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sentido de preservaçao

  Recebi uma mensagem privada depois de um comentário que fiz que dizia "não tens sentido de preservação?" Tenho...nao consigo é nao dizer o que penso, se isso levar à minha extinção, paciência!-respondi Isso levou-me a pensar na Trisavó, teve 12 filhos, todos chegaram a adultos o que na época era um milagre. A todos ensinou que nunca se deviam calar perante o que achavam mal e que era preciso lutar. Dos 12, 6 morreram por causas, um na revolta dos quartéis, outro foi assassinado por ser anarquista, outro morreu no Tarrafal por ser comunista, um outro foi para o desterro em Angola e lá morreu, outro morreu na greve das minas e o ultimo morreu numa Praça de Jorna, no tempo em que o trabalho era tão escasso e tão mal pago que os homens tinham que ficar nas praças à mercê dos agrários para serem escolhidos naquele dia para trabalhar. Nesse dia não só o agrário negociava com um camarada um valor ainda mais baixo como queria colocar no negocio a filha do pobre homem. O Joaquim li...

nana e rodrigo lino

  Há muitos anos, no tempo dos Encontros de Tradição Mediterrânea, veio a Évora um saxofonista português apresentar o seu trabalho e eu, amante desta sonoridade, fiquei fascinada. Trabalhava na radio naquela época e muitas vezes passei os seus discos, usei até vários solos para fazer genéricos de programas. Os anos passaram, sai da radio e perdi-lhe o rasto. Quando criamos o armazém 8 resolvemos entrar em contacto com ele e convida-lo para vir cá tocar. Disse-me na altura que já não tocava que se tinha dedicado à fotografia. Lamentei o facto, mas nada podia fazer. Uns meses depois recebi uma mensagem no Fac a dizer-me que tinha falado com uns amigos e se nós quiséssemos vinