Orgulho no meu ADN- 2021

 Aos 50 anos o meu pai ficou desempregado, a fabrica fechou. Com aquela idade já ninguem o empregava pelo que muito a contra gosto, criou uma empresa e virou patrão. Uns dias antes de abrir, o meu Tio Joaquim, irmão mais velho 4 anos, aquele para quem sempre corremos em hora de aperto e guardião dos valores dos Nobres, foi lá conversar com ele e desta conversa retive algo que me ficará para sempre " tu vê lá que patrão me vais sair, não te dei centenas de açordas e te troquei centenas de panos, para virares um tirano de quem trabalha" Há umas semanas entrei numa loja com a minha Mãe onde encontramos uma senhora que tinha sido empregada deles, depois da conversa do como está e lamentos, virou-se para a dona da loja e explicou "esta senhora e o marido são aqueles patrões de que te falo, que nem pareciam patrões e sim da família, aqueles que nos ajudavam em tudo e nos pagavam sempre bem" e voltando-se para a minha mãe disse "D. Antónia, nunca mais tive patrões assim, tenho tantas saudades vossas" Sai dali orgulhosa nos meus pais e veio-me à cabeça a conversa do meu Tio Joaquim. Hoje, em conversa com uma inquilina da minha mãe que é empregada desse meu tio ela dizia " o seu tio é o melhor patrão que tive, trata-me como se fosse da família, nunca encontrei nenhum assim" Quando a conversa terminou, eu estava feliz. Tanto um como outro são gente de bem, não importa se são empregados ou patrões. Sao o meu orgulho estes dois seres que me deram o privilegio de ter o seu ADN.

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