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Tabelar por baixo- 2016

  Têm sido pratica comum em Portugal...quando existe diferença ou desigualdade tabela-se pelo pior. Foi assim com os salários, foi assim com os horários de trabalho e parece que vai ser assim com o IMI. A lei diz que os Centros Históricos classificados estão isentos de IMI. Mas como nem todos tinham essa isenção parece que vai ser tirada a todos! E parece também que isto se deve ao facto das Câmaras necessitarem de mais dinheiro! Pois percebo, elas precisam. Mas porque não vem então mais dinheiro do estado para as Câmaras? E porque aceitam as Câmaras com Centros históricos este descumprimento da lei em vez de lutar por outras transferências do Orçamento de Estado? Eu sei porquê! Porque é forma mais fácil! E porque sabem que nós portugueses não nos importam se a lei se cumpre ou não, desde que os outros fiquem tão mal como nós! E assim de desrespeito em desrespeito se vão tirando direitos e a injustiça passa a fazer parte do "pão nosso de cada dia"! O que vos digo é que enquan...

évora, a cidade cosmopolita da decada de 80-2021

  Évora na década de 80 era uma cidade cosmopolita, eu sei vocês vão achar que eu estou louca, mas garanto-vos que era. A Évora chegavam todos os dias gente do mundo inteiro, gente que vinha para fazer coisas, desenvolver projectos, apresentar novas tendências. Havia sempre coisas a acontecer nos lugares mais improváveis, organizados por todo o tipo de instituições e de muitos grupos informais. Tínhamos um problema que hoje não nos podemos queixar, não tínhamos hotéis, havia meia dúzia de pensões, algumas ate de frequência duvidosa e 2 hotéis caros. Assim essa gente que vinha trazida por outra gente ia sendo hospedada nas casas daqueles que já não viviam com os pais. Na época eu vivia numa casa que o meu pai tinha nos canaviais, no meio do campo onde quase não se via ninguém ( hoje esta no meio do bairro), era por isso poiso apetecido para muitos artistas que por aqui passaram. Foram imensos, de muitas nacionalidades, de muitas cores e de muitos credos. Com uns criei laços maiore...

os crimes da igreja-2022

  Os que me conhecem e me são próximos sabem que fui para um colégio para ser freira tinha 2 anos. Tive a sorte de o meu pai, apesar de permitir esta sandice da minha mãe ( que só percebi muito tarde o motivo), não ter aceite que dormisse no colégio, as piores historias sempre foram acobertas pela noite, escutei muitas, todas más, mas ate de dia eram cometidos "crimes" contra as crianças que ali viviam por falta de família, pela pobreza das familias, ate eu, que só estava ali para estudar para freira e era por isso uma privilegiada, fui vitima de crimes verbais e físicos. A religião, a igreja, ate às senhoras beatas e da caridade, deixaram-me marcas, felizmente bem leves comparadas com estas relatadas, deixam a qualquer um que por ali passe. Não lhes tenho qualquer respeito, não lhes dedico qualquer bom pensamento a não ser o terem-me dado a certeza de que Deus não existe, pois se existisse não os deixaria praticar tanto acto cruel e hediondo. Não basta um pedido de desculpa...

saude privada-2019

  Hoje recebi um telefonema de um hospital de Lisboa. O senhor (um enfermeiro) começou por me perguntar se a minha mae ainda era viva. Lá lhe disse que sim. Quis depois saber se o estado dela se tinha agravado, confirmei e disse-lhe que ja andava de moletas. Perguntou depois se eu sabia que ela estava à espera de uma cirurgia há 1036 dias. Voltei a confirmar, de seguida começou a dizer-me que o sistema estava mal, que não cumpria os prazos, que as pessoas esperavam de mais, que pioravam à espera, enfim tudo o que eu já sei...e rematou dizendo-me "olhe eu se estivesse no seu lugar escrevia ao ministro e exigia que a minha mãe fosse operada no privado, na luz tem vaga já em Setembro". Ai caiu-me a ficha e perguntei ao senhor " é você que a vai operar no privado?" " Se for na Luz sim, faço parte da equipa"! Muito bem, já percebi... então se não se importa, em vez de perder tempo a instigar os utentes a pedirem que se pague aos privados, vá lá operar quem esta...

sao onas-2020

  Ensinou-me Tulio Espanca e Afonso de Carvalho, que Évora cidade ate ao sec 19 era a zona da Sé e S. Pedro, que tudo o resto eram bairros. Ensinaram-me também que muitos lutaram para que a cidade passasse a incluir tudo o que existe intra muros. Esta luta surgiu como forma de se integrarem as populações que habitavam esses "bairros" e que tinham marcas segregadoras profundas. Esta integração conseguiu-se no papel no final do sec 19 inicio do sec 20, mas estes bairros só se diluíram mesmo no pós 25 de Abril. Foi a revolução dos cravos que deu as populações dos tais bairros a plena integração na cidade. Para os que sabem da historia da cidade, escutar os "novos habitantes " da cidade falar em bairro dentro da cidade causa-nos calafrios...sao zonas senhores, sao zonas! Nao nos voltem a dividir em guetos, a cidade ja é pesada sem eles...Évora nao é Lisboa, a historia conta!

dia dos avos- 2022

  Foi dia dos avos dizem, mas cá por casa são todos, eu passei a ser avó ha 5 anos com a vinda do Miguel e agora sou também avó da Leonor, não tenho folga desta tarefa. Claro que nos dias em que estão por cá tenho mais ação, nos outros a coisa acalma, mas avó sou sempre! Seja como for espero que a nossa relação um dia lhe traga à memoria as nossas histórias, as nossas vivencias, tal como eu tenho com os avós e bisas que passaram pela minha vida. Depois tenho as historias do meu avó Aníbal, que eu não conheci, mas que me chegaram pelo meu pai e como eu gostava de ter conhecido este avô, o tal de que herdamos todos a "veia Nobre" uma veia que não aconselho a que vejam mas que trás consigo também referencias de quem não se dobra, não se vende, não se entrega. Este meu avô anarquista foi homem de muitas histórias, mas eu gosto especialmente da que ele e os irmãos protagonizaram no Cruzeiro, ali aquele triangulo onde se divide a estrada do Bacelo e a do Sr. dos Aflitos. Segundo pa...

marina ribeiro a professora fora de tempo-julho 2025

  Hoje deixou-nos uma "eborense de coração que a cidade renegou". Marina Ribeiro, foi um nome que conheci bem antes que a pessoa. Andava no liceu no inicio dos anos 80, quando tudo estava a mudar, quando a cidade parecia que ia sair do conservadorismo, da vergonha, dos valores cinzentos que sempre a caracterizaram quando ouvi falar dela pela 1º vez, como uma das referencias do ensino no tempo do fascismo, uma daquelas professoras que fez a diferença, que marcou alunos, que os ajudou, na escola e na vida, a pensar fora da caixa. Professora, vinda de sintra, que a cidade havia "expulsado" por ser muito moderna no ensino, nos valores, nas vestes e na forma de ver a vida. Contaram-me nessa altura que havia ajudado alguns alunos a sair a salto do pais para fugirem à tropa. Que na sua casa se juntavam os alunos para ler livros proibidos na epoca e declamar poesia, uma afronta para as mentes tacanhas das senhoras da cidade. Contaram-me nessa altura que foi chamada a ate...