Coimbra 2027: A Cidade que Ainda Espera-2019 -1º revisao
As requalificações dos inúmeros equipamentos culturais de Coimbra já começaram.
A candidatura mobiliza toda a Região Centro.
Os debates com especialistas nacionais e internacionais enchem auditórios.
Os grupos de trabalho foram apresentados e reúnem regularmente.
As associações culturais, os artistas e os criadores locais participam ativamente na construção da candidatura.
Grandes nomes da cultura residem temporariamente em Coimbra, desenvolvendo projetos, cruzando experiências e criando pontes com quem cá vive e trabalha.
Uma programação artística contínua percorre lojas, ruas, largos, monumentos e espaços improváveis da cidade. Começou em janeiro, prolonga-se até ao final do ano e continuará no próximo, porque uma Capital Europeia da Cultura não se improvisa: constrói-se.
Ministros, secretários de Estado e outras figuras governativas sucedem-se em Coimbra e na Guarda, acompanhando um projeto entendido como estratégico para o país.
Bonito, não é?
O problema é que este não é um relato daquilo que está a acontecer. É apenas a descrição daquilo que muitos imaginavam que estaria a acontecer a esta distância da candidatura de Coimbra a Capital Europeia da Cultura.
Porque é assim que as grandes candidaturas europeias se fazem: mobilizando o território, envolvendo as comunidades, criando programação muito antes da decisão final, deixando obra física e, sobretudo, obra humana.
Uma candidatura vencedora nunca se resume ao dossiê entregue em Bruxelas. Vive-se nas ruas, sente-se nas salas de espetáculo, discute-se nas universidades, experimenta-se nos bairros e constrói-se em rede.
E por cá?
Onde estão os debates públicos que mobilizem a cidade?
Onde estão os projetos que façam da cultura um assunto de todos?
Onde está a programação que nos faça acreditar que Coimbra já vive como se fosse Capital Europeia da Cultura?
Onde estão os sinais visíveis de que esta candidatura está a transformar o território antes mesmo de ser escolhida?
Ainda vamos a tempo. Mas o tempo já não é infinito.
Uma Capital Europeia da Cultura não se conquista apenas com património, história ou boas intenções. Conquista-se com trabalho continuado, participação, investimento, visão e, acima de tudo, com uma cidade que acredita no projeto porque o sente acontecer todos os dias.
A candidatura ainda pode ser uma oportunidade extraordinária para Coimbra e para toda a Região Centro.
Mas as oportunidades, tal como a cultura, não vivem de anúncios.
Vivem de acontecimentos.
E, por enquanto, a pergunta continua a ser a mesma:
E por cá, como estamos?
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