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Natal

  Mais uma vez o Natal se aproxima... esta festa católica é das que me dá mais "comichão". Esta coisa de ninguém assumir que é católico e ir a correr preparar o Natal em família, sempre me deu arrepios. O natal para mim está associado a 3 coisas que não gosto... Compras...é um corre, corre para comprar coisas para esta e aquela pessoa, uma mais cara que a anterior. numa mostra patética de que somos mais ricos do que na realidade somos. E muitas vezes oferecendo ao outro uma coisa que ele não precisa e nem gosta! Gasta-se um horror de tempo de loja em loja, escolhem-se prendas para pessoas que vimos uma vez por ano e que nem conhecemos muito bem, gasta-se um dinheirão e depois na noite de 24 para 25 em 3 segundos já só restam os papeis! É a festa do consumismo e do pequeno burguês! A Festa da Família ... durante todo o ano a maior parte das famílias não se dá, muitos mal se falam, outros discutem mesmo cada vez que se olham, tem ressentimentos, magoas e nada para dizer uns aos...

queria viver 300 anos

  Detesto ser efémera, queria ser como as tartarugas viver 300 anos. Tenho tanta gente para conhecer, tantas historias para viver, tantos lugares para visitar, tantos carinhos para partilhar. Mas como sei que estou só de passagem vivo a vida segundo o lema da felicidade .... Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Carmem Almeida

  Pego numa frase do poema de Manuel Gusmão, quando recebeu a medalha de mérito cultural " Tudo começa por um gesto" para lhes falar do Arquivo Fotográfico de Évora. Tudo começa por um gesto e os gestos estão ligados a pessoas. Diz-se muitas vezes que ninguém é insubstituível, pode ate ser, mas há gente que sonha e arregaça as mangas metendo mãos ao trabalho, muitas vezes contra tudo e contra todos. Gente que pega num sonha e mesmo em tempos de dificuldade faz das fraquezas forças e avança. Foi o caso do Arquivo Fotográfico, sonhado e planeado para deixar como legado a todos nós. Imagens da cidade, das gentes, de usos, costumes, da região e dos intervenientes sociais de varias épocas, bem como as historias por trás da imagem. Quando do seu nascimento, muitos foram os que acharam que não valeria a pena investir nesta área, a fotografia porquê? Mas houve quem se empenha-se a demonstrar que aquele era um projecto cultural importante. Que recolheu imagens, que falou com quem as ...

gregg Moore

  Hoje volta a Évora o homem responsável por eu ter entrado nesta coisa de percorrer o pais e o mundo com a cultura do Alentejo na bagagem. Gregg Moore , o americano que me convenceu e à Midus a vender o espectaculo dos Macacos das Ruas de Évora. Um grupo de estrangeiros que tinham um projecto diferente e arrojado que pegava nos temas tradicionais e os transformava em Jazz de Rua, num tempo em que não se tocava senao nos palcos. Um grupo de músicos excepcionais que se apaixonou por Portugal e pela nossa musica tradicional e a levou a todos os cantos destes país, num tempo em que tocar musica tradicional não era moda, num tempo em que tocar na rua era ainda menos comum e num tempo em que o Cante alentejano era coisa do campo e pouco amado. Fizemos tantas coisas juntos, tantas experiências, tantas oficinas por esse país fora, tantos espectáculos. E sem perceber passaram-se 30 anos. Nós e os Macacos, andamos de lés a lés com a nossa música como estandarte e cumprimos o nosso objectiv...

As mulheres do couço

  Conheci algumas destas mulheres quando passava ferias no Couço... era muito miúda para que falassem comigo, mas a mulher valente do Couço a que sempre chamei "mãe da casa" contou-me as suas historias, as suas lutas e as suas dores. Aprendi a admira-las através desta outra mulher valente que fez parte da minha vida e que hoje alem de fazer parte das minhas memorias, faz também ela parte da minha forma de estar! Foi com ela que aprendi a frase "sai da frente que atrás vem gente"! A minha homenagem a todas as mulheres valentes, sejam ou não do Couço! Pedro Ribeiro Histórias, estórias, contos, lendas e curiosidades de 

que saudades” “dantes é que era bom” - só porque não passavam fome

  Quanto alguém partilha uma fotografia do Alentejo do passado, há sempre quem venha escrever “que saudades” “dantes é que era bom” “isso é que era vida” “ estavam os montes todos ocupados” “todos trabalhavam” e por ai vai. Nessas alturas tenho sempre vontade de lhes perguntar “era bom para quem cara pálida?” não o faço por educação, mas lá que penso, penso. Eu que não vivi nessa altura e sempre fui uma burguesa, mas que escutei as historias do meu pai, um dos meninos feito homem aos 5 anos de idade, que vi varias reportagens sobre Portugal desse tempo pergunto-vos… De que tem saudades? De terem fome? De andarem descalços? De começarem a trabalhar o mais tardar aos 12 anos? De não terem roupa suficiente para vos aquecer? De trabalharem de sol a sol? De saírem de pé de madrugada para o trabalho e voltarem de novo a pé já noite fechada? Tem saudades de viver em montes sem casa de banho? Com chão de terra batida? Com o frio a entrar pelos telhados? Por terem apenas a luz do lume de ch...

as minhas maes

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  Hoje foi dia da Mãe. Eu tive o privilegio de ter duas. Muito diferentes e com papeis muito bem definidos. Tenho a minha Mãe, a Mãe da rua e tive a Mé, a minha Mãe da casa. a Mé era amiga e vizinha da minha Mãe, ribatejana do Couço, domestica, carinhosa, atenta, boa ouvinte. Era ela que me aparava o jogo de não querer ir para o colégio. Era ela que me tirava as espinhas do peixe, os ossos da carne, me cortava a fruta e me simplificava a tarefa de comer, coisa que sempre me foi dificil fazer. A Antónia, sacaia da Aldeia da Venda, mulher de carreira, pouco dada a emoções, sem tempo para questões menores, pouco dada a escutar, era a que me obrigava a tentar superar as dificuldades e a lutar contra as limitações.A minha Mãe da casa, era quem me contava as historias, me estimulava a imaginação e me incitava a sonhar. A minha Mãe da rua, foi quem me fez ter coragem para superar os obstáculos, a enfrentar o mundo e a lutar pelo que queria. ambas foram as obreiras de quem eu sou, ambas ...