Férias Santificadas- 2023 1º revisao
Vá, sejam honestos.
Têm 18, 20 ou 25 anos. Os vossos pais torcem o nariz sempre que falam em passar férias com os amigos. Mas, de repente, a paróquia organiza uma viagem de duas semanas para um país com bom clima. Os pais ficam descansados, convencidos de que o objetivo principal é rezar. Pagam os 235 euros da inscrição e desejam-vos boa viagem.
Chegam ao destino e há alojamento, transportes, refeições e até oportunidade para conhecer algumas localidades antes da grande chegada à capital. No fim, ainda assistem ao maior evento da viagem, onde o cabeça de cartaz é um senhor vestido de branco que arrasta multidões.
Digam lá a verdade: vocês iam ou não iam?
Claro que iam. Qualquer jovem aproveitaria uma oportunidade destas. E faz muito bem. A juventude deve viajar, conhecer pessoas, descobrir culturas e criar memórias. Ninguém os pode censurar por isso.
A discussão nunca foi sobre os jovens. É sobre quem paga a conta e sobre as prioridades de quem decide.
Durante meses ouvimos que era uma oportunidade única, um investimento no futuro, uma montra para o país. Quando o entusiasmo chegou ao auge, até houve quem aparecesse na televisão a proclamar, triunfante: "Conseguimos, conseguimos!" E poucos quiseram perguntar quanto custava esse entusiasmo ou quem acabaria por financiá-lo.
Agora que as despesas são conhecidas, indignar-se parece um pouco tardio. Se aplaudimos de pé quando o espetáculo foi anunciado, não faz muito sentido assobiar quando chega a fatura.
Por isso, menos críticas aos jovens. Eles fizeram aquilo que qualquer jovem faria: aceitaram um convite apelativo. A responsabilidade pelas opções políticas, pelos gastos públicos e pelas prioridades orçamentais pertence aos adultos que as decidiram e aos cidadãos que as aceitaram, por convicção ou por silêncio.
Agora, paguem a conta. E, por favor, não bufem demasiado. Afinal, ainda pode aparecer o senhor vestido de branco… e estragar-vos a ironia.
https://www.youtube.com/watch?v=hsG2VA_AuMg
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