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falta cumprir-se Évora

Évora sempre foi pioneira em muitas coisas. Encontros de escultura, festivais jovens, feiras alternativas, encontros de tradição, festivais de rua, encontros literários, certames históricos, bianais, isto dos que me lembro, mas se analisarmos a história da cidade ao longo dos séculos, esta é uma das suas marcas identitárias. O porquê é fácil de descobrir. Ela teve sempre filhos que a amavam e amavam a cultura, fazendo dela um chamariz para outros de grande relevância nestas matérias. Mas nunca passou disso mesmo, de uma cidade pioneira, sempre deixou cair todas as suas marcas, nenhuma delas tem tempo de vida que lhe permita amadurecer   Sempre assim foi. Estar a frente foi sempre um dos seus pecados. Infelizmente não o único. É certo que contou sempre com grupos de "malucos" que sonhavam e batalhavam para levar a praça estes acontecimentos de vanguarda, mas também é certo que estes se deixaram sempre enredar em teias que transformavam estas ideias em acontecimentos do poder. ...
Os Centros Comerciais para mim são um "Não Lugar". Não sou fã de cidades perfeitas, com temperatura perfeita, pavimento perfeito, estacionamento perfeito, com todas as lojas iguais umas às outras e onde se cruzam milhares de seres embonecados que participam na feira das vaidades, como se as suas vidas fossem também elas perfeitas! Não sendo por isso adepta de Centros comerciais (admito já que também já entrei em meia dúzia) pareceu-me que deveria assistir às reuniões à volta da construção do Centro Comercial às Portas de Avis. Estava quase certa da minha oposição a esta construção, mas pelo sim pelo não fui escutar o que tinham a dizer os autarcas, os comerciantes e os cidadãos desta cidade. Poderia ser que alguém me desse um argumento que fizesse mudar a minha opinião. 3 reuniões depois continuo a pensar o mesmo. Évora, não vai conseguir sobreviver a um Centro comercial às portas da cidade. Porque essa coisa de me dizerem que se irão fazer ligações entre o centro comercial e...

a minha madrinha

a minha madrinha irma da minha mae, adoeceu tinha 6 anos. O medico, privado, que foi a herdade no Freixo consulta-la, tratou-a durante 1 mês. Todos os dias la´ia. ao fim desse mês disse aos meus avós que nao sabia o que a menina tinha, que ela nao reagia e que se preparassem para ela morrer. O meu avó tinha uma verdadeira adoração por aquela filha. Nao aceitou o veredicto, como tinham dinheiro rumaram com ela primeiro para o hospital de Redondo, depois para Lisboa, o veredict o era sempre o mesmo. Nao sabemos, nao ha nada a fazer. Nos meses em que estiveram em Lisboa, souberam que em Paris um medico tinha tratado de uma menina com os mesmos sintomas. Pegaram neles e la foram. Estiveram 6 meses em Paris, ela numa clínica, eles numa pensao. ao 3 mês foi-lhe diagnosticado "o mal" no baço. O mal para quem nao sabe era cancro. Só com operação, disseram-lhes. Faça-se disse o meu avó. E assim se fez. Correu tudo bem, esteve mais 3 meses a fazer tratamentos e regressou...

licença de maternidade

Hoje por causa da noticia das duas mulheres que mostraram aos médicos que ainda amamentavam a minha mãe, mulher que não é dada a muitas historias, contou-me duas que protagonizou. No ano em que nasci saiu a lei que dava às mães um mês para estarem com o bebe recém- nascido. Quando me teve, mandou entregar a minha certidão na fabrica e ficou em casa durante um mês. Finalizado o prazo foi trabalhar. Chegada lá, o chefe disse-lhe que estava despedida porque tinha abandonado o tr abalho durante um mês. Ela respondeu que não, tinha estado com licença de maternidade. O bom do homem respondeu que ali a lei não interessava para nada...A boa da minha mãe saiu da fabrica direita ao tribunal de trabalho e depois de explicar à técnica o porquê da sua visita, na hora a funcionaria entrou em contacto com o patrão que a mandou regressar ao trabalho. E o caso ficou por ali. Na mesma lei tinha sido dado a todas as mulheres que amamentassem 1 hora por dia. Como vivia perto do trabalho saia meia hora de ...

25 de abril - parte 1

Esta a fazer anos ,já se passou quase uma vida mas ainda me lembro como se fosse hoje o dia em que percebi que a minha mãe, a mulher de aço a quem nada nem ninguém conseguia vencer, derrubar ou machucar, se deixou cair numa depressão profunda. Naquele dia ao voltar para casa para almoçar ela estava desgovernada, gritava, partia coisas, andava violentamente pela casa como se estivesse presa. assustei-me, tentei para-la mas foi impossível e restou-me esperar que passa-se. Passa ram horas quando ela tombou no sofá, a cabeça entre as mãos e os soluções sofridos já quase sumidos. Quando consegui ter coragem aproximei-me, precisava saber o que levava aquela mulher de garra, sempre compenetrada e correcta a estar naquele estado. Bem sabia que estávamos a passar tempos difíceis, o desemprego dela e do meu pai, fazia-nos estar a viver tempos difíceis, mas ela tinha-se mantido firme durante aquele ano, aquilo teria de ter outra explicação...e tinha. O jornal foi-me estendido, percebi que ali est...

a pascoa

toalhas de linho de um branco imaculado conhecidas pelas toalhas da festa para proteger as massas que levedavam ate sábado pela manha altura em que os faziam e os carregavam ate ao forno comunitário que estava instalado no quintal da minha Tia Bia. E ai durante todo o dia entravam e saiam bolos,uns mais apetitosos que outros. Eu e as miúdas da minha idade de quando em vez lá conseguimos comer um por outro. Tudo corria lindamente ate eu dar pelo massacre anual...o meu tio Manuel matava o meu borrego! Todos os anos era a mesma coisa, dava-me um borrego acabado de nascer prometia-me que desta vez era mesmo meu e não o mataria e todos os anos o matava! Lá começava a choradeira e mais uma vez ele me dava outro e voltava tudo ao inicio. Foi assim durante anos, eu esforçava-me para acreditar nele e ele sempre falhava. Um dia lá percebi a coisa...ele queria dar-mo mas tinha que o matar para o comer então optava pelo mais simples faltar à sua promessa... foi na Pascoa que aprendi a nunca pr...

o toque da sineta

Os meus pais mudaram de casa uns meses antes de eu fazer 6 anos. Fui da avenida dos combatentes, para a rua de Avis. Foi uma mudança profunda. No Pátio onde morava éramos todos uma família. Uma das primeiras coisas que estranhei, com esta mudança, foi as portas fechadas, no pátio as portas estavam sempre abertas, para entrar bastava chamar por um dos elementos da família e íamos entrando, ali não, era preciso bater, alguém vinha abrir e esperava-se a porta. Mas a mudança que me doeu mais foi o ter que aprender que existiam pessoas considerada diferentes por características físicas, na rua de Avis, o coxo, a muda, o velho, o corcunda, o gago, o maneta, eram apontados de forma depreciativa e não eram tidos como participantes de pleno direito quer na vida social dos adultos, quer nas brincadeiras das crianças. No pátio de onde eu vinha, eles também existiam, mas eu só me confrontei com eles do outro lado da cidade. No pátio eles eram só mais um, era preciso falar com a muda olhando pa...