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3º Aniversario do Armazem 8

  Faz hoje 3 anos que foi inaugurado o Armazém 8, um sonho de anos concretizado por teimosia e muito amor há cultura e há cidade. Como disse na altura esta era a casa de todos e para todos e sabem que mais, é verdade! Por aqui já passou muita gente com projectos criativos diversificados o que nos permite ter um publico sempre diferente. O meu medo, não confidenciado na altura, é que se transformasse como quase tudo em Évora num espaço só frequentado por alguns, mas não, ele recebe gente diferente todos os dias. Claro que o facto de termos aberto as portas a todo o tipo de actividades ajudou neste processo. Aqui é o espaço dos espectáculos de musica, de teatro, de dança, de pintura, mas também é o espaço de meditação, de biodança, de reiki, de fits, de palestras e de exposições, é um espaço de todos e para todos. E isso deixa-me feliz. Sei bem que muitos não gostam desta forma de estar, que queriam um espaço mais direccionado, mais fechado, mas para isso acontecer eu teria de ficar...

1º de Dezembro

  É hora de sair do Café Portugal à pressa, o tempo passa rápido e há que tomar banho e preparar as coisas para o 1º de Dezembro, a noite será longa. O bolo de anos da Mariazinha já esta, alguém marcou o jantar num qualquer restaurante onde aja lugar para 30 . Há que despachar, quem chegar tarde passa por baixo da mesa ninguém espera, não há tempo, os adolescentes e a sua gula...do outro lado da cidade o Manel Piçarra já preparou a casinha por detrás da Sosucata é lá que vamos passar a noite e dali subiremos ao Alto de S. Bento para ver o Sol nascer. O frio estará de lascar, mas a subida vai aquecer os corpos que a bebida não aqueceu durante a noite. Mas antes do inicio da festa a peregrinação costumeira...passar no Baile do Liceu. A resposta será a de sempre " não podem entrar sem ser com traje de gala" pois não há saia e casaco, muito menos salto alto e gravata, somos os contestatários, ainda discutimos um pouco só por prazer, não queríamos mesmo entrar, faz parte do ch...

o desporto e a cidade

  Ja se falou aqui da ocupação da Praça do Geraldo pelos camiões TIR da EDP, das barracas de Campanha mal amanhadas da Cruz Vermelha e ate dos quiosques de cerveja que se espalharam na praça num evento desportivo ( esta doí). Ja aqui deixei claro que nao concordo nada com este abuso e assalto à praça desta forma e que em nada contribui para a prova! Mas que fique claro que concordo com o evento em si...uma corrida pelo Centro Histórico, como acontece noutras localidades, ser ou nao da EDP pouco me importa! Mas nao é sobre isto que quero que pensem...é sobre esta coisa do desporto. Nao há nada que se faça nesta área que nao junte milhares. O que é bom! Mas conversando com o meu pai e os meus tios que tem quase 90 anos, alguns já a caminho dos 100 e sendo eles eborenses, todos me dizem que apesar de Évora sempre ter tido desporto de toda a natureza, sempre foi conhecida como cidade de Cultura e nao de desporto. Ora isto dá que pensar, hoje a Évora que queremos afirmar de cultura tem ...

As praças de Jorna

  No tempo da miséria o meu avô esteve nas Praças de Jornas, segundo o meu pai era a coisa mais humilhante que poderia acontecer a um homem. Ir para ali de madrugada, com frio, chuva ou ao calor, ficar exposto horas a fio à espera de ser escolhido para trabalhar nesse dia. Os donos das terras ou os feitores chegavam horas depois. Com o seu ar emproado, olhavam como quem olha gado, andavam à volta, faziam uma ou outra pergunta, uma ou outra consideração e por vezes uma ou outra humilhação. E os homens ali estavam de chapéu na mão, olhos no chão,a maior parte sem poder responder. Diz o meu pai que havia quem não se contivesse e de vez enquanto lá levavam uma chibatada. Depois escolhiam os que queriam e os que sobravam, tinham passado horas a ser humilhados para voltar para casa de mãos vazias e sem ter como alimentar os filhos. No final da década de 30, num inverno que não deu trégua, aqui na zona muitos foram os que passaram meses sem ser escolhidos, homens a mais, trabalho a menos ...

Os Jardim da Palmeira

  A ´ conta de uma conversa que anda por aqui, vou contar-vos uma historia polémica, daquelas em que Évora é eximia . Não consigo já dizer se foi no fim da década de 80 ou inicio da de 90, o certo é que a Quinta da Palmeira ficou a´ venda. a Quinta sempre foi uma referencia na historia da cidade intra- muros, primeiro por pertencer a ´Ordem dos Cartuxos e depois porque quem a comprou fez dela uma das mais importantes no abastecimento de frescos da região e consequentemente num grande empregador. O certo é que com a morte do patriarca ela ficou a ´venda . Apareceram dois interessados, um famoso construtor civil da cidade que queria transforma -la numa zona habitacional para a classe média alta que se estava a mudar para trabalhar nos organismos públicos e na universidade. E um grupo hoteleiro do norte que queria construir um hotel. Esta não era uma cidade turística ainda , o turismo não estava na moda e por esse motivo haviam poucas c...

O Medo

  Detesto o medo. É um sentimento que nos oprime, nos condiciona e que os poderosos sempre usaram para nos controlar. Por isso cada vez que tenho um medo, luto contra ele. Exceto o dos gatos tem resultado. Mas ontem, quando dei por mim já´ tinha feito uma coisa levada pelo medo. Fui pela alcárcova de cima para tirar a mascara e fumar um cigarro, em sentido contrario vinha um casal conhecido e quando dei por mim, tinha baixo a cara ao passar por eles e só os cumprimentei já estávamos costas com costas. Fiz sem pensar e só me apercebi depois, mas fiquei profundamente irritada. O meu medo de lhes provocar algo, fez-me tomar uma atitude horrível e condicionou-me a forma de lhes falar. Foi muito mau e extremamente deselegante, provavelmente eles nem deram por isso, mas a mim incomodou-me. Odio este vírus especialmente porque não o vejo e não posso lutar contra ele!

O Miguel e a Internacional

  As coisas são como são...hoje pela primeira vez fiquei com o meu neto durante algumas horas...o puto é um doce mas, quando começa a ter sono da-lhe a neura e aumenta os decibéis, tal como a mãe deve achar um desperdiço de tempo essa coisa de dormir, ora para o calar lá fui cantado as musicas infantis da praxe e nada...aquilo já durava ai à uns 5 minutos e eu fiquei sem repertório...cantei então a Internacional...eis que o puto se calou...canto outra musica e choro, volta à Internacional e cala-se...faço a experiência varias vezes e o resultado não se altera! Adormece! Final de dia, com a sua boa disposiçao habitual, estou contado a historia à mãe, canto de novo e ele desata a rir e de punho fechado só pára quando termino...fazemos de novo a experiência e o resultado não se altera! Estamos lixados...passou 3 meses de braço estendido e punho fechado e agora ri e adormece ao som da Internacional...mais um de esquerda ou anarquista na família! Mas quando é que nos calha o milionári...