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a inundaçao-2017

  E lá tenho mais uma historia para contar... Já aqui o disse, talvez só as tenha porque tenho esta mania de lutar por soluções, mas também pode ser só por ser irrequieta como tantas vezes diz a minha mãe, não sei...mas lá que tenho tenho! Depois de uma semana de trabalho, dois espectáculos no fim-de-semana e quando o corpo pedia descanso eis que devido à pressão excessiva na agua me sai no domingo uma inundação que me dá pelos tornozelos! Liga-se para os bombeiros...não podem fazer nada as bombas deles precisam que a inundação seja maior, ai pelo meio das pernas, não, é só pelos tornozelos! Liga-se para os serviços municipalizados, estão fechados é domingo, é justo! Liga-se para a protecção Civil e não podem dar resposta! Encontramos a resposta...pegamos em baldes, vassouras, esfregonas e com a ajuda de 6 amigos lá damos conta da agua, 6 horas depois. Isto porque ainda estamos em idade activa e os nossos amigos também. Se fosse uma velhinha de 70 anos queria ver como se resolvia? ...

o dinheiro que chegou da america-2019

  Já que gostaram da historia de ontem, vou contar-vos outra, mas esta é minha.No inicio da década de 90, vivia numa quinta ali para os lados do Louredo. Tinha a casa onde vivia com a minha filha e varias outras divisões com entrada individual, coisa de construções no campo. Nessa altura vários amigos de amigos, estavam sem casa, ou porque se separavam ou porque brigavam com os pais, enfim ficavam sem ter onde viver e acabaram naqueles quartos ( de borla). Como os meus pais tinham um restaurante eu levava muita comida para casa e como como muito pouco, eles iam todos jantar comigo, aquilo era uma espécie de comunidade, só que sem o líder espiritual (ih,ih,ih). Numa altura apareceu na cidade um americano que andava a deambular pelo mundo, não tinha dinheiro, nem onde dormir e acabou, nem sei como num desses quartos. O Claud viveu lá 6 meses, era um marceneiro fantástico, arranjou quase todos os moveis lá de casa para se entreter. Ao fim de 6 messes, fez as malas e seguiu o seu ...

catarina - 2022

  Hoje de manha foi prestada homenagem a uma das mulheres que simboliza a resistência à ditadura. Catarina Eufêmia foi assassinada por 3 tiros nas costas pelo tenente Carrajola, agraciado pelo estado português em 1964. Catarina tinha 26 anos, 3 filhos e fome. O crime de Catarina foi ter fome. Foi lutar por melhor salario para dar de comer aos filhos. O crime de Catarina foi não se calar. Foi morta a tiros pelas costas. Dirão, mas era comunista. Talvez, mas nesse tempo ( como agora) quem não estava do lado do fascismo eram todos comunistas, era normal, os comunistas lutavam contra o fascismo, lutavam por melhores condições de vida para o povo português e lutavam para que as Catarinas não morressem só porque lutavam por mais 2 escudos de jorna. Mas cá para mim, Catarina era só uma mulher que lutava para que os filhos não tivessem fome, era apenas uma mulher que trabalhava e queria não ter que contar os tostões, era só uma mulher que via que na casa do patrão havia muito e na dela nã...

nem dinheiro tenho para a gasolina de Évora à Igrejinha!-2013

  Não há muito tempo, quando se falava do comboio de alta velocidade, tive uma discussão com um amigo, culto informado e atento sobre este projecto nacional. Dizia-lhe eu que não podíamos continuar a gastar dinheiro com obras faraónicas, importando matérias primas e tecnologias ao estrangeiro porque iríamos ficar na miséria. Perguntava-me ele se eu queria ficar isolada do resto da Europa, se não queria chegar mais rápido a Madrid. Pois queria, o problema é que estaríamos pobres e não teríamos dinheiro para comprar o bilhete. Pois é ... o comboio demorava a construir vários anos e estaríamos pobres, esta era a minha convicção! Só se passaram 3 anos desde essa nossa conversa! Não fizemos o comboio! Ficamos isolados da Europa! Mas não preciso de me preocupar com o dinheiro para o bilhete do comboio de alta velocidade, pois um dia destes nem dinheiro tenho para a gasolina de Évora à Igrejinha!

luto que nem leoa-2016

  Hoje estava eu a resolver mais um dos "pepinos" que insistem em fazer parte da minha vida e uma amiga disse-me o seguinte " Tu tens azar, tens sempre coisas difíceis para resolver, parece que as atraias, mas depois lá as resolves!" Fiquei a pensar naquilo... Não, eu não tenho azar! Nem atraio os problemas difíceis! O meu único problema, o que me diferencia dos outros e faz parecer que tenho azar é apenas o facto de eu não aceitar as injustiças ou as decisões com as quais discordo em absoluto! Quando isso acontece luto que nem Leoa, pelo que acredito! Isso é que faz com que pareça que tenho azar! Foi assim quando o estado me quis convencer que a minha filha era pertença do Estado! Ora ela não pertence a não ser a ela própria, tem vontades, pensa, é única! Desde que nasceu! Foi também assim quando as Finanças queriam cobrar-me impostos injustos e com os quais não concordei! Foi assim quando fui despedida por não acatar uma ordem de não passar musica comunista na Rad...

COVID-2020

  Hoje muitos desconfinaram. Eu não, parei a 6 de Março, nesse dia por indicação de uma das directora, que também é uma profissional de saúde, não arriscamos fazer o espectáculo de dia 7. Paramos de forma abrupta com todas as actividades e vim para casa. 36 anos depois de ter entrado no mundo do trabalho, um vírus fez-me meter travão a fundo. Posso assegurar-vos de que já passei por muitas crises economias, já tive que encontrar soluções estranhas para continuar a pagar as contas, mas de todas essas vezes se se fechava uma porta eu encontrava uma janela. Desta vez, na 1ª semana, por mais que olhasse vi-me emparedada, nem portas nem janelas. Foi uma sensação angustiante. A impotência e incapacidade para encontrar uma solução paralisou-me. Sempre detestei o medo por isso, ele paralisa. Depois lá me surgiu uma ideia, e outra e outra, e fui conseguindo tapar alguns buracos. Soluções provisórias, que deram a alguns a possibilidade de pagar algumas contas de colocar na mesa alguma refeiç...

fome no alentejo-2024

  "Seara Vermelha - A Ceifeira de Baleizão" ontem, dia 17 de maio, às 21h00, na RTP1. foi o documentário que estive a ver agora. O documentário sobre Catarina Eufemia e a sua morte. Mas é mais que isso, é um documentário sobre o Alentejo da Fome, sobre homens, mulheres e crianças que não viviam, sobreviviam e a duras penas. Fala do Alentejo e fala do meu pai, porque ele era o povo da fome. Ao longo do documentário, lembrei-me das historia de frio, fome e humilhações porque passou aquele menino feito homem sozinho nos campos do Alentejo, numa tentativa desumana de sobrevivência. O documentário trouxe-me a tristeza dos seus olhos quando falava nas duras condições de vida que lhe calharam ao nascer, onde a única coisa a que tinha direito era a olhar o horizonte, pisar descalço a terra que não lhe dava o suficiente para não sentir a barriga a roncar. Doeu-me o documentário, não só por Catarina, pelo povo Alentejano de que faço parte, mas doeu-me a lembrança de uma resposta que...