazes só na escola ou numa ou outra festa de domingo há tarde. Por isso durante o dia desforravam-se e faziam coisas que jamais passariam pelas cabeças dos seus progenitores. A feira de S. João era por isso um espaço onde se esbaldavam. Passavam as tardes nas pistas e nos carroceis, provavam bebidas alcoólicas e flertavam com os rapazes da feira. Eles davam-lhes senhas e fichas e elas davam-lhes conversa. Para quem estava preso o ano inteiro aqueles momentos de liberdade eram o paraíso. Pouco habituadas a estas relações entre géneros era comum caírem di...

O Aviso das Urnas -2018 1º revisao

 A Hungria, a Itália e, mais recentemente, outros países europeus têm assistido ao crescimento ou à consolidação de forças políticas à direita. No nosso próprio quintal europeu, existem hoje governos e partidos no poder que defendem posições frequentemente consideradas incompatíveis com alguns dos princípios e valores consagrados nos tratados europeus. Ainda assim, não se ouvem com a mesma intensidade as vozes indignadas que tantas vezes ecoam quando fenómenos semelhantes acontecem fora das fronteiras da União Europeia. E isso levanta uma questão legítima: afinal, o que vai a Europa fazer? Durante décadas, os líderes europeus apresentaram a defesa da democracia, dos direitos fundamentais e do Estado de direito como pilares da sua ação política, tanto interna como externamente. Foram esses princípios que justificaram críticas a outros países, sanções diplomáticas e até intervenções políticas em cenários internacionais. Mas quando os desafios surgem dentro de portas, a resposta parec...

O Aviso das Urnas -2018

  Hungria, Eslovénia e a Itália viraram à direita. Aqui no nosso quintal estão governos que são contra todos os valores defendidos pelos tratados Europeus, mas eu não oiço ninguém do resto da Europa "democrática" falar nada contra. A Europa invade o mundo inteiro ao lado dos Estados Unidos, segundo dizem por falta desses mesmos valores e agora meus senhores, vão fazer o quê mesmo? E a esquerda europeia já esta a reflectir sobre esta viragem à direita? Sim, porque alguma coisa a esquerda esta a fazer muito mal para os povos terem tomado este rumo! Era importante reflectir, analisar e tomar medidas imediatas para tentar levar as populações a repensar estas posições, é urgente. A historia mostra-nos que a 1ª e 2ª guerra aconteceram logo após períodos como estes... Queremos experimentar outra? Queremos pagar para ver?

Entre as Marchas e a Memória -2019 1º revisao

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Hoje fui ver as Marchas. Não são uma tradição de Évora, pelo menos não da cidade. São, sobretudo, uma tradição das zonas rurais que nos rodeiam, onde continuam a mobilizar coletividades, famílias e comunidades inteiras. Ainda assim, encaixam bem no espírito da Feira de São João, trazendo cor, música, alegria e aquele sabor popular que tão bem combina com as noites de verão alentejanas. E, convenhamos, numa época em que tantas tradições vão desaparecendo, é sempre bom ver manifestações culturais que continuam vivas e capazes de juntar gerações à volta de um palco, de uma rua ou de um recinto festivo. Enquanto assistia ao desfile, porém, não consegui evitar um pensamento. Se as Marchas ajudam a dar alma à Feira de São João, talvez esteja na altura de recuperarmos também algumas das tradições que eram genuinamente nossas. Refiro-me aos antigos Desfiles Joaninos, que durante anos fizeram parte da identidade festiva da cidade e que muitos eborenses ainda recordam com carinho. Não eram apena...

Entre as Marchas e a Memória -2019

  Hoje fui ver as Marchas, não é uma tradição de Évora, mas é uma tradição das zonas rurais que nos cercam, à falta de reavivarmos as marcas populares da cidade, estas dão um bom toque à feira de S. João. Mas eu tenho ainda a esperança de ver reavivar os Desfiles S. Joaninos, quem sabe um dia alguém da cultura se apeite e meta mãos à obra!

