a profissao mais velha do mundo - 2018 2ª revisao
Não são só mulheres. Há homens também.
Dizem que a prostituição é a profissão mais antiga do mundo. Não sei se é. O que sei é que continua a ser uma das atividades com menos direitos, menos proteção e menos garantias de segurança. E, quanto a mim, uma das que mais expõe quem a exerce a violência, abuso e risco constante.
Em muitos casos, não estamos sequer a falar de uma escolha livre. Estamos a falar de pobreza extrema, dependência, migração vulnerável, dívidas impossíveis de pagar e redes de exploração que se alimentam precisamente dessa fragilidade. O tráfico humano continua a ser uma realidade presente neste setor, movendo pessoas como mercadoria, retirando-lhes autonomia e impondo-lhes condições de vida e trabalho que se aproximam da escravatura moderna.
Nunca conheci uma criança que sonhasse ser prostituta quando crescesse. Nunca ouvi ninguém dizer que era a sua vocação de infância, o seu projeto de vida, a concretização de um sonho.
Por isso, custa-me acreditar que a maioria dos homens e mulheres que exercem esta atividade o faça por escolha livre e despreocupada. Acredito mais na força da necessidade do que na do desejo. Acredito mais na carência, no desespero e na falta de alternativas do que numa qualquer fantasia romântica sobre liberdade individual.
A sociedade, no entanto, continua a olhar para estas pessoas com uma mistura de desprezo e hipocrisia. Condena quem vende, mas raramente questiona as estruturas que levam à venda — nem os mecanismos que permitem a exploração, o controlo e, em casos extremos, o tráfico.
Não conheço nenhuma profissional do ramo.
Mas conheço muita puta.
E conheço muitos filhos da puta.
A diferença é que umas estão frequentemente presas a contextos de sobrevivência e exploração, muitas vezes invisíveis ou normalizados. Os outros, muitas vezes, ocupam lugares de poder — ministros, administradores, banqueiros, comentadores televisivos ou figuras respeitáveis da sociedade — e operam dentro de sistemas que perpetuam desigualdades das quais os primeiros são vítimas.
E a esses, curiosamente, quase ninguém incomoda.
As pessoas exploradas, carregam o estigma e a pobreza
Os que exploram, carregam cartões de visita e milhões no banco
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