Ontem perdi-me pelas ruas e travessas da cidade -2021
Ontem perdi-me pelas ruas e travessas de uma das zonas da cidade, quis olha-la sem presa, sem rumo. Quis actualizar o meu "estudo". Escolhi uma zona que frequento menos, perdi-me entre as travessas do Farrobo, com se fosse turista, com o olhar que tenho quando visito uma terra onde não vivo, dando atenção ao todo e às partes
e que vi eu?
Vi prédios com marcas do passado, cheios de pormenores e pinturas nos beirais e nas varandas. Vi pátios, felizmente alguns abertos, lindos, cheios de flores. Vi senhoras a varrer e a lavar os os portados. Vi chaves nas fechadoras em sinal de confiança. Vi vizinhos a levar compras a outros mais idosos. Vi gente sentada à porta. Entrei em edifícios públicos abertos, recuperados de forma elegante, belos. Disse boa tarde a quem comigo se cruzou e fui retribuída com sorrisos. Passei na calçada ancestral, irregular que nos marca, e senti os meus passos a trilhar os mesmos caminhos que os meus antepassados. Vi sacadas abertas com cortinas a esvoaçar ao vento e escutei a musica vinda das janelas abertas a invadir o espaço público, misturando-se com o silencio da rua que fica logo de seguida. Vi também prédios a precisar de obras e pinturas, lado a lado com outros que se regeneraram nestes anos de Boom turístico, que pena a pandemia ter chegado agora, mais meia dúzia de anos e tantos mais iria ver a regenuvecer. Olhei e vi a cidade do passado, no presente. Sem o "novo burguês" de tantas outras cidades que conheço, onde o orgulho de um passado imponente se sobressai.
Ao fim de hora e meia, o meu "estudo" dava nota positiva à minha cidade que viu nascer mais um elemento da 7ª geração da minha família, sim porque ontem em Évora, a cidade que amo, viu nascer a minha neta Leonor. E se há estudos onde ela não presta, no estudo da avó, Évora passa com louvor. Talvez seja porque a olho com paixão e amor!
Comentários
Postar um comentário