Quase na noite das bruxas, vem-me à memoria as noites de 31 de Outubro que vivi com a minha avó Zulmira. A minha avó era uma mulher que não dava ordens, mas sabia levar a agua ao seu moinho, tentou ensinar-me, mas errou feio, nunca consegui aprender. Sabendo que a minha mãe detestava as suas praticas "diferentes" em datas importantes para ela, usava a sua influencia no meu pai e fazia com que eu fosse passar esses dias com ela. O meu pai, não acreditava em nada, mas se a sogra, de quem gostava imenso, lhe pedia e ficava feliz, ele fazia. Era assim que nas noites de 31 para 1 eu ia dormir a casa da minha avó. No final da tarde, antes do sol de por, era tempo de nos metermos no alguidar ( sim que banheira era um luxo que não havia na casa da minha avó) a agua tépida, as folhas de rosa, o alecrim, as folhas de hera e umas gotas de um liquido feito de urtigas que ela tinha sempre em casa e que servia para imensas doenças. Lavadas, vestidas de branco, era hora de preparar as tig...