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resistência pacifica

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  Acredito na resistência pacifica! Nunca consegui cumprir ordens com as quais discordo na essência, isso tem dificultado a minha vida, mas tem-me dado muito prazer! A semana passada estive a trabalhar numa câmara que esta sob o PAEL. Um acordo feito entre o estado e os municípios que tem dificuldades financeiras. Este acordo tem muitas clausulas, entre as quais as de impossibilitarem o apoio aos agentes, as artes, desporto e área social (no que não for fundamental). Também as impossibilita de adquirir alguns serviços e de fazer contratações.Resumindo, este empréstimo que o estado fez às câmaras que necessitavam, proibias de cumprir alguns dos papeis para os quais foram criadas e que estão consagradas na constituição! As Câmaras podem ser contra, mas cumprirem este acordo, ou resistirem esta nas suas mãos! A câmara da qual falo resolveu resistir e sem deixar de cumprir as regras do PAEL, fez um concurso para os agentes do concelho (culturais, desportivos e sociais). Este concurso d...

Pros e Pros

  Esta noite em Lisboa há gente a esfregar as mãos de contente...Não há nada que agrade mais aos políticos do que a divisão entre as pessoas...alias eles dividem para reinar! Ora uma região que é a maior do País, que é das que tem aumentado mais as exportações, que tem 5 dos principais produtos do PIB nacional, que tem tido um dos maiores aumentos no turismo, se estiver unida, mesmo com pouca população seria um problema...mas não somos... Não somos porque somos burros e estamos ainda na luta de capelinhas, Beja contra Évora, os dois contra Portalegre! Porque me dou com gente que pensa no Alentejo como região não esperava ouvir pessoas que tem a obrigação de ser atentas, esclarecidas e cultas, fazer a apologia da guerra contra Évora para reivindicar um comboio, uma autoestrada e um aeroporto a funcionar para Beja, reivindicações que eu como eborense assino em baixo! Prestou o humorista de Beja, com a sua raiva contra Évora, um péssimo trabalho para o baixo Alentejo e para todos os ...

Este povo a que pertenço

  O BBVA encheu-se para escutar o Cante. Esta imagem aquece o meu coração. Quando há 30 anos comecei a trabalhar com as gentes do baixo Alentejo e a aprender o que era esta coisa do cante, quando conheci Pedro Mestre, tinha ele 14 anos, quando escutei pela primera vez a campaniça, nunca nos meus sonhos mais positivos pensei ver esta gente toda de pé para homenagear o Cante e o pequeno tocador da viola campaniça. Foi um trabalho de décadas, foi a dedicação de muitos, foi a perseverança e o amor a esra forma de cantar que nos marca que conseguiu este feito. Foi Pedro Mestre com os seus ilustres convidados que estiveram em palco, mas os parabéns sao para um povo inteiro. Um povo esquecido por Lisboa, um povo que se agarrou à sua cultura, ignorada e mal tratada pelas elites locais, regionais e nacionais, um povo que nunca se vendeu às culturas da moda, que batalhou em grupo, que se juntou e fez com que os homens dos poderes tivessem que olhar para a sua forma de cantar e tocar. É este...

O Pao De deus

  O halloween não me diz nada, já o Pao por Deus sim. Não só por mim que quando gaiata ia com os meus amigos de porta em porta pedir o "Pao por Deus", apesar da minha casa ser a mais apetecida, visto que a minha mãe dava imensas pastilhas, chocolates e rebuçados, não trabalha-se ela na Fabrica das Pastilhas, mas e especialmente pelas memórias que tenho da minha avó Zulmira e das que o meu pai conta. Conta o meu pai, que pedir o "Pao por Deus" era a única altura em que o meu avó Aníbal deixava os filhos pedirem, no resto do ano apesar da fome que passavam, estavam proibidos de o fazer. Diz ele que apesar disso lhe custava juntar aos outros e ir de herdade em herdade pedir e custava-lhe porque muitos agrários faziam má cara, davam coisas estragadas e alguns até mandavam o feitor correr com os bandos de miúdos. Mas também havia os outros, ele relembra com muito carinho o Ramalho, que eu cheguei a conhecer. Diz ele que dava alem dos doces e frutos da época, que alegrava...

Pequenas falcatruas que fazem deste um pequeno país

  Há uma característica de nós enquanto povo, que é histórica que sempre me irritou e acho mesmo que nos prejudica, passo a explicar...esta coisa de recebermos uma ordem, lei, um trabalho, que sabemos logo que não vai funcionar ou que não se pode fazer mas que para não afrontar, entrar em conflito ou simplesmente por falta de coragem, resolvemos de forma a tornear, aldrabar, improvisar ou mesmo em casos extremos enganar é danosa. Esta minha "raiva" contra esta característica sinto-a desde o liceu. na época tive um professor que gostava de mandar trabalhos sobre os temas e decidia o numero de paginas...um trabalho sobre não importa o quê com 100 paginas, por exemplo. Ora havia temas que não davam nem para 20, mas os meus colegas em vez de apoiarem a minha ideia de fazer o trabalho com o numero de folhas correspondente e explicarem que aquilo não dava para mais resolviam tornear aquilo e lá vinham os parágrafos entre aspas de quem já tinha falado sobre o tema, ou opiniões de ...

Saude mental e as artes

  Quando as coisas ficam difíceis temos tendência a esquecer porque escolhemos fazer o que fazemos. Mas ,há dias em que por sorte nos relembramos e a felicidade nos invade. Ontem aconteceu-me isso no Teatro Garcia de Resende. Ao assistir à peça do grupo de teatro do Hospital Miguel de Lemos, o peito encheu-se-me de um amor imenso pelas artes. A entrega dos utentes do hospital, a paixão em palco, acarinhou o meu coração. 25 pessoas entregaram-se à arte de Molière como muitos actores profissionais não fazem. A técnica teatral pode não lhes garantir um globo de ouro, mas garantiu-lhes a ovação de um teatro cheio todo de pé. E depois, há saída os sorrisos de felicidade, coroaram as suas excelentes interpretações. Mas não foi só a peça que compensou todo o meu trabalho. O Curso de Psicologia, da universidade de Évora também me deu uma alegria imensa. Os veteranos daquele curso fizeram ontem uma praxe aos novos estudantes. a praxe escolhida...Ir ao Teatro! 50 novos alunos, 50 novos habi...

slow food

  Esta na moda por todo o país, já passou por Évora e agora foi para Beja um "novo conceito" de cozinha. A slow food. Ora o que é isto? Vem um chefe de renome, pega nos produtos da época comprados aos seu amigos das hortas biológicas, umas carnes também elas de alimentação biológica, cozinha uns pratos tradicionais da região, coloca-lhe uns nomes esquecidos, do tipo " Arroz aromático com toucinho de porco em cama de rúcula" , coloca uma porção mínima no meio do prato e faz uma decoração artística, e vai dai 70€, pela coisa! E o povo vai em massa e faz fila! Ora isso, faz a minha vizinha aqui da tasca, e todas as Tia Maria de todo o Alentejo, há décadas! Vai à horta, que só leva estrume e agua, trás os produtos da época, tempera a galinha que só comeu o que da horta sobrou, e faz um prato divinal. Há hora da janta sentamos á mesa e comemos ate fartar com muita calma! Aqui esta slow food a 10€! O que eu não vejo é noticias sobre a tasca da ti Maria, nem excursões par...