Quando Évora Fecha Fileiras - 2024

 Roubo as palavras de uma das canções do meu amigo José Melo, "Évora tem-me dado muitos aborrecimentos, mas também muitas alegrias" para vos falar de alegria.

Cada maluco passa as suas insônias como quer, eu escuto as reuniões da câmara municipal e da assembleia municipal, poderia dar-me para pior, mas nestas minhas noites sem dormir, vou sabendo o que pensam e dizem, aquele que decidem os assuntos da cidade e do concelho onde nasci. E se muitas vezes me irrito, outras fico agradada. Mas hoje, fiquei mais que agradada com o que escutei na Assembleia passada de dia 21. Antes de vos explicar a razão do meu contentamento, faço um aparte. Logo após o COVID, ao voltar a trabalhar no baixo Alentejo e no Algarve, tive um baque. Os campos de girassol, as searas de trigo, ou cevada, que tinham restado do olival intensivo, e que fizeram sempre parte da bela paisagem Alentejana, que eu amava, tinham-se convertido, enquanto estive presa em casa, em campos de painéis solares a perder de vista. Foi um choque, garanto-vos, ver o campo alentejano a perder de vista, cheio de painéis solares. Aprofundei a questão e fiquei a saber que as empresa das "ditas energias verdes" tinham dado contrapartidas às câmaras para elas a e as assembleias municipais aprovarem aqueles disparates. Mas pronto, tinham decidido assim, as suas populações tinham deixado, nada a fazer.
Dia 21, um dos temas que um conjunto de cidadãos levou à Assembleia municipal, foi um destes campos cheios de painéis, que parece teve em consulta pública, mas da qual ninguem soube, eu reconheço que também não soube. Pediram eles, o apoio dos deputados e da câmara, para que aquele disparate de painéis não seja instalado na Graça do Divor. Pedem e pedem bem! Os cidadãos de Évora irem contestar, é bom, felizmente é normal quando algo não está bem ou nos desagrada contestamos, mas o que me deixou mesmo, mesmo feliz, foi a unanimidade das bancadas em travar aquele crime à paisagem, o que me deixou feliz, foi a unanimidade em travarem o corte dos muitos sobreiros e azinheiras que o projecto quer fazer, o que me deixou mesmo, mesmo contente, foi ver que apesar das diferenças politicas, das diferenças sobre a economia, os deputados de todas as bancadas, o presidente, vereadores da oposição, presidentes de junta, não importa de que partido, estavam todos do mesmo, lado, estavam todos contra um projecto, que mesmo que dê contrapartidas ao concelho, nos faz mais mal que bem! Nos destroi a Paisagem, e a forma de viver o território. Fiquei muito feliz, eu e o grupo de cidadãos que levou o problema à Assembleia Municipal. Isto fez-me recordar o meu pai, que me contava historias de ataques externos à cidade, ou por obras, ou por construção de betão e que ele terminava sempre com a mesma frase "desde o tempo do Geraldo, que guerreamos uns contra os outros, mas quando chega a hora, pegamos nas armas e serramos fileiras"
Ali, naquela assembleia municipal, em relação a um "ataque externo" serraram-se fileiras" e isso foi muito bom de ver e de escutar!
Obrigado a todos, pela alegria que me proporcionaram, num tema que me é tão caro, a Paisagem Alentejana e a salvaguarda da minha cidade.

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