A cultura resiste-2022
Partilho estas palavras de uma congénere, porque de cada vez que alguém deixa o território ficamos mais pobres. Porque a Cultura esta consagrada na constituição como um direito e não se tem aplicado. Porque quem parte deixa um lugar vazia e as populações, mesmos que o não saibam, ficam menos ricas. Partilho, porque conheço bem demais esta dura realidade de falta de apoio que aqui no caso é da camara municipal de Elvas, no meu percurso de 30 anos foi do estado central também (mérito deles, desmérito meu provavelmente).
Mas tenho que deixar duas ou três considerações, 1º discordo que a maior parte das estruturas tenham nascido em Lisboa. Nao é verdade, a maioria nasceu nos seus territórios, esta novidade começou à meia dúzia de anos e desde que a DGARTES passou a gerir todos os apoios a nível nacional, quando eram apoios dados pelas direções regionais, os coletivos de Lisboa não vinham para o interior. Com Lisboa e Porto saturados de estruturas, com o dinheiro, mesmo que vergonhosamente pouco, a ter de vir também para as outras regiões, muitas estruturas encontraram aqui o caminho para ter apoios do estado central, que passou a privilegiar essas novas estruturas e a não apoiar as que sempre estiveram no interior. Há até as que saltitam de território em território, conforme as verbas melhoram ou pioram. . Esta pode ser uma verdade dura e feia, eu poderia não a dizer, mas é a verdade crua e nua. Depois ha a ter em conta que ter uma estrutura, mantê-la, sem apoios do estado central ou municipal requer uma resiliência, uma teimosia, ou mesmo uma idiotice só possível se o projecto cultural que criamos, amamos e achamos que é excelente, tem como ponto ainda mais forte acharmos que a TERRA de que fazemos parte, a que amamos, é a nossa essência, a nossa Casa, aí resistimos atá á "morte" , encontramos forças e formas de conseguir manter a cabeça á tona de água, sem pensar em mais nada. Por fim, e para mal de todas as estruturas a nível nacional ou local ( não importa a localidade exceto honrosas exceções) a não existência de uma estratégia cultural consistente, séria e honesta, inquina qualquer possibilidade de criação de públicos ou manter de estruturas a funcionar. E não, meus senhores, os Festivais, ou as programações camararia onde se estouram milhões em dias não é estratégia nem cultura. São folclore (do piorzinho) e eventos! E levam a este caminho, o abandono de muitos dos territórios! É assim em Elvas, em Évora ou em Freixo de Espada à Cinta! E é a não aplicação do direito à cultura que esta na constituição e de que se tem feito tábua rasa!
A Um Coletivo, votos de bom trabalho, em Elvas ou onde quer que consigam. um abraço de resistência.
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