a minha primeira apanha da zaeitona-2022
No fim da década de 70 inicio da de 80, a miúda urbana que sempre fui decidiu que tinha que experimentar os trabalhos do campo. Sem os conhecer não tinha como comprovar a sua dureza, a sua importância. Não seria possível defender as classes trabalhadoras sem passar por essas experiencias. Coisas de adolescentes, armados em lutadores. Triste engano. Lá fui então vários verões experimentar a apanha do tomate, da pera, da uva, do tremoço, da monda. Trabalhos pesados, duros que levava com ligeireza, devido à idade, ao encantamento pelo campo como fundamental ao desenvolvimento do mundo, coisas de miúda que sonha com utopias. Mas quando chegava ao inverno, voltava para o empedrado, para a vida mansa que me calhou. Talvez devido aos estudos ou só porque sou uma friorenta de marca maior, nunca no inverno tive este sonho utópico. Dai nunca ter experimentado os trabalhos do campo que se fazem no outono ou inverno. Bem sei que já não há invernos duros, mas não foi isso que este ano me levou a ir pela primeira vez à azeitona, já me deixei de pensar que saber tudo é importante, ou sequer que eu tenho alguma importância neste mundo louco. Quem me levou a isso este fim de semana foi a minha filha. Ela e a sua ideia peregrina de se armar em mulher do campo. Ela e a sua volta ao trabalho da terra, paixao que provavelmente herdou do avô, não de mim com toda a certeza. Mas mãe e é mãe, e se havia azeitona em barda para tirar, lá fui cheia de coragem e com uma falta de conhecimento impressionante. Felizmente havia gente que sabe da poda e ensinou-nos.
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