O problema nunca foi o rótulo-2013 1º revisao
Volta e meia reaparece a ideia de que a solução para os problemas da política passa pelos deputados independentes. Como se bastasse retirar o símbolo do partido da lapela para desaparecerem os vícios, os interesses e as más práticas.
Infelizmente, não é assim.
Os partidos são feitos de pessoas. E os deputados independentes também. Há gente séria e competente em partidos políticos e há gente incompetente ou desonesta. Da mesma forma, um independente pode ser um excelente representante dos cidadãos ou pode revelar exatamente os mesmos defeitos que tantas vezes criticamos nos aparelhos partidários.
O problema nunca esteve apenas na sigla.
O problema está na falta de exigência e na ausência de consequências para quem falha.
O que faz falta é uma justiça rápida e pesada para quem utiliza um cargo público em benefício próprio. Faz falta acabar com as portas giratórias entre a política e os grandes interesses económicos. Faz falta impedir que quem exerce funções de deputado mantenha atividades privadas suscetíveis de criar conflitos de interesses. E faz falta impor um período de nojo obrigatório antes de um governante ou titular de um cargo público poder assumir funções em empresas que beneficiaram, direta ou indiretamente, das suas decisões.
Estas medidas fortaleceriam muito mais a democracia do que trocar simplesmente deputados partidários por deputados independentes.
Mas há um problema maior.
Nada disto acontece porque quem faz as leis são, precisamente, aqueles a quem essas leis se aplicariam. E enquanto os cidadãos continuarem a aceitar este estado de coisas com resignação, dificilmente haverá vontade política para mudar.
A democracia não melhora apenas porque aparecem independentes. Melhora quando existem regras iguais para todos, fiscalização eficaz, transparência e responsabilização.
No fim de contas, não são os partidos que falham.
São as pessoas.
E, sobretudo, falha um sistema que continua a premiar quem nunca deveria ter chegado tão longe.
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