As Férias Passam. O Amor Fica - 2019 1º revisao
Enquanto a minha filha e as minhas sobrinhas de coração foram pequenas, organizámos sempre as férias a pensar nelas. O objetivo era simples: proporcionar-lhes alegria, memórias e conhecimento.
Escolhíamos zonas de Portugal ou da vizinha Espanha que tivessem alguma coisa especial para as miúdas. Um parque temático, uma exposição, uma praia com atrações para crianças, uma serra com qualquer atividade que lhes despertasse a curiosidade… Não importava exatamente o quê. O importante era que regressassem a casa mais felizes do que tinham partido.
Foi assim que viajámos durante anos.
Quando cresceram e passaram a organizar as próprias férias com os amigos, comecei, naturalmente, a escolher os destinos que mais me agradavam a mim.
Durante muito tempo nem pensei no resultado daquelas escolhas de outros tempos.
Mas, há alguns anos, a vida colocou-mo diante dos olhos.
Hoje são elas que organizam as férias a pensar na felicidade dos filhos e dos sobrinhos. São elas que andam com os pequenos ao colo, que escolhem os destinos em função daquilo que os fará sorrir, descobrir, brincar e guardar memórias para a vida.
E foi impossível não perceber que estavam, afinal, a repetir aquilo que viveram em crianças.
Estavam a fazer pelos seus filhos e sobrinhos exatamente aquilo que um dia fizemos por elas.
E posso garantir-vos que há poucas recompensas tão grandes como esta.
Ver mulheres e homens reproduzirem os gestos de amor que receberam. Ver que aquilo que fizemos, sem esperar nada em troca, criou raízes. Ver que os nossos exemplos atravessam gerações e continuam vivos nas pequenas escolhas do dia a dia.
Não há maior recompensa do que assistir aos nossos filhos proporcionarem aos seus filhos aquilo que um dia lhes proporcionámos a eles.
É nestes momentos que percebo que o verdadeiro legado não são os bens que deixamos, mas os afetos que semeamos.
Agora espero que aqueles amigos que, durante tantos anos, achavam uma parvoíce eu escolher destinos a pensar na felicidade delas, em vez de pensar apenas na minha, compreendam finalmente.
Isto é criar redes de afetos.
Isto é ensinar pelo exemplo.
Isto é cultivar amor.
Porque esta fotografia, tão parecida com outra que tirei há muitos anos, não retrata apenas umas férias.
Retrata uma herança invisível, passada de geração em geração.
E essa é, talvez, a mais bonita prova de amor que um pai, uma tia ou uma madrinha podem deixar.
Boa viagem, meus amores. Façam muitas memórias. Um dia serão elas que os vossos filhos levarão no coração.
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