Até Logo, Olga-2021 1º revisao
Hoje a Cultura portuguesa ficou mais pobre. Partiu uma das maiores pianistas do nosso tempo, uma artista maior, pioneira em tantas áreas que seria preciso escrever muitas páginas para fazer justiça ao seu percurso e ao legado que deixa. Eu tive o privilégio de a conhecer para lá dos palcos. Guardo com carinho a memória daquele já distante espetáculo do Ciclo da Primavera, em Montemor, onde tive a honra de a apresentar. Entre a azáfama dos bastidores, acabámos as duas a partilhar a caixa da carrinha dos técnicos para nos vestirmos antes de entrar em cena. Lembro-me de ter tentado maquilhá-la. Tentado é mesmo a palavra certa, porque nessa arte sempre fui uma autêntica naba. Ela riu-se, pegou nos pincéis e acabou por ser ela a maquilhar-me. Eu nem estava muito convencida, mas saí dali linda. A Olga sabia exatamente o que fazia, dentro e fora do palco. Era assim: elegante sem esforço, generosa sem alarde, talentosa sem necessidade de o provar. Daquelas pessoas raras cuja grandeza nunc...