Quando era miúda,todos os dias por volta das 18h o meu pai ia buscar-me ao colégio. Levava sempre um resto de pão do almoço e parávamos no jardim para dar comer aos patos. Era nesse tempo que falávamos sobre o meu dia no colégio. Um dia, teria ai uns 6 anos disse-lhe que estava brigada com uma menina, ela tinha-me dito umas coisas que não gostei e eu fiquei zangada. Perguntou-me o que lhe tinha respondido e eu disse nada. Porquê? Porque não tinha conseguido! Ele quis saber o que lhe queria ter respondido e eu lá disse. Ele, pegou na minha mão e voltou a dirigir-se ao colégio, mandou chamar a menina e quando ela chegou disse-me para lhe dizer tudo o que lhe tinha dito. O meu pai, é um pai muito carinhoso e que me faz todas as vontades, mas quando diz uma coisa é para se fazer, pelo que não tive hipótese, lá disse tudo de novo. No fim, voltou-se para a menina e perguntou-lhe se tinha algo para me responder, ela respondeu que não. Voltou a pegar em mim e lá fomos a caminho de casa. Comecei a chorar, agora é que ela não ia gostar de mim. Não faz mal, disse-me, ela já não gostava, mas a partir dali ia ter mais cuidado com que me dizia pois eu podia responder. O mal seria eu dizer por trás, ai não poderia defender-se. Virar as costas e dizer por trás era sinal de fraco. Dizer na frente era sinal de força. Não se tem muitos amigos dizendo as coisas na cara, mas tem-se amigos verdadeiros que são os que importam. Aprendi isso nesse dia e pratico até hoje. Por isso detesto gente que "diz que disse", que fala pelas costas, que escreve no anonimato. Não tenho respeito por quem não dá a cara. Ao contrário,respeito aqueles que mesmo sendo contra mim, mo dizem de frente. Esses têm valor, apesar de não serem meus amigos. Os outros, tenho por eles um profundo desprezo! O mal é que este segundo grupo cada vez cresce mais!
a violencia-2022
Quando era miúda, logo que sai do convento, vinha profundamente violenta, ainda hoje guardo alguma dessa violência que se traduz na forma de conversar, no tom, nas expressões faciais, o que é uma chatice, mas a violência de que falo é a física. Quando algo não me agradava ou não me corria a jeito, eu batia. E batia bem, nunca levei mais do que dei. Aos 12 anos, por uma questão de saúde passei a fazer meditação e essa violência foi sendo compreendida, transformada, cresci e percebi que ela não me levava a lado nenhum (também acho o mesmo da verbal e corporal mas essas são mais difíceis de resolver), ninguém ganha com isso, não se aprende, não se corrigem os erros, próprios ou os dos outros. percebi de tal forma que bati uma vez na minha filha quando era miúda, ela estava a pedi-las, mas correu-me tão mal, parecia uma coisa de bonecos animados que nunca mais tentei. Passei a encarrar a violência física como algo profundamente absurdo, fora do padrão de gente que usa o pensamento e...
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