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Aprender a viver - 2014

  A minha avó era uma mulher simples a quem o pai tinha ensinado as letras em casa porque as meninas não iam à escola, mas ele não queria diferenças entre os filhos e as filhas. e na sua simplicidade continha uma sabedoria imensa. A minha avó sabia viver! A sua vida, à sua maneira... mas sabia! Quando tive idade para me começar a lembrar dela, conheci-a já surda, como dizia o meu avô, um agrário rude, duro e com muito mau feitio, "É mouca que nem uma porta". Na nossa família numerosa, só 3 pessoas sabiam que a minha avó usava aquela sua incapacidade como desculpa, eu, o meu pai e a minha mãe. Ela não mentia, não, isso a minha avo não fazia, mas omitia. Tinha dificuldade em escutar é certo, mas como tinha um marido azedo, e vários filhos e netos como ele, que passavam o tempo todo a importuna-la, o que escutava fingia não escutar! Segundo ela para não se chatear, assim não lhes respondia e eles mais tarde ou mais cedo calavam-se e davam-lhe sossego! Com esta sua posição torna...

o gasoduto que foi pensado em 2021

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  Cada dia agradeço mais, este meu Pais ser pobre em recursos. Sim, leram muito bem, não temos grandes recursos e ainda bem, pois se com um pouco de lítio já caem governos, imaginem se tivéssemos recursos à pá. Ai teríamos guerras. è essa falta de interesse que nos permite ser um dos países há mais séculos sem guerra, ninguem está interessada em fazer aqui estardalhaço, seria perda de tempo. Vejam por exemplo Gaza. Sempre com a vida dificultada, sempre em guerras, que dizem ser por Liberdade, por religião, por terem atacado Israel, por qualquer coisa...os homens estão a ser mortos e expulsos da sua terra ha 70 anos, com as desculpas mais escabrosas. Mas desta vez, não querem entala-los um pouco mais, não., desta vez querem acabar com eles. O motivo é simples, claro e não tem a ver com nenhuma das desculpas dadas, o motivo é o Gás do mar da costa de Gaza. O motivo é o gasoduto que foi pensado em 2021, para trazer energia "limpa" à Europa. Limpa uma ova, que está banhada de...

A relembrar Zé Melo

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  Hoje o final de tarde no Convento dos Remédios, foi emotivo. Num convite do Rui Arimateia, da Luísa e da Gisela, fui relembrar um amigo, um companheiro, um dos meus. José Fontes Pereira de Melo, ou Zé Melo, como o conhecíamos por cá. Um homem das canções, das tradições, da cultura que marcou a cidade e todos os que com ele privaram. O Zé era um homem grande, de postura aristocrata, como tão bem disse o seu primo, que impunha respeito nas suas funções de Tesoureiro da CME. Mas era um coração de ouro. Um coração tão ou maior que a sua estatura. Escrevia canções como poucos, sobre tudo e sobre nada. Quando lhe vinha a inspiração, ou a pedido. Tantas vezes o meti em trabalhos com pedidos de canções sobre temas estranhos. Era uma câmara que pedia um tema sobre chapéus, outra que queria um sobre livros, mais uma com um pedido sobre café, outra sobre o meio ambiente ou ainda sobre desporto. E o Zé escrevia-as num piscar de olhos. Depois da sua pena cumprir o solicitado, sentava-se e co...

anti qualquer coisa ou problemas internos

  Tenho cá para mim que quem é anti qualquer coisa ou tem grandes ódios tem problemas pessoais graves, ou apenas queria ser ou ter, aquilo ou aquela pessoa! Não acredito nestes dois sentimentos destrutivos só porque sim tem de ter algo por detrás. Isto a propósito da crónica de Clara Ferreira Alves deste fim-de-semana sobre o seu anti-comunismo. Reconheço que já há muitos anos a senhora me tem vindo a decepcionar, achei numa determinada altura que fosse uma mulher mais equilibrada, mais isenta, mais inteligente. Esta minha mudança sobre a criatura não trouxe mal ao mundo, pelo que continuei a ler o que escreve e a escutar as suas intervenções. Esta semana não foi diferente, li a crónica onde ela fala do seu anti-comunismo e percebi que as suas experiências traumáticas da época do PREC a levaram a escrever uma data de ideias pre feitas sobre os comunistas e principalmente sobre Álvaro Cunhal, homem, que ficamos a saber, pelo qual não tinha muito apreço. Nada de mais a crónica! Pior,...

políticos sem noção - 2016

  Pelo mundo inteiro os políticos engajados estão a fazer a politica de sempre...falam de números, de dividas, de crescimento. Continuam a fazer malabarismos para maquilhar problemas fazendo de conta que eles não existem em vez de os encarar de frente. Falam com segurança como se nada pudesse correr mal e não estão a perceber que os eleitores já não querem esse tipo de abordagem, querem verdades mesmo que feias, para assim poderem sonhar com as soluções. Como não mudam o discurso depois aparecem os Trump dizem umas verdades misturadas com umas loucuras e eles votam neles para não votar nos que seguem a cartilha direitinho! Só os malucos fazem isto nos nossos dias, o que é um perigo, mas os políticos ditos normais estão tão centrados em si e nas velhas formulas que os deixam chegar ao poder! Vamos ver o que isto vai dar!

2 sistemas de ensino

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  Ficou decretado que ate ao 9º ano ninguém chumba, passa tudo minha gente! Há quem defenda a teoria de que é uma medida economicista e se assim fosse já era mau! Mas sabem o que acho? Que é ainda pior que isso... Acho, (pelo menos as estratégias do Ministério da Educação desde há uns anos a esta parte é o que me tem mostrado) de que não tem a ver com a economia mas sim com o poder... Explico.... Já existem 2 sistemas de ensino, o publico onde o abandono escolar aumenta de ano para ano e onde os conhecimentos estão a ser todos os anos amputados por falta de professores, condições, cargas burocráticas enormes, etc, etc, etc. E o privado onde os estudantes são preparados com todas as condições, adquirindo toda a espécie de conhecimentos e condições. Estes 2 sistemas estão cada vez mais a criar 2 tipos de profissionais para o futuro... Os que mandam e detém o poder! E os que fazem e obedecem! Isto já não é novo...tem sido feito de forma gradual, pensada e tem como objectivo dar a un...

Margarida Morgado

  Margarida Morgado fez 90 anos e foi justamente homenageada no Museu. Margarida viu o mundo pela primeira vez no Algarve, ali onde o Mar nos promete um mundo imenso e grande. Fez-se Ser, aprisionada entre as velhas Muralhas de Évora, num tempo em que os grilhões da moral asfixiavam. Agigantou-se em frança para onde foi estudar, fugindo do Portugal pequenino e bolorento do início do seculo 20. Regressou, trazendo na mala sonhos de mudar o mundo, especialmente o das mulheres. envolveu-se em causas sociais, educativas e culturais, num tempo em que tudo estava por fazer. Movia-se entre a capital onde as mudanças iam sendo feitas e a Évora, que aprendeu a amar, tanto como a odiar. Num processo dolorido, que nunca quis abandonar. Margarida, a mulher dos cadernos de escritos sempre em mãos, das esplanadas solarengas onde olhava a cidade com as cores que ninguem vê, vivia nas palavras e por elas. uma reverencia que transmitia só aos amigos mais íntimos. Margarida a tecedora de afetos, de ...