Quando pequena ia passar ferias ´há terra da minha mãe a Aldeia da Venda, no concelho de Alandroal, lembro-me de ser imensamente feliz por lá mas lembro-me também das miúdas da minha idade sonharem em vir para Évora, a cidade grande como lhe chamavam..eu gostava de lá e de cá e não via grande diferença na coisa. Depois crescemos e elas vieram realmente para cá. Mais tarde as suas filhas sonharam em ir para Lisboa a cidade cosmopolita. Eu gosto de Lisboa e gosto de cá também...Agora as filhas mais novas dessas mesmas primas querem ir para Londres, Paris ou outra grande Capital da Europa...eu também gosto destas cidades todas ...mas continuo a gostar da aldeia da minha mãe, aquele canto do Alentejo cheio de pedras onde o tempo corre muito devagar e onde o ar é mais leve. Gosto desta minha cidade já não tal calma mas onde ainda oiço as andorinhas pela manhã e onde as gentes ainda se cumprimentam. Mas há dias em que perder-me no meio da multidão numa Praça de Lisboa me dá um prazer enorme, um prazer quase tão grande como quando cruzo o hyde park em Londres ou quando me perco entre os quadros no Louve. Dou por mim a pensar, se elas querem sempre estar onde não estão, se elas gostam sempre do que não tem como podem apreciar o Hoje? Como podem ser feliz com o agora? Deve ser dificil viver sempre a querer mais e o que se não tem! Eu não gostaria!
a cave do sertorio- 2021
Num tempo do seculo passado, no tempo da adolescência, dividia as minhas tardes entre o Café Portugal e a cave da loja do Sertório, eu e todos os meus amigos da época. Ali pela mão de Quim Sertório escutávamos durante horas musicas que não conhecíamos, descobríamos novos cantores, novas sonoridades, novas tendências. Ele ia mostrando as novidades e depois chegava outro e mais outro que queriam escutar este ou aquele cantor. Passávamos horas ali enfiados, por baixo da loja, de quando em vez entrava um cliente mais velho que fazia baixar a musica ou que queria uma sonoridade que não nos agradava e lá voltávamos ao café Portugal, sempre com um ou dois vinis debaixo do braço. Estes eram os discos que iriam depois animar as nossas festas. Quando comecei na radio foram horas e horas no mesmo espaço, mas ai já com objectivos diferentes, mostrar coisas novas, diferentes, ou coisas antigas que continuavam actuais. Com a chegada da internet mantive esse habito, já não vou à cave do Sertó...
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