festival capote - 2022 1º revisao
Este ano não fui ao Festival Capote. Que me perdoem os amigos que lá atuaram e os colegas das associações envolvidas.
Mas não consegui. Sem o Alberto, não dava.
Era ele quem nos entusiasmava com as novas propostas musicais. O Alberto via o programa inteiro e dizia-nos quais eram os concertos imperdíveis, aqueles músicos ainda “verdes”, mas já cheios de qualquer coisa rara, quase secreta. Era ele quem comprava os bilhetes, o primeiro a chegar ao recinto e o último a aceitar que a noite tinha acabado. E ainda ralhava connosco quando não tínhamos ouvido todos os temas com a atenção devida.
O meu amigo Alberto era um apaixonado pela música, mas pelo Capote tinha uma devoção especial. E, como acontece com as paixões verdadeiras, contaminava toda a gente à volta.
Depois do festival vinham as conversas intermináveis: discutir aquele músico, aquela nota ao lado, o som, as luzes, os arranjos, os excessos e os milagres. O Capote não acabava quando se apagavam os palcos. Durava dias dentro de nós.
Este ano não consegui ir.
Porque há ausências que fazem demasiado barulho.
O Alberto foi, disso tenho a certeza. Eu é que não tive coragem. E, no fundo, acabei por confirmar aquilo que ele me dizia tantas vezes:
— “És uma mariquinhas.”
Sou, Alberto. Pelo menos este ano fui.
E aposto que foi bom. Daqueles festivais de que tu ias sair com os olhos a brilhar e uma lista nova de bandas para nos obrigares a ouvir.
Talvez para o ano eu consiga voltar.
Vou tentar. Prometo.
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