Com tudo o que já mudaram, agora o caminho é a escravatura. De sol a sol, sem ferias e sem folgas. Os patroes portugueses sao uns ignorantes. Razão tinha Eça.
Quando era miúda, logo que sai do convento, vinha profundamente violenta, ainda hoje guardo alguma dessa violência que se traduz na forma de conversar, no tom, nas expressões faciais, o que é uma chatice, mas a violência de que falo é a física. Quando algo não me agradava ou não me corria a jeito, eu batia. E batia bem, nunca levei mais do que dei. Aos 12 anos, por uma questão de saúde passei a fazer meditação e essa violência foi sendo compreendida, transformada, cresci e percebi que ela não me levava a lado nenhum (também acho o mesmo da verbal e corporal mas essas são mais difíceis de resolver), ninguém ganha com isso, não se aprende, não se corrigem os erros, próprios ou os dos outros. percebi de tal forma que bati uma vez na minha filha quando era miúda, ela estava a pedi-las, mas correu-me tão mal, parecia uma coisa de bonecos animados que nunca mais tentei. Passei a encarrar a violência física como algo profundamente absurdo, fora do padrão de gente que usa o pensamento e...
Num tempo do seculo passado, no tempo da adolescência, dividia as minhas tardes entre o Café Portugal e a cave da loja do Sertório, eu e todos os meus amigos da época. Ali pela mão de Quim Sertório escutávamos durante horas musicas que não conhecíamos, descobríamos novos cantores, novas sonoridades, novas tendências. Ele ia mostrando as novidades e depois chegava outro e mais outro que queriam escutar este ou aquele cantor. Passávamos horas ali enfiados, por baixo da loja, de quando em vez entrava um cliente mais velho que fazia baixar a musica ou que queria uma sonoridade que não nos agradava e lá voltávamos ao café Portugal, sempre com um ou dois vinis debaixo do braço. Estes eram os discos que iriam depois animar as nossas festas. Quando comecei na radio foram horas e horas no mesmo espaço, mas ai já com objectivos diferentes, mostrar coisas novas, diferentes, ou coisas antigas que continuavam actuais. Com a chegada da internet mantive esse habito, já não vou à cave do Sertó...
Fui ver Alceu Valença ontem ao CCB, o homem tem 78 anos, mas ninguem dirá. Continua com a mesma voz, a mesma loucura, o mesmo encanto de sempre. Cantou musicas recentes e os grandes sucessos da sua grande carreira. Esteve em palco perto de 2horas, é obra para quem já anda nesta vida há muitas décadas. A acompanha-lo a orquestra de Ouro Preto, e é dela que vos quero falar. Uma orquestra formada por músicos muito novos, mas de uma qualidade superior. A orquestra acompanhou Alceu, mas fez arranjos de musicas do cantor e interpretou-as dando-lhes uma beleza própria, única, que pôs em pé o CCB inteiro. Mas eles não são só grandes músicos, não é só uma grande orquestra é sobretudo uma orquestra de gente que vibra, que toca a cantar baixinho, que dança na cadeira ao interpretar as musicas, uma das violinistas, Jovana Trifunovic , quase se levantava para dançar, ih,ih,ih, é gente feliz que está ali em palco. Tao diferente das nossas orquestras, que estão em palco a interpretar as musica...
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