Vai começar mais uma Feira de S. João. A feira faz parte da minha vida desde sempre, talvez porque nasci no dia da cidade no ano da inauguração do Monte Alentejano. Nesse dia, enquanto a minha mãe estava no hospital o meu pai levava a mãe dele à inauguração do Monte, integrado na grande exposição do mundo português, tema escolhido nesse ano para a grande Feira da Região. Um ano depois, foi na feira em fuga para os carroceis que comecei a andar. Parece que foi o 1º grande susto que dei à minha mãe e no ano seguinte montei-me numa bicicleta do carrossel com uns calções e só sai de lá quando as costuras abriram e eles se transformaram numa saia, andei horas naquele carrossel. Mais tarde, a feira seria ponto de paragem obrigatória quando saia da escola do Rossio, ali aos 7 anos fiz amizade com Cora, um filhote de urso a quem dava maçãs à mão e com quem rebolava, até ficar com as calças rasgadas, isto até Cora ser presa numa jaula pois já era uma fêmea adulta e não ficava atada ao poste da electricidade. Foi por causa de Cora a primeira vez que discuti direitos com um adulto, tinha 9 anos e ao perceber que a minha amiga estava presa numa jaula fui em sua defesa dizer que aquilo não era justo, claro que o Mariano, dono do Circo, não quis saber da minha reivindicação e nesse ano só pode brincar com a Cora por entre as grades. Chorei muito ali, mas sei que Cora também chorou,ainda hoje tenho memoria do som que fazia e era um som triste. Depois desse ano nunca mais visitei os animais do circo, alias voltei ao circo apenas quando fui mãe. Durante a adolescência as minhas noites eram na feira, entre os espectáculos, os carrinhos de choque e os carroceis, quanto mais estranhos melhor. Na fase da radio, passei horas a trabalhar na Feira, fiz reportagens, entrevistas, passei músicas, apresentei espectáculos, passava dias e noites na feira. Há 15 anos a direcção da associação decidiu candidatar-se a uma tasquinha e lá fomos. É para lá que vou na sexta feira, é na feira que passarei os meus dias e especialmente as minhas noites de 21 a 30 de Junho. Ali encontrarei amigos que só vem a Évora nesta altura, colocarei a conversa em dia com aqueles que vejo menos vezes, verei espectáculos, andarei de carrossel, comerei algodão doce e terminarei as noites a comer massa frita do Abrantes. Mas este ano tenho mais uma coisa a fazer na Feira de S. Joao, apresenta-la ao meu neto, afinal de contas a Feira de S. Joao, pode ser o que vocês quiserem mas é a feira da minha cidade!
a cave do sertorio- 2021
Num tempo do seculo passado, no tempo da adolescência, dividia as minhas tardes entre o Café Portugal e a cave da loja do Sertório, eu e todos os meus amigos da época. Ali pela mão de Quim Sertório escutávamos durante horas musicas que não conhecíamos, descobríamos novos cantores, novas sonoridades, novas tendências. Ele ia mostrando as novidades e depois chegava outro e mais outro que queriam escutar este ou aquele cantor. Passávamos horas ali enfiados, por baixo da loja, de quando em vez entrava um cliente mais velho que fazia baixar a musica ou que queria uma sonoridade que não nos agradava e lá voltávamos ao café Portugal, sempre com um ou dois vinis debaixo do braço. Estes eram os discos que iriam depois animar as nossas festas. Quando comecei na radio foram horas e horas no mesmo espaço, mas ai já com objectivos diferentes, mostrar coisas novas, diferentes, ou coisas antigas que continuavam actuais. Com a chegada da internet mantive esse habito, já não vou à cave do Sertó...
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