o amor de Josué e laurinda - 2026 ( corrigido e em pasta)
Ontem uma mae dizia-me que em conversa com a filha, que tem por volta de 25 anos, esta lhe tinha dito "o amor não existe, nada dura, seguimos em frente, cada um leva a sua vida sem olhar para tras". Já o tinha escutado no café com miudas um pouco mais novas, adolescentes, dei-lhe por isso o beneficio da dúvida, mas esta já não é adolescente, é uma mulher com curso superior, a tentar entrar no mercado de trabalho. Esta forma de estar na vida, faz-me pensar muito sobre os valores que estamos a passar, faz-me pensar no tipo de felicidade que estas jovens terao nas suas vidas e especialmente no tipo de velhice que terao, sim porque chegarao lá, olharao para tras e não sei bem o que vão ver, a não ser talvez o gato que se encosta a eles no sofã em frente ao ecran. Mas como não posso fazer nada a respeito, resolvi, porque me veio à cabeça, contar-vos a historia do Josué, uma das historias de amor mais bonitas que me contaram. Josué era amigo do meu pai, faleceu no final do ano. Eram amigos desde miudos, andavam a pé descalço a guardar perús e a saltar ribeiros, não sonhavam nada, como me disse o meu pai um dia, mas à medida que foram crescendo, o Josué encantou-se pela Laurinda, um amor de crianças, doce, terno, Josué passou a sonhar casar com ela, era o unico sonho que tinha. Laurinda era uma miuda de caracois louros, muito branquinha com os olhos verdes, parecia um querubim, dizia a minha mae, bem diferente das meninas da zona e especialmente do Josué, um rapaz moreno, de olhos e cabelo escuro. Mas não era só isso que os diferenciava, Josué era muito pobre, pé descalço, pouca roupa e já gasta. Laurinda era filha de um feitor da zona, tinha mais posses, vestia melhor, tinha sapatos, não tinha que trabalhar e ao contrario do moço, a barriga não reconhecia a fome. Com o passar dos anos, os amigos quer de um quer de outro, foram-lhes dizendo que o pai dela jamais os deixaria casar. Assim foi, o pai da Laurinda arranjou-lhe casamento com um capitao do exercito, filho de um conhecido. Josué ficou inconsolavel, Laurinda tambem. Ele propos-lhe que fugissem, era habito naquela epoca, ela teve medo e não aceitou, cumpriu o desejo do pai e casou com um homem que lhe daria uma vida melhor, mas que não amava. E com o casamento rumou a Angola onde o marido fazia comissão. Josué nunca mais foi o mesmo, dedicou-se ao trabalho, era a unica coisa que fazia, gastava pouco, juntava tudo o que conseguia, dizia a quem o quisesse escutar que um dia teria mais dinheiro que o homem que lhe roubou Laurinda. Comprou quintas, vendeu, ganhou dinheiro. O tempo passou, depois da independencia de Angola, Laurinda e o marido rumaram ao Brasil e durante anos ninguem soube dela. Ai há 20 anos, soubesse que a Laurinda vivia no Rio Grande do Sul, que o marido havia falecido. Josué vendeu tudo o que tinha e foi em busca da sua Laurinda. Muitos o tentaram demover, diziam-lhe que ela poderia já não ser a mesma, que poderia já não se lembrar dele, mas nada demoveu aquele alentejano que o mais longe que tinha ido era a Lisboa, de se meter num avião, atravessar o Atlantico e ir para um pais do outro lado do mundo em busca do amor da sua vida. Encontrou Laurinda, já com rugas, já sem os carracois de querubim, com uma historia vivida, filhos e netos, mas o amor que tinha a Josué intacto, tão intacto que todos na familia sabiam desse amor. Foi em Porto Alegre que Josué e Laurinda casaram, já em idade avançada Aos amigos Josué mandou cartas a contar que tinha conseguido casar com o amor da sua vida, cartas cheias de erros, escritas com uma letra mal feita, mas cheias de palavras de felicidade, ia morrer ao lado da mulher da sua vida, tinha conseguido concretizar o seu sonho de menino.
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