o aeroporto que não se faz - 2018 1º revisao
O texto original tem alguns problemas de forma e algumas afirmações apresentadas como factos sem prova. Numa crónica política, convém transformar suspeitas em perguntas ou críticas políticas, evitando afirmar como certo aquilo que exigiria demonstração.
Principais correções:
"em media" → em média
"a distancia" → a distância
"esta pronto" → está pronto
"Porque não se desenvolve?" → melhor: Porque não avança?
"ai" → aí
"activar" → ativar (Acordo Ortográfico)
Sugestão de crónica:
O aeroporto que espera
Portugal tem uma estranha relação com o Alentejo. Todos concordam que é importante. Todos elogiam o seu potencial. Todos falam do interior quando chegam as campanhas eleitorais. Mas, quando chega a hora das decisões, o país continua a olhar para os mesmos lugares de sempre.
O caso do Aeroporto de Beja é talvez um dos exemplos mais evidentes dessa contradição.
Enquanto se discutem novas infraestruturas, novos investimentos e novos milhões para resolver a capacidade aeroportuária da região de Lisboa, existe no Alentejo um aeroporto já construído, equipado e operacional, à espera de uma oportunidade que parece nunca chegar.
Os defensores de Beja recordam um argumento simples: por toda a Europa existem aeroportos utilizados pelas companhias low cost que se encontram a uma hora, uma hora e meia ou até mais das grandes capitais. Com ligações rápidas e eficientes, essa distância deixa de ser um obstáculo e transforma-se numa oportunidade de desenvolvimento regional.
Se houvesse uma aposta séria nas acessibilidades entre Beja e Lisboa, o cenário poderia ser diferente. O mesmo aconteceria para quem chega ao Algarve ou ao interior alentejano. O aeroporto poderia funcionar como uma verdadeira porta de entrada para uma vasta região do país que continua a perder população e investimento.
A questão é então inevitável: porque continua Beja à espera?
Os sucessivos governos apresentam razões técnicas, económicas e estratégicas. Os críticos respondem que, em Portugal, as grandes decisões raramente são apenas técnicas. Apontam interesses instalados, lobbies económicos, especulação imobiliária e uma excessiva concentração de investimento na área metropolitana de Lisboa.
Não cabe a uma crónica provar essas suspeitas. Mas cabe-lhe fazer perguntas.
Porque não existe uma frente política alentejana suficientemente forte para colocar este tema no centro da agenda nacional? Porque não se unem autarcas, deputados e agentes económicos da região em torno de uma estratégia comum? Porque continua o Alentejo a assistir às decisões em vez de as influenciar?
Talvez a resposta mais inquietante seja a mais simples: porque o Alentejo tem sido tratado como uma prioridade discursiva e não como uma prioridade política.
Durante décadas, ouvimos falar de coesão territorial, descentralização e combate às assimetrias regionais. Mas um país revela as suas prioridades não pelos discursos que produz, mas pelos investimentos que realiza.
O Aeroporto de Beja permanece ali, entre pistas vazias e potencial por cumprir, como um monumento a essa contradição nacional.
E enquanto se discute onde construir o próximo aeroporto, talvez valha a pena perguntar porque continua o país a ignorar aquele que já tem.
Porque há infraestruturas que custam milhões a construir.
Mas há outras que custam ainda mais quando se decide não as utilizar.
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