Quando era miúda,todos os dias por volta das 18h o meu pai ia buscar-me ao colégio. Levava sempre um resto de pão do almoço e parávamos no jardim para dar comer aos patos. Era nesse tempo que falávamos sobre o meu dia no colégio. Um dia, teria ai uns 6 anos disse-lhe que estava brigada com uma menina, ela tinha-me dito umas coisas que não gostei e eu fiquei zangada. Perguntou-me o que lhe tinha respondido e eu disse nada. Porquê? Porque não tinha conseguido! Ele quis saber o que lhe queria ter respondido e eu lá disse. Ele, pegou na minha mão e voltou a dirigir-se ao colégio, mandou chamar a menina e quando ela chegou disse-me para lhe dizer tudo o que lhe tinha dito. O meu pai, é um pai muito carinhoso e que me faz todas as vontades, mas quando diz uma coisa é para se fazer, pelo que não tive hipótese, lá disse tudo de novo. No fim, voltou-se para a menina e perguntou-lhe se tinha algo para me responder, ela respondeu que não. Voltou a pegar em mim e lá fomos a caminho de casa. Comecei a chorar, agora é que ela não ia gostar de mim. Não faz mal, disse-me, ela já não gostava, mas a partir dali ia ter mais cuidado com que me dizia pois eu podia responder. O mal seria eu dizer por trás, ai não poderia defender-se. Virar as costas e dizer por trás era sinal de fraco. Dizer na frente era sinal de força. Não se tem muitos amigos dizendo as coisas na cara, mas tem-se amigos verdadeiros que são os que importam. Aprendi isso nesse dia e pratico até hoje. Por isso detesto gente que "diz que disse", que fala pelas costas, que escreve no anonimato. Não tenho respeito por quem não dá a cara. Ao contrário,respeito aqueles que mesmo sendo contra mim, mo dizem de frente. Esses têm valor, apesar de não serem meus amigos. Os outros, tenho por eles um profundo desprezo! O mal é que este segundo grupo cada vez cresce mais!
a cave do sertorio- 2021
Num tempo do seculo passado, no tempo da adolescência, dividia as minhas tardes entre o Café Portugal e a cave da loja do Sertório, eu e todos os meus amigos da época. Ali pela mão de Quim Sertório escutávamos durante horas musicas que não conhecíamos, descobríamos novos cantores, novas sonoridades, novas tendências. Ele ia mostrando as novidades e depois chegava outro e mais outro que queriam escutar este ou aquele cantor. Passávamos horas ali enfiados, por baixo da loja, de quando em vez entrava um cliente mais velho que fazia baixar a musica ou que queria uma sonoridade que não nos agradava e lá voltávamos ao café Portugal, sempre com um ou dois vinis debaixo do braço. Estes eram os discos que iriam depois animar as nossas festas. Quando comecei na radio foram horas e horas no mesmo espaço, mas ai já com objectivos diferentes, mostrar coisas novas, diferentes, ou coisas antigas que continuavam actuais. Com a chegada da internet mantive esse habito, já não vou à cave do Sertó...
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