falta de ambição- 2025

 Quem me conhece sabe que escuto em casa as reuniões de câmara e da assembleia municipal. Serei doida dirão alguns, não tenho mais que fazer dirão outros, em defesa deste meu "hobby" faço-o porque acho que devo estar a par das decisões que são tomadas para a minha cidade e que mexem com a minha vida e assim, na hora que me cabe decidir fazê-lo sabendo exactamente porque o faço e não por clubismo. Assim, como sempre, hoje escutei a reunião de câmara, porem hoje tinha interesses associativos para o fazer, o Armazém 8 quer candidatar-se à rede de teatros e era importante saber se a câmara será ou não nossa parceira, quem eram os vereadores que apoiavam ou não. Sobre isto nada ouvi, o que é chato pois o prazo é curto, mas espero pela próxima reunião. Mas não é disso que vos quero falar, ate porque este assunto interessa aos nossos 600 associados, para o resto da cidade provavelmente não. Quero por isso falar-vos do Pavilhão multiúsos de que falaram na reunião. Sei que há quem não vá gostar do que vou aqui escrever, mas é meu dever enquanto profissional da cultura fazê-lo. Fiquei a saber que o que está programado é um pavilhão de 3 mil lugares, com uma envolvência que pode a descoberto ser usada para os fins culturais e desportivos. Olhando só os 50 e poucos mil habitantes que temos, este pavilhão parece-me curto. Sabemos que a taxa de espectadores é só de 1% dos habitantes, e aqui só falo da área cultural, estamos a trabalhar há anos para aumentar esta taxa e a candidatura a Capital Europeia da Cultura foi baseada no aumento dessa percentagem, esperamos receber espectáculos de grande importância e pensamos um pavilhão com 3 mil lugares em pé? Parece-me pouco, em lugares e em ambição. Dirão, ok, mas se for maior vira um elefante branco depois da capital europeia. Até concordaria, se achasse que a cultura são só festas e eventos, mas como sou duma linha que defende que a cultura ajuda ao crescimento de um povo, mas também é uma actividade económica, não acho que fosse um elefante branco, antes pelo contraio, acho que um pavilhão com essa capacidade é que se pode tornar num elefante cinzento pois não conseguira tornar-se rentável, o que talvez fosse de tivesse por exemplo 5 mil lugares. Dou-vos números um espectáculo internacional dos que vai ao Coliseu não custa menos de 60 mil euros. O coliseu de Lisboa tem 4.300 lugares, é rentável para os promotores, por isso o alugam e colocam Portugal na Rota dos Grandes espectáculos. Se tivermos aqui um pavilhão que consiga por exemplo ter 3 mil lugares sentados e 2 mil de pé, estando Évora no eixo Lisboa Madrid e a 2h do Algarve, torna-se apetecível para quem trabalha com artistas internacionais, de outra forma não é rentável e se não é rentável Évora fica de fora, é de grandes empresas que estamos a falar ou tem lucro ou não fazem, aceitemos isso. Por outro lado, se conseguirmos alugar um espaço destes a essas empresas, há dinheiro que entra no município e que pode ser investido na cultura que forma e ajuda os nossos habitantes, ficaríamos a ganhar. Dirão, esta é uma leitura liberal da cultura. Não, é uma leitura realista, uma leitura que retira o que for vantajoso para todos. As empresas de cultura pagam porque lhes dá lucro, lucro, lucro que é depois aplicado em cultura que forma gente mas que nunca dará lucro, é usar em favor de todos as ferramentas do mundo em que vivemos e não vem mal ao mundo por isso. Temos é que sonhar com algo maior, e este pavilhão não me parece ambicioso. Mas isto sou eu a pensar que sou uma sonhadora, se estiver enganada um dia conto-vos!

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