Os Pactos de Silêncio -2021
Olhando para o decreto da Hungria relembrei uma história de um dos casais mais importantes da sociedade eborense do seculo passado. Na década de 50, 2 das melhores e mais ricas famílias da cidade resolveram casar os filhos e juntar as fortunas, a jovem moça casou apaixonada pelo mancebo o que simplificou a coisa, ele era um empresário austero e por isso foi aceite a sua forma pouco apaixonada no dia do enlace. Um ano depois, a jovem noiva encontrou o seu marido na cama com um amante. Fez um escândalo, ameaçou contar a toda a gente, teve uma crise nervosa. O marido, com medo que ela o expusesse perante toda a sociedade e perante as famílias, aproveitou a crise nervosa e prendeu-a em casa com uma empregada encarregue de a drogar todos os dias. Assim passou a jovem 2 anos da sua vida. A clausura começou a ser comentada, a forma aérea como ela se apresentava nas poucas festas familiares a que tinha que comparecer e o seu estado débil começaram a dar que falar, mais uma vez com medo ele decidiu fazer um acordo com a mulher, ela ficava calada em relação à sua opção sexual e ele não se metia no tipo de vida que ela tivesse a partir dali. Fizeram um pacto de silencio. Ela passou a beber, a ter amantes, a desaparecer durante meses, a viajar pelo mundo sem dar cavaco a ninguém, ele tratava de pagar as contas. Escusado será dizer que a cidade a apelidou de mulher de má fama e a ele atribuiu-lhe o papel de homem digno que carregava o triste fardo de ter uma mulher daquelas. A verdade manteve-se entre eles e 2 ou 3 funcionários que acompanharam a história, o seu pacto de silencio nunca foi desfeito, mas a infelicidade deles era palpável. Isto aconteceu em meados do seculo passado, com este casal e alguns outros por esta cidade e pelo mundo fora e passados todos estes anos, ainda existem pactos de silencio que provocam infelicidade, uma tristeza e a prova de que o silencio não muda nada.
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