carmensita -2022

 "Pai porque é que ela tem que deixar de ser cigana?" " Pai porque é que ela fugiu dos pais?" Pai porque é que é mau ela ser bonita?" "Pai onde é que ela deixou o coração?" Fazia estas perguntas sempre que o meu pai cantava Carmensita, o fado que a minha amiga Carmem me relembrou e que o meu pai me que cantava, cantava-a sempre que eu queria ir para a rua e a minha mãe dizia "parece uma cigana, esta sempre na rua", ai lá vinha a canção, eu parava ficava a escutar de olhos esbugalhados e no final lá vinham as perguntas. Ele já as sabia, respondia coisas diferentes e eu contestava "não foi isso que disseste no outro dia!" refilava. Com sorriso trocista, coisa que tanto gostava de fazer respondia "hoje é outro dia" e eu lá ficava a ouvir atenta às novas explicações à musica. Tinha sempre muitas perguntas, ele nunca se negava às respostas. Aquilo só terminava quando a paciência da minha mãe se esgotava e refilava "miúda perguntadora, quer saber tudo" . Ela nunca percebeu que era a forma dele me segurar em casa, de evitar uma birra minha por não ir para a rua e uma briga dela por não me querer deixar sair. Carmensita como tantas canções que me eram cantadas pela voz melodiosa e afinada do meu pai, veio hoje visitar-me através de uma amiga, que pena tenho de não ter herdado essa sua arte e poder canta-la aos meus netos.

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