tio Tó - 2016 1ª revisao
Oh Tio Tó e Tia Teresa, fiquem descansados: eu e os restantes contribuintes portugueses autorizamos, com enorme generosidade cristã e republicana, que escolham o colégio privado dos meninos. À vontade. Se têm dinheiro para isso, força. Cada um educa os filhos onde entende e onde a carteira permite. Agora, se um dia a conta apertar — porque a vida às vezes tem esse mau gosto democrático — não se preocupem: os nossos filhos recebem os vossos de braços abertos na escola pública. Sem dramas. Há sempre lugar para mais uma carteira e uma sandes embrulhada em papel de alumínio. “Ah, mas a qualidade da escola pública não é a mesma”, dizem os tios, escandalizados, como quem descobriu humidade numa casa de férias. Pois claro que não é perfeita. Mas tenham calma. Talvez daqui a dois ou três anos melhore um bocadinho, precisamente com o dinheiro que o Estado deixar de despejar em colégios privados que cobram mensalidades capazes de financiar uma pequena república independente. Portanto, se...