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A Geografia Segundo o Medo-2026 1º revisao

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  Há dias em que a geografia deixa de ser uma ciência e passa a ser um exercício de imaginação. Basta ouvir alguns discursos sobre imigração para perceber que o Estreito de Gibraltar encolheu, o Atlântico desapareceu e Portugal ficou ali, mesmo ao lado de Ceuta. É simples: se os milhares de marroquinos que, no mesmo dia e à mesma hora, tentaram entrar em Ceuta decidissem começar agora a nadar e dessem bem aos braços, amanhã à hora do almoço já estariam em Monte Gordo. Às três da tarde, depois de uma breve pausa para secar a roupa, entrariam no casino para experimentar a sorte. Pelo caminho, ignorariam correntes marítimas, distâncias, fronteiras, meios de vigilância e um pequeno detalhe chamado realidade. A ironia é que, sempre que o tema da imigração surge, há quem transforme mapas em panfletos e factos em filmes de ação. Tudo acontece num instante. Tudo é iminente. Tudo é uma invasão. Os problemas da imigração existem e merecem ser discutidos com seriedade: o controlo das fronteir...

A Geografia Segundo o Medo-2026

  Se os 50 mil marroquinos, que decidiram no mesmo dia e à mesma hora, ir a salto para Ceuta, com o objectivo de vir para a Europa, começarem a nadar agora e derem bem aos braços, amanhã à hora do almoço já conquistaram Monte Gordo e às 15h já estão a jogar no casino.

Os Santos Padroeiros da Opinião-2013 1º revisao

  Há modas para tudo. Há modas na roupa, na música, nos restaurantes e, pelos vistos, também há modas nos comentadores. Ultimamente, basta António Barreto ou José Gomes Ferreira abrirem a boca para as redes sociais entrarem em estado de devoção. Cada frase é partilhada, republicada, comentada e reenviada vezes sem conta, quase como se tivesse descido diretamente do Monte Sinai. Confesso que não consigo acompanhar este entusiasmo. Talvez porque tenho um defeito: memória. Lembro-me de os ouvir defender posições diferentes, por vezes até opostas, em momentos distintos da nossa vida coletiva. Recordo debates sobre a intervenção externa, sobre o papel do Estado, sobre os fundos estruturais europeus, sobre a integração europeia e sobre tantas outras matérias em que o discurso foi evoluindo — ou mudando, conforme a leitura de cada um. E não há mal nenhum em mudar de opinião. Todos mudamos quando a realidade muda ou quando surgem novos argumentos. O problema começa quando essa mudança é ap...

Os Santos Padroeiros da Opinião-2013

  António Barreto e José Gomes Ferreira estão na moda, agora tudo o que dizem é partilhado e re-partilhado vezes se contra! Pois a mim não me convencem, ate porque ao contrario da maioria tenho boa memoria e já os escutei dizer o contrario! Que era necessário o apoio externo dizia Zé Gomes no tempo do governo Sócrates, que menos estado era melhor estado! Que tínhamos que utilizar os fundos estruturais dizia Barreto na nossa entrada (abençoada por ele) na CEE e depois no Euro! Que eles fazem parte da tropa que agora diz uma coisa e logo outra, que eles fazem parte dos comentadores fazedores de ideias falsas ligados aos poderes, eu sei por isso não me dou ao trabalho de ir á procura dos seus discursos anteriores. Mas aconselho aqueles que não se lembram a folhear uns artigos antigos destes dois pensadores antes de partilharem incansavelmente (quase como se fosse uma oração a espalha a palavra do senhor, o que eles dizem

O Espetáculo Gratuito Mais Caro do País-2013 1º revisao

  Há um mistério que nunca consegui resolver. Este ano, os concursos de apoio às artes deixaram muitas companhias e associações culturais de Évora numa situação dramática. Para muitas delas, os apoios simplesmente desapareceram. Entretanto, a Câmara Municipal lançou um concurso para atribuição de apoios. O resultado foi anunciado. Dias depois, chegou a notícia de que não existia verba suficiente para pagar os montantes atribuídos. O efeito prático foi devastador. Projetos suspensos. Equipas desfeitas. Profissionais sem rendimento. Famílias inteiras empurradas para uma situação de enorme fragilidade. E, no caso de muitos trabalhadores da cultura, nem sequer existe a proteção do subsídio de desemprego, porque vivem há anos entre recibos verdes, contratos precários e prestações ocasionais. Até aqui, infelizmente, nada de novo. O extraordinário vem a seguir. Apesar de tudo isto, as companhias continuam a cumprir a programação. Como? Simples. Os artistas trabalham sem receber. É aqui qu...

O Espetáculo Gratuito Mais Caro do País-2013

  Os concursos da GARTES este ano penalizaram enormemente as companhias e associações de Évora, a maior parte ficou mesmo sem subsídios. A Camara Municipal fez um concurso de atribuição de apoios, seguido de uma nota na qual informaram que não havia dinheiro e por tanto ninguém ia receber o que tinha sido atribuído. Estas duas acções consertadas levou imensa gente para o desemprego (para os que tinham direito a ele, a maioria trabalha a recibo verde e nem isso teve) colocando famílias inteiras à beira da miséria. Apesar disso As companhias e as associações continuam a fazer a programação agendada! Como perguntam? Sem os artistas receberem! Todos trabalham de borla! Ora vamos la ver ... alguém já viu o padeiro a dar o pão se não lho pagarmos? Ou o talhante a carne? Ou a classe de pedreiros a fazer casas de borla? Ou outros profissionais a trabalhar na sua profissão de graça? Eu nunca vi! Então porque cargas de agua esta classe a que pertenço trabalha de graça? Porque continuam a ali...

Gerações em Expe ncia-2014 1º revisao

  Todos os anos discutimos exames, médias, rankings, notas e acessos ao ensino superior. Todos os anos nos indignamos com uma injustiça diferente. Este ano, porém, a polémica em torno dos exames voltou a expor uma realidade que me incomoda há muito tempo: continuamos a tratar a educação como um laboratório onde cada geração serve de cobaia para a teoria pedagógica da moda. É isso que mais me irrita. Ao longo da minha vida vi sucederem-se modelos educativos com a mesma rapidez com que mudam os governos ou as correntes de pensamento. Primeiro, a educação da autoridade absoluta: os adultos mandavam, as crianças obedeciam e uma reguada fazia parte da aprendizagem. Depois vieram os anos da Revolução. De repente, tudo parecia possível. A autoridade foi posta em causa e muitas famílias oscilaram entre o pai austero e o pai que queria ser apenas amigo dos filhos. Nos anos 80 chegou outra convicção: era preciso evitar frustrações. O "não" tornou-se quase um pecado. Protegia-se a crian...