A Canção que uma Mãe Escolhe Nunca se Cala 2026
Hoje é Dia da Mãe e, sem saber muito bem porquê, lembrei-me de uma canção que a minha mãe da casa decidiu que seria minha desde o dia em que nasci.
Chamava-se "Maria Morena", de Francisco José.
Não fui eu que a escolhi. Foi ela que decidiu que aquela seria a música que me acompanharia pela vida fora. E assim foi.
Sempre que a vida me pregava uma partida ou eu aparecia em casa para desabafar, lá vinha ela, sem grandes discursos nem lições. Bastavam-lhe meia dúzia de versos e, sobretudo, o refrão. Cantava-o com aquele sorriso que só as mães sabem ter, como quem dizia: "Isto também passa."
Na altura, eu sorria. Hoje percebo que, muitas vezes, aquela canção dizia muito mais do que qualquer conselho.
Anos mais tarde descobri que, em África, existe uma tradição muito semelhante entre os Himba, da Namíbia. Diz-se que cada criança recebe uma canção antes mesmo de nascer e que essa melodia a acompanhará ao longo de toda a vida. É a sua identidade, a sua memória e o seu lugar no mundo.
Quando li isso, sorri.
Afinal, a Mé, a minha mãe da casa, talvez soubesse tradições de outras latitudes... ou talvez as mães, em qualquer parte do mundo, falem todas a mesma língua: a do amor.
Por cá, a nossa tradição chamava-se "Maria Morena".
Foi essa canção que embalou muitos momentos da minha vida, que enxugou algumas lágrimas e que ainda hoje me faz regressar, por instantes, ao colo onde sempre encontrei abrigo.
Porque há músicas que passam de moda.
E há outras que passam a fazer parte da nossa história.
A minha chama-se "Maria Morena".
E continuará, para sempre, a unir-me à mulher que primeiro me ensinou que, às vezes, uma simples canção consegue dizer aquilo que as palavras nunca conseguem.
https://www.youtube.com/watch?v=u0LoigPeYLo
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