Ney: A Arte de Nunca Envelhecer - 2021 1º revisao

 


Hoje, Ney Matogrosso celebra 84 anos.

É obra, Ney!

É talento, é resistência e, acima de tudo, é coragem. Porque Ney foi pioneiro em tantas coisas, rompeu barreiras quando poucos ousavam fazê-lo e manteve-se sempre fiel a si próprio. E isso é ser um Homem com H — não apenas pelo título de uma das suas canções, mas pela firmeza de caráter de quem nunca deixou que os outros lhe escrevessem o guião da vida.

O primeiro espetáculo que vi foi no início da década de 80. Era o Ney das plumas, dos brilhos, da exuberância que desafiava convenções e fazia da provocação uma forma de arte. Voltei a vê-lo muitas vezes nessa pele, sempre intensa, sempre magnética.

Até que um dia apareceu de fato branco, sereno, quase contido. E, no entanto, era exatamente o mesmo Ney. Apenas outra personagem, outra linguagem, outra forma de dizer ao público que um verdadeiro artista não se deixa aprisionar por uma imagem. Regressou depois à irreverência, mas só depois de provar que podia ser tudo aquilo que quisesse ser.

A última vez que o vi foi em Beja, num concerto memorável. Havia uma estranha harmonia entre a tranquilidade da praça e a intensidade do palco. Ney ocupava o espaço com a mesma energia de sempre, demonstrando que a idade é apenas um número inscrito no cartão de cidadão. A arte, essa, não conhece calendários.

Agora espero que volte a Portugal. Quero voltar a vê-lo, porque, apesar dos muitos concertos a que já assisti, nunca vi dois espetáculos iguais. Ney reinventa-se em cada palco, em cada canção, em cada silêncio, em cada gesto. É um daqueles raros artistas que fazem do concerto um momento irrepetível.

Obrigado, Ney, por tudo o que me deste ao longo destas décadas: pela música que acompanhou tantos momentos da minha vida, pela dimensão teatral que transformou cada espetáculo numa experiência estética e, muito particularmente, pelos ensinamentos que me transmitiste — mesmo sem o saberes — sobre produção de espetáculos, área em que tantas vezes encontrei inspiração para a minha vida profissional.

Há artistas que fazem sucesso.

Há artistas que fazem história.

E depois há Ney Matogrosso: um género artístico em si mesmo, impossível de imitar, impossível de repetir e, felizmente para todos nós, ainda capaz de subir a um palco e mostrar que a liberdade também se canta.

https://www.youtube.com/watch?v=dy2TsEk-ZfA&list=OLAK5uy_kEOScTW6MvO3wPib8H0dJwvv86nZkYaeI

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