dia dos avos- 2022
Foi dia dos avos dizem, mas cá por casa são todos, eu passei a ser avó ha 5 anos com a vinda do Miguel e agora sou também avó da Leonor, não tenho folga desta tarefa. Claro que nos dias em que estão por cá tenho mais ação, nos outros a coisa acalma, mas avó sou sempre! Seja como for espero que a nossa relação um dia lhe traga à memoria as nossas histórias, as nossas vivencias, tal como eu tenho com os avós e bisas que passaram pela minha vida. Depois tenho as historias do meu avó Aníbal, que eu não conheci, mas que me chegaram pelo meu pai e como eu gostava de ter conhecido este avô, o tal de que herdamos todos a "veia Nobre" uma veia que não aconselho a que vejam mas que trás consigo também referencias de quem não se dobra, não se vende, não se entrega. Este meu avô anarquista foi homem de muitas histórias, mas eu gosto especialmente da que ele e os irmãos protagonizaram no Cruzeiro, ali aquele triangulo onde se divide a estrada do Bacelo e a do Sr. dos Aflitos. Segundo parece, eram eles novos havia um grupo de pessoas que faziam magia negra ali naquele cruzeiro em noite de Lua Cheia. quem vivia por perto ou ia para casa à pé por aquelas estradas, fugia da zona naquela altura do mês. tinham medo. Parece que à meia noite se juntavam muitas mulheres com vários tipos de animais e faziam rituais de magia negra, dizia-se que quem passa-se por ali e incomoda-se o ritual morria na hora. de manha depois dos tais rituais as pessoas passavam ao largo e olhavam de soslaio para os bichos mortos e restos dos rituais.. O burburinho corria já há algum tempo, com muita gente apavorada quando os Irmãos Barrenhos deram pelo facto. Filhos de anarquistas, não acreditavam em nada daquilo e levaram como piada, mas como também eram todos homens de coragem resolveram terminar com a palhaçada. Na noite de Lua chia seguinte, embrulhados em panos brancos, munidos de forquilhas, pintados com ocre vermelho foram ate ao Cruzeiro, aguardaram ate perto da meia noite por ali e quando o ritual começou, foram a correr e a fazer muito barulho em direcçao ao grupo de mulheres que ali se haviam reunidos. O susto que elas apanharam foi enorme. Largaram galinhas meio por esgoelar, gatos pretos presos a paus ainda com vida, e muitas ervas espalhadas por todo o lado e correram como quem corre de assombração. Os barrenhos por sua vez, dedicaram-se a destruir tudo o que fizera parte do ritual enquanto gritavam “ se voltarem aqui levo-as para o Inferno para se aquecerem” . Riram a bom rir os irmãos Barrenhos do medo das “bruxas”. O facto é que o Cruzeiro deixou de ser ponto de rituais de magia e o povo voltou a poder passar ali sem sobressaltos. Anos mais tarde, a Velha Chica, segundo parece líder do grupo disse ao meu avô “ o vosso corpo está fechado foi isso que nos assustou” . O meu avô nunca acreditou nisso, como não acreditava em nada, mas passou a usar a expressão de cada vez que alguém o incomodava, isso fazia com que muitos tivessem medo dele.
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