A estranha mania inglesa de tratar todos por igual-2013 1º revisao
Há países verdadeiramente estranhos.
Vejamos o caso de Inglaterra.
Em 2003, o deputado britânico Chris Huhne foi apanhado por um radar em excesso de velocidade. Para evitar perder pontos na carta de condução, a então mulher, Vicky Pryce, assumiu a responsabilidade pela infração.
O tempo passou. Chris Huhne tornou-se Ministro da Energia. Entretanto, o casamento acabou, e os divórcios, como se sabe, nem sempre terminam em paz. Movida por um desejo de vingança, Vicky decidiu contar toda a história à imprensa.
Até aqui, dirão muitos, é apenas mais um escândalo político.
Mas não.
Estamos a falar de Inglaterra.
Perante a revelação, Chris Huhne demitiu-se primeiro do cargo de ministro e, depois, renunciou ao mandato de deputado. Sem discursos inflamados, sem perseguições imaginárias, sem acusações de cabalas ou conspirações.
E a história acabou?
Qual quê!
Em Inglaterra, mentir à Justiça é crime. A investigação avançou, o julgamento realizou-se em tribunal aberto, perante o público e a comunicação social, e tanto Chris Huhne como Vicky Pryce foram condenados pela fraude. Cada um cumpriu pena de prisão pelo seu papel no caso.
Segredo de Justiça? Não.
Julgamento à porta fechada? Também não.
Privilégios por se tratar de um ministro? Nem pensar.
O infrator era um político. E um político, pelos vistos, continua a ser um cidadão sujeito à lei.
Mas a melhor parte ainda estava para vir.
Quando a condenação foi conhecida, o então primeiro-ministro, David Cameron, podia ter seguido o guião que tantas vezes vemos noutros lados. Podia denunciar uma perseguição política, acusar os jornais de fazerem campanhas contra o Governo ou insinuar que a Justiça estava instrumentalizada.
Não fez nada disso.
Limitou-se a afirmar:
"É bom que todos saibam que ninguém, por mais alto e poderoso que seja, está acima da lei."
Que excentricidade.
Imaginem um governante dizer isto sem um comunicado cheio de indignação, sem ataques aos juízes, sem acusações aos jornalistas e sem transformar um processo judicial numa batalha política.
Estes ingleses têm mesmo costumes muito estranhos.
Acham que a lei deve aplicar-se da mesma forma ao cidadão comum e ao ministro.
Que ideia tão antiquada.
Ainda por cima vivem numa monarquia.
São mesmo um bando de atrasados.
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