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O negocio do Fogo

  Quem tem nem que seja meia dizias de árvores sabe há décadas quem beneficia com os fogos! Quem luta contra as chamas sabe ate os nomes dos que ganham milhões com este negocio! Quem é ignorante como eu já há muito sabe que há um negocio por detrás desta miséria! Ora sendo assim os políticos, que legislam também sabem! Quem vive no interior sabe como as florestas estão ao abandono! Quem luta contra o fogo sabe como é dificil chegar a determinados lugares! Eu que sou ignorante sei que as matas não estão limpas e ninguém põe mau nisso e sei que os acessos a determinadas zonas são quase impossível! Ora sendo assim os políticos que legislam e podem resolver também sabem! Quem vive há anos com este pesadelo à porta sabe que há gente a por fogo nas matas! A protecção civil também o sabe! E eu que sou ignorante também! Ora os políticos também sabem, legislem e obriguem a justiça a actuar com mão pesada contra estes assassinos! Quem esta ligado à protecção civil sabe que os meios são de...

o Corta Cabeças

  Era miúda, não me lembro já que idade tinha, quando Évora ficou em reboliço e teve quase recolher obrigatório. O Corta Cabeças, bandido procurado por todo o país tinha família em Évora e havia fugido da cadeia. A família vivia no mesmo pátio que eu, logo a guarda rondava dia e noite, as mulheres fechavam as crianças em casa assim que o sol se punha e ate os homens se recolhiam mal vinham do trabalho. Nunca aquele pátio esteve tão quieto. Eu andava chateada com o "corta Cabeças" já que o recolher cedo me impossibilitava antes de dormir de ir dar beijo à Mé ( minha mãe da casa como lhe chamava) e ao Mimim ( seu filho e o mais próximo de irmão que eu consegui ter). Um dia depois de jantar estava a ver televisão e percebi que a minha mae tinha adormecido no sofã, coisa habitual nela assim que ficava frente ao ecran e pé ante pé, dirigi-me à porta da rua, destranquei -a com muito cuidado e pernas para que te quero em direcção à casa da minha "mae da casa". A casa dist...
A educação tem sido feita ao sabor das teorias da Educação. 1º era a do posso quero e mando dos adultos sobre os filhos! Depois nos anos quentes da Revolução, foi um pouco ao sabor do vento, um sopapo alternava com uma liberdade adquirida na época, um pai mais austero contrapunha a um pai amigalhaço! Nos anos 80, chegou a vez de se dar aos mais novos tudo o que queriam, deixar fazer tudo para os não traumatizar e jamais dizer não! A Escola correspondeu sempre, 1º eram as reguadas por cada erro, seguiu-se o passar tudo e todos não importava como e por fim a selecção por capacidades! Para formar a geração mais bem capacitada do País! Esta geração começou a ser criada nos bancos da Escola primaria, onde a selecção das crianças era feita pela profissão dos pais. Salas de filhos de professores e doutorados, Salas de operários, salas de filhos de funcionários públicos e por ai vai...Sei do que falo. Logo na 1ª classe e depois da directora da Escola de S. Mamede ter detectado o erro, fui cham...
ha muitos anos, quando a minha mae era dirigente do Fomento, numa altura de negociação de salários, ficou acordado ente a entidade patronal e o sindicato das confeiteiras, um aumento de 5 escudos para os operários e 10 escudos para os dirigentes. Vendo essas diferenças, pediu uma reuniao com a entidade patronal, onde expôs o seu descontentamento. Segundo ela, e bem parece-me a mim, os operários que era quem recebia menos, ficavam prejudicados e era portanto melhor fazer-se de  forma diferente e aumentar todos o mesmo, ficando estes mesmos assim a receber menos. a patroa argumentou com o seguinte " Antónia quem ganha mais esta habituado a um nível de vida superior, por isso tem que ter um aumento maior, para andar satisfeito e produzir bem. Quem ganha menos ja esta habituado e ate fica contente com os 5 escudos de aumento". Nao a convenceu, como nao estava satisfeita mas nao podia aumentar as operarias, resolveu usar outra táctica. E nos meses seguintes nao pediu a ninguém par...
A Évora da minha adolescência era uma cidade ainda mais conservadora do que é hoje. Não eram muitas as meninas da minha idade que frequentavam os bares ou os cafés. Ao cinema iam acompanhadas das mães. Frequentavam as pastelarias ou salões de chã e nunca frequentavam o Café Portugal ( isso era só para adolescentes malucas ou drogadas). A noite era-lhes vedada a não ser a ida ao baile acompanhadas devidamente. As amizades com os rapazes só na escola ou numa ou outra festa de  domingo há tarde. Por isso durante o dia desforravam-se e faziam coisas que jamais passariam pelas cabeças dos seus progenitores. A feira de S. João era por isso um espaço onde se esbaldavam. Passavam as tardes nas pistas e nos carroceis, provavam bebidas alcoólicas e flertavam com os rapazes da feira. Eles davam-lhes senhas e fichas e elas davam-lhes conversa. Para quem estava preso o ano inteiro aqueles momentos de liberdade eram o paraíso. Pouco habituadas a estas relações entre géneros era comum caírem dire...
Faltam poucos dias para o inicio da Feira de S. João. A feira é uma marca da cidade, da região e é também uma marca na minha vida. Nasci no dia de S. Pedro apesar disso não estar previsto, segundo a minha mãe eu queria ir à inauguração do Monte Alentejano, lugar pelo qual o meu pai me trocou nesse meu primeiro dia no mundo! Um ano depois na noite de S. João, foi na feira e numa tentativa frustrada de chegar ao carrinho do algodão doce que comecei a andar. Três anos após ent rei num carrossel e estive tanto tempo a pedalar numa bicicleta que à saída os calções se tinham transformado numa saia ja que as costuras do meio se tinham esfrangalhado para grande desespero da família que me acompanhava. Durante anos as minhas tardes e noites de adolescente foram passadas a andar de carrossel e carrinhos de choque. A feira é por isso uma marca na minha vida. Ja nao a espero com a mesma expectativa, ja não vou ao poço da morte, porque ja não existe. Ja não tiro a sorte na bruxa, mas ainda como a f...
Vai começar mais uma Feira de S. João. A feira faz parte da minha vida desde sempre, talvez porque nasci no dia da cidade no ano da inauguração do Monte Alentejano. Nesse dia, enquanto a minha mãe estava no hospital o meu pai levava a mãe dele à inauguração do Monte, integrado na grande exposição do mundo português, tema escolhido nesse ano para a grande Feira da Região. Um ano depois, foi na feira em fuga para os carroceis que comecei a andar. Parece que foi o 1º grande sus to que dei à minha mãe e no ano seguinte montei-me numa bicicleta do carrossel com uns calções e só sai de lá quando as costuras abriram e eles se transformaram numa saia, andei horas naquele carrossel. Mais tarde, a feira seria ponto de paragem obrigatória quando saia da escola do Rossio, ali aos 7 anos fiz amizade com Cora, um filhote de urso a quem dava maçãs à mão e com quem rebolava, até ficar com as calças rasgadas, isto até Cora ser presa numa jaula pois já era uma fêmea adulta e não ficava atada ao poste da...