A cultura precisa de estratégia - 2020 covid 1ª revisao
Há alguns erros e pequenas melhorias de estilo no texto original:
"apoio as estruturas" → "apoio às estruturas"
"Pois nao o ter levara´a" → "Pois não o fazer levará a" ou "Pois a sua ausência levará a"
"nao" → "não"
A expressão "covões" pode manter-se se for uma referência intencional e conhecida no contexto local; caso contrário, pode precisar de explicação.
A construção geral ganha força com frases mais afirmativas e menos repetição de "precisamos".
Segue uma versão em formato de crónica política e cultural:
A cultura precisa de estratégia
Era, em parte, disto que estávamos a precisar. Mas apenas em parte.
A cultura não vive de anúncios ocasionais, nem de eventos isolados que surgem e desaparecem ao sabor dos calendários políticos. A cultura precisa de continuidade. Precisa de visão. Precisa de estratégia.
Precisamos de estabilidade para quem cria, produz e programa. Precisamos de apoio consistente às estruturas culturais, às associações, aos teatros, às companhias, às bibliotecas e aos projetos que trabalham todos os dias, muitas vezes longe dos holofotes. Precisamos de políticas públicas que pensem para além da próxima fotografia ou da próxima inauguração.
Os espetáculos promovidos pelos municípios podem ter o seu lugar. Mas uma política cultural não pode resumir-se a uma agenda de eventos. Cultura não é apenas programação; é também formação, criação, experimentação, risco e pensamento crítico. É aquilo que permanece quando o palco é desmontado e as luzes se apagam.
Por isso, é tempo de recordar algo essencial: a cultura não é uma concessão do poder político. É um direito. E esse direito está consagrado no artigo 73.º da Constituição da República Portuguesa, que atribui ao Estado a responsabilidade de promover a democratização da cultura, incentivando o acesso de todos os cidadãos à criação e à fruição cultural.
Quando esse compromisso é esquecido, sobrevivem apenas os mais fortes, os mais próximos do poder ou os que conseguem adaptar-se às lógicas de ocasião. Sobrevivem os "covões" deste mundo. E um mundo cultural moldado apenas por essas lógicas é um mundo mais pobre, mais uniforme e menos livre.
A cultura deve ser um espaço de pluralidade, de inquietação e de imaginação coletiva. Deve ajudar-nos a construir o mundo que ainda não existe, mas que desejamos habitar.
Que se faça o impossível, se for preciso. Que se tenha a coragem de pensar para lá do imediato. Esta é a hora de escolher entre a cultura como ornamento e a cultura como pilar da democracia.
E essa escolha não pode esperar.
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