Os políticos de vários países do mundo não estão à altura desta crise que se abateu sobre nós. E quando os estados eleitos se mostram incapazes há quem tome o seu lugar, a história está cheia de exemplos destes.Neste momento no Brasil, enquanto o governo manda os pobres trabalh arem fazendo deles carne para canhão, os chefes dos morros, os homens do narcotráfico, fecham as favelas e não deixam ninguém entrar para visitar, nem ninguém sair para trabalhar. Enquanto os patrões das avenidas deixaram de pagar à s empregadas que ficaram em casa, eles, os donos do morro estão a alimenta-los. A condição que não saiam de casa. Dirão, mas são bandidos, pois são. Mas neste momento sãos os que valem aos pobres. Depois disto passar, porque passa, eles terão ainda mais poder na sociedade Brasileira, irão proteger quem os protegeu, e não querem nem saber se são bandidos ou não, foram os que lhes v aler am , quando o governo e os p a trões lhes viraram as costas. S abem ...
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O confinamento nao é bom conselheiro
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Quando nasci o médico que me foi observar disse a minha mãe que eu vinha com o sistema nervoso alterado, coisa fina para a época. Acertou, não conseguia parar no lugar, tinha uma energia que cansava um santo e claro que aquilo junto dava disparates. Por isso na 1ª infância a minha mãe, as freiras e depois a professora, resolviam este meu problema com umas chapadas ou umas reguadas, coisa tão comum na época como hoje a ritalina, se bem que com menos efeitos secundários. Quando fiz 10 anos descobriu-se que sofria de epilepsia, nos primeiros tempos trataram-me na base das drogas, como era comum, mas deixei de as querer tomar porque aquilo colocava-me a dormir ate de pé, o que era uma seca para quem ainda não tinha curtido a vida. Tive sorte. A minha mãe procurou informações, especialistas e encontrou como apoio aos comprimidos a meditação. Foi assim que aos 12 anos passei a ir a Lisboa 2 vezes por semana para aprender e fazer exercícios que me ajudassem a espaçar os ataques e a dimi...
viver no fio da navalha
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Cultura e artistas em tempo de crise Nos sabemos que somos os “não essenciais”, Camões sabia-o, Picasso também, sempre assim foi. Percebemos. Aceitamos e vimos para a janela cantar para vos animar, para vos fazer esquecer pelo menos por uns minutos. Fazemo-lo com a mesma entrega que teríamos em cima de um palco. Mas depois fechamos as janelas e ficamos entregues a nós próprios. Em todas as crises assim foi e esta não é diferente. Mas doei-nos, dói-nos muito, porque os artistas também são gente. Gente com contas, com filhos para alimentar, com casas para pagar. Mas nem isso podemos dizer, se o dizemos há um número enorme de vozes que se levantam e dizem “vão trabalhar” Pois tenho uma notícia para vocês, nós trabalhamos muito e em circunstâncias que a maioria não o conseguiria fazer. Percorremos quilómetro para ir fazer um espectáculo a muitas horas de casa, fazemo-lo muitas vezes com apenas o dinheiro para a gasolina no bolso, muitas vezes doentes, outras tantas deixando os fil...
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Quando pequena ia passar ferias ´há terra da minha mãe a Aldeia da Venda, no concelho de Alandroal, lembro-me de ser imensamente feliz por lá mas lembro-me também das miúdas da minha idade sonharem em vir para Évora, a cidade grande como lhe chamavam..eu gostava de lá e de cá e não via grande diferença na coisa. Depois crescemos e elas vieram realmente para cá. Mais tarde as suas filhas sonharam em ir para Lisboa a cidade cosmopolita. Eu gosto de Lisboa e gosto de cá também.. .Agora as filhas mais novas dessas mesmas primas querem ir para Londres, Paris ou outra grande Capital da Europa...eu também gosto destas cidades todas ...mas continuo a gostar da aldeia da minha mãe, aquele canto do Alentejo cheio de pedras onde o tempo corre muito devagar e onde o ar é mais leve. Gosto desta minha cidade já não tal calma mas onde ainda oiço as andorinhas pela manhã e onde as gentes ainda se cumprimentam. Mas há dias em que perder-me no meio da multidão numa Praça de Lisboa me dá um prazer enorme...
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Sempre detestei as diferenças sociais, não só pelo dinheiro ou pelas coisas que se compram com ele, detesto-as pelas diferenças internas que provocam. Pelos sonhos que não permitem ter ou apenas pelo que se permite almejar! Hoje fui a uma instituição e encontrei uma antiga colega de liceu, andou comigo nos 3 últimos anos, era uma rapariga de poucos recursos, que nao se vestia da mesma forma que todas nós, que nao frequentava os bares da moda ou as coisas da cultura. O dinhei ro não o permitia e ela aceitava sem o por em causa. Não queria mais que terminar o liceu, arranjar um emprego e pouco mais, nunca a vi querer mais do que o que tinha e aceitava isso sem o colocar em causa. Mas o facto é, que aquela minha colega de liceu era das raparigas mais inteligente que eu conheci, a que tinha o raciocínio mais rápido, a que percebia tudo logo à primeira e claro a que tinha as melhores notas do liceu. Poucas foram as pessoas que encontrei na vida tão inteligentes e capazes. Mas hoje fui encon...
Os Alonzo
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Nos últimos dias tenho-me lembrado muito dos Alonzo. Não os conheci, eles chegaram ate mim por uma história que a minha avo me contou algumas vezes. Os Alonzo vieram fugidos da guerra civil espanhola, o pai, a mãe, uma filha, um filho, o avô e um tio ainda jovem. Vieram da raia, atravessaram o rio e entraram por Juromenha. Por terras espanholas tinham ouvido falar que na zona dos sacaios eles conseguiam esconder-se e deram-lhe algumas indicações de famílias com que poderiam contar, o Chilrito era um dos que procuravam. Chegaram em Abril numa noite clara, os cais ladravam muito e foi fácil descobri-los no fim da herdade, cansados, sujos e com fome. Tiveram sorte entravam na herdade do Chilrito. Nessa noite foram escondidos dentro de casa, depois de limpos e alimentados. Mas logo que o dia clareou foram levados para a Pedra. A pedra, que conheci muito bem, era uma enorme pedra de granito que ficava próximo da casa dos meus bisavos, tinha por baixo uma pequena entrada quase oculta e por b...
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Foi dia do Pai...todos o são, mas este é oficial... O meu pai não queria desempenhar esse papel, ele não queria filhos. Não queria ter sob a sua responsabilidade alguém que pudesse passar mal, tivesse fome, frio ou sofresse. Sentimento resultante da sua própria experiência, por isso quando soube não achou muita graça. Conformado começou a sonhar com o filho homem, não queria uma filha mulher, dizia que elas sofrem mais, trabalham mais, são mais incompreendidas. Por isso no dia em que nasci, contrariando o senhor, não foi visitar-me foi à inauguração do Monte Alentejano, marcada para a mesma hora da visita. Só me viu no dia seguinte, diz quem lá estava que se apaixonou por mim na hora...sorte a minha! O meu pai foi desde aquele meu 2º dia de vida, o meu companheiro de brincadeiras, de festas, de saídas, foi o meu confidente, meu conselheiro e meu mecenas! O homem que não queria filhos para que não sofressem, no desempenho dessa sua função em tudo o que lhe foi possível nunca deixou que ...