Os Pactos de Silêncio -2021 1º revisao

 Ao ler as notícias sobre o recente decreto da Hungria, lembrei-me de uma história antiga da sociedade eborense. Uma dessas histórias que quase ninguém conhece por inteiro, mas que dizem muito sobre os tempos em que aconteceram e, talvez, também sobre os tempos em que vivemos. Na década de 1940, duas das mais ricas e prestigiadas famílias da cidade decidiram unir patrimónios e apelidos através do casamento dos seus filhos. Feliz coincidência ou golpe de sorte, a jovem noiva estava apaixonada pelo noivo, o que facilitou bastante o negócio familiar. Ele era um empresário respeitado, austero e pouco dado a demonstrações de afeto. Ninguém estranhou que se mostrasse mais contido do que apaixonado no dia do casamento. Mas, um ano depois, a jovem esposa encontrou o marido na cama com um amante. O escândalo rebentou dentro de casa. Houve lágrimas, gritos, ameaças e uma crise nervosa. Com receio de que a verdade chegasse às famílias e à sociedade eborense, o marido aproveitou o estado emoci...

Os Pactos de Silêncio -2021

  Olhando para o decreto da Hungria relembrei uma história de um dos casais mais importantes da sociedade eborense do seculo passado. Na década de 50, 2 das melhores e mais ricas famílias da cidade resolveram casar os filhos e juntar as fortunas, a jovem moça casou apaixonada pelo mancebo o que simplificou a coisa, ele era um empresário austero e por isso foi aceite a sua forma pouco apaixonada no dia do enlace. Um ano depois, a jovem noiva encontrou o seu marido na cama com um amante. Fez um escândalo, ameaçou contar a toda a gente, teve uma crise nervosa. O marido, com medo que ela o expusesse perante toda a sociedade e perante as famílias, aproveitou a crise nervosa e prendeu-a em casa com uma empregada encarregue de a drogar todos os dias. Assim passou a jovem 2 anos da sua vida. A clausura começou a ser comentada, a forma aérea como ela se apresentava nas poucas festas familiares a que tinha que comparecer e o seu estado débil começaram a dar que falar, mais uma vez com medo ...

Quando evora cerra fileiras - 2024 1º revisao

 Sugiro um título mais forte e uma revisão que torne a crónica mais fluida, assertiva e politicamente incisiva, sem perder o tom pessoal e emocional. Título: Quando Évora Fecha Fileiras Roubo as palavras de uma das canções do meu amigo José Melo: "Évora tem-me dado muitos aborrecimentos, mas também muitas alegrias." E é precisamente de uma dessas alegrias que vos quero falar. Cada maluco passa as suas insónias como pode. Eu escuto as reuniões da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal. Podia dar-me para pior. Nessas noites sem dormir, vou acompanhando o que pensam, discutem e decidem aqueles que têm nas mãos o destino da cidade e do concelho onde nasci. Se muitas vezes me irrito, outras vezes fico agradada. Mas desta vez fiquei mais do que agradada: fiquei verdadeiramente satisfeita com aquilo que ouvi na Assembleia Municipal do passado dia 21. Antes de explicar porquê, permitam-me um aparte. Logo após a pandemia, quando voltei a trabalhar pelo Baixo Alentejo e Algarve, a...

Quando Évora Fecha Fileiras - 2024

  Roubo as palavras de uma das canções do meu amigo José Melo, "Évora tem-me dado muitos aborrecimentos, mas também muitas alegrias" para vos falar de alegria. Cada maluco passa as suas insônias como quer, eu escuto as reuniões da câmara municipal e da assembleia municipal, poderia dar-me para pior, mas nestas minhas noites sem dormir, vou sabendo o que pensam e dizem, aquele que decidem os assuntos da cidade e do concelho onde nasci. E se muitas vezes me irrito, outras fico agradada. Mas hoje, fiquei mais que agradada com o que escutei na Assembleia passada de dia 21. Antes de vos explicar a razão do meu contentamento, faço um aparte. Logo após o COVID, ao voltar a trabalhar no baixo Alentejo e no Algarve, tive um baque. Os campos de girassol, as searas de trigo, ou cevada, que tinham restado do olival intensivo, e que fizeram sempre parte da bela paisagem Alentejana, que eu amava, tinham-se convertido, enquanto estive presa em casa, em campos de painéis solares a perder d...

Tabela de Preços para o Meu Silêncio (Promoção de Verão) - 2024 1º revisao

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Há quem espere pelo nascer do sol, pelo fim da semana ou pelo próximo feriado. E depois há aquele grupo muito especial de cidadãos que acorda todos os dias a perguntar: “Será que ela escreveu outra vez?” A esses dedicados seguidores — que acompanham cada palavra com a atenção de um fiscal das finanças em época de inspeções — tenho uma novidade: estou disposto a negociar o meu silêncio. Sim, leram bem. Após anos de sofrimento alheio, indignação digital e suspiros dramáticos sempre que publico mais uma reflexão, decidi criar uma solução moderna, inclusiva e financeiramente sustentável: uma tabela de preços para me calar. Porque criticar é gratuito, mas o silêncio premium tem custos. Aos que dizem que escrevo demasiado, apresento a modalidade “Pausa Temporária”. Aos que reviram os olhos sempre que aparece mais um texto meu, existe o pacote “Descanso Mental”. E para os invejosos profissionais, aqueles que garantem que os meus textos são horríveis mas nunca perdem um único, há a opção “Silê...

Tabela de Preços para o Meu Silêncio (Promoção de Verão) - 2024

  Para aqueles a quem afligem as minhas escritas, para os que praguejam quando veem que já escrevi algo mais, para os invejosos que detestam que eu escreva, porque eles não tem coragem de o fazer, aqui fica a tabela, podem calar-me se quiserem, eu prometo cumprir, desde que a carteira vá enchendo, afinal a malta sem subsidio de ferias tem que ser criativo para as pagar!

A Minha Feira de São João: Onde Moram as Memórias e os Sorrisos -2026 2º revisao

  Fui à feira. Claro que fui. Só não fui no ano em que nasci; de resto, não me lembro de uma Feira de São João sem mim, nem de mim sem a Feira de São João. É mais do que um evento, mais do que um conjunto de ruas cheias de luzes, sons e movimento. É uma parte da minha história. É a feira da minha cidade, da minha gente, das minhas memórias. É a minha feira. Está diferente? Está. Como tudo na vida, também ela mudou. Há uma obra que precisa de ser feita, há um tempo para cumprir, e isso obrigou a que o espaço não fosse ocupado como sempre foi. Mas será que uma feira se mede apenas pelo tamanho do terrado? Será que aquilo que sentimos cabe num espaço físico? Claro que não. Porque uma feira vive, acima de tudo, nas pessoas e nas emoções. E lá estavam os carrosséis. Porque uma feira sem carrosséis não é feira. Lá estavam eles, a fazer brilhar os olhos das crianças, a arrancar sorrisos aos mais pequenos e a despertar memórias nos mais velhos. Eu estive lá com os meus netos e, por momento...

A Minha Feira de São João: Onde Moram as Memórias e os Sorrisos - 2026 1º revisao

  Fui à feira. Claro que fui. Só não fui no ano em que nasci; de resto, nunca faltei. É a feira da minha cidade, a feira da minha gente, a minha feira. Está diferente? Claro que está. Há uma obra que precisa de ser feita, há prazos a cumprir, e isso condicionou o uso de todo o terrado como sempre aconteceu. Mas que importa isso? Uma feira não vive apenas do espaço que ocupa; vive das pessoas, das memórias e dos sentimentos que lá se encontram. E lá estavam os carrosséis, porque uma feira sem carrosséis não é feira. Lá andei com os meus netos, a vê-los sorrir, a sentir aquela alegria simples que atravessa gerações. Estavam as tasquinhas, onde jantei, as esplanadas onde bebi um sumo ao fim da tarde, naquele momento em que o dia começa a abrandar e a feira ganha outra magia. Estava também o futebol, para quem quis assistir ao jogo de Portugal — e desta vez até tivemos a alegria de ganhar. Estava o artesanato, estavam as instituições que dão vida ao concelho, estavam as vendas de quinq...

A Minha Feira de São João: Onde Moram as Memórias e os Sorrisos - 2026

  Fui à feira. Claro, só não fui no ano em que nasci, de resto nunca faltei. É a feira da minha cidade, é a feira da minha gente, é a minha feira. Está diferente? Claro que está. ha uma obra que precisa ser feita, que tem um tempo para ser terminada e isso invalida o usso de todo o terrado como sempre aconteceu. Mas que importa isso? Estao lá os carroceis, onde andei com os meus netos, porque feira sem carroceis não é feira. As tasquinhas, onde jantei, as esplanadas onde vevi um sumo no final de tarde, estava lá o futebol, para quem quis assistir ao jogo de Portugal, que desta vez ate ganhamos. Está lá o artesanato, as instituições que marcam o concelho, as vendas de quinquelharias, que não me interessam nada, mas onde sempre passo, esteve lá a cultura, a musica de Carolina de Deus, que não é da minha preferencia, assim como o cante alentejano e a das crianças com o seu desfile de carnaval fora de epoca, onde fui ver a minha neta mascarada de passaro num apelo a que se proteja a n...

O temivel Abobora e os medos da minha infancia - 2021 1º revisao

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  O Temível Abóbora e os Medos da Minha Infância Évora sempre foi uma cidade fértil em histórias, lendas e mitos. Algumas passavam de geração em geração, outras nasciam nos recreios das escolas, alimentadas pela imaginação das crianças e pelos receios dos adultos. E, como tantas outras crianças da minha geração, eu cresci rodeada dessas histórias que, de tanto serem repetidas, acabavam por parecer verdades absolutas. Uma das mais persistentes tinha morada certa: o Café Portugal. Eu e as minhas amigas ouvíamos vezes sem conta que, se entrássemos no Portugal, acabaríamos drogadas. Diziam-nos que os drogados que por lá andavam nos fariam mal, que era um lugar perigoso e que devíamos passar longe dali. E, entre todas as figuras que habitavam aquelas histórias assustadoras, havia uma que surgia sempre como o grande vilão: o Abóbora. Curiosamente, nunca ouvi essas coisas em casa. Mas bastava escutá-las na rua, na escola ou entre amigos para que a imaginação fizesse o resto. Durante anos,...

A Voz que Ainda Está por Voar -2014 1º revisao

  Hoje escutei, ao longe, a voz de Gisela Silva. Tive pena de não estar mais perto, de não poder apreciar o espetáculo na plenitude que ele certamente merecia. Ainda assim, bastaram alguns instantes para reconhecer aquela sonoridade tão particular e sentir a nostalgia de quem reencontra algo de que já tinha saudades. Há vozes que se ouvem. Outras sentem-se. A da Gisela pertence claramente ao segundo grupo. Para mim, e para muitos outros, Gisela Silva é uma das melhores vozes femininas de Évora. Possui uma rara combinação de técnica, sensibilidade e emoção, capaz de transformar uma simples interpretação num momento especial. Há uma limpidez na sua voz, uma espécie de brilho cristalino, que prende a atenção e deixa sempre a sensação de que queremos ouvir mais uma canção. E, no entanto, continuo a acreditar que ainda não conhecemos toda a dimensão do seu talento. Há artistas que revelam tudo o que são desde o primeiro instante. Outros parecem guardar dentro de si territórios ainda por...

A Voz que Ainda Está por Voar -2014

  Hoje escutei ao longe a Gisela Silva, tive pena de não estar mais perto para apreciar melhor o espetáculo. Já tinha saudades de escutar a voz cristalina da Gisela. Para mim, e para muitos outros, a Gisela é uma das melhores vozes femininas de Évora. E ela nunca mostrar toda a potencialidade que aquelas cordas vocais têm. Um dia quem sabe a Gisela deixa a voz que tem dentro dela soltar-se e ai ninguém a para! Parabéns Gisela! Mas já agora uma sugestão, ao Rui Gonçalves e ao Domingos, junta um violoncelo e um saxofone e o projecto fica brilhante, pronto para ganhar o mundo

Quando a Convicção se Rende -2015 1º revisao

  Quando a Convicção se Rende O Governo da Grécia cedeu. Confesso que, mais uma vez, a política conseguiu desiludir-me. Já vejo por aí muita gente que ontem aplaudia a posição grega e que hoje se apressa a encontrar justificações para o desfecho. Eu não consigo. Ontem estava do lado do Governo grego. Hoje já não estou. Continuaria a estar se tivessem regressado a Atenas, se tivessem assumido perante o seu povo que a luta era impossível de vencer e que as circunstâncias os obrigavam a abandonar o combate. Continuaria a respeitá-los se tivessem dito, com frontalidade: "Tentámos, mas não conseguimos. Entregamos os pontos." O que não consigo compreender é outra coisa: defender uma posição até ao limite, afirmar que se tem razão, pedir sacrifícios a um povo inteiro em nome dessa razão e, no momento decisivo, aceitar precisamente aquilo que se dizia combater. Muitos dirão que é fácil falar de fora. Que, colocados perante a mesma pressão, todos acabariam por fazer o mesmo. Talvez. M...

Quando a Convicção se Rende -2015

  O governo da Grécia cedeu! Lamento, mais uma vez algo me desiludiu. Já por aqui há gente que ontem era a favor da posição grega e que hoje lhes esta a arranjar desculpas. Eu não! Ontem estava do lado do governo grego, hoje não! Estaria se tivessem voltado a Atenas se se tivessem demitido e dito "nós não podemos vence-los, entregamos os pontos". Aceitar quando se acha que se tem razão, nunca! Dirão "tu farias o mesmo!". Não, não faria! Não nasci com espirito que permita dizer uma coisa e depois fazer outra. Negociar sim, ajustar também, aceitar aquilo que não defendo não é para mim, mesmo que isso me complique a vida, mesmo que isso me cause dissabores, mesmo que isso me prejudique. Para mim a moral não é elástica, não se fazem jeitinhos. Tenho pena, a Grécia poderia ter marcado a diferença, não o fez a Europa continua refém dos poderes económicos!

A noite em que a Midus desafiou o circo -2021 1º revisao

  A Noite em que a Midus Desafiou o Circo Hoje era noite de São João. A feira enchia-se de gente vinda de todos os lados. Acotovelavam-se entre bancas e barraquinhas para comprar quinquilharias de que provavelmente nunca precisariam. Os mais novos amontoavam-se junto aos carrosséis, uns mais assustadores do que outros, fingindo uma coragem que nem sempre possuíam. A noite era feita de gargalhadas, gritinhos, música e confusão. Era noite de São João, a noite grande da feira, apenas superada pela noite do santo padroeiro, a de São Pedro. E foi numa dessas noites de São João, algures na década de noventa, que vivi uma das aventuras mais inesquecíveis da minha vida. A minha filha era pequena e andava há dias a pedir para ir ao circo. Queria porque queria ver os palhaços, os cavalos, os trapezistas e toda aquela magia que só existe debaixo de uma lona colorida. Como tinha recebido alguns convites na rádio, lá fomos nós: o Faustino, eu, a miúda e a Midus. O circo fervilhava de vida. Entr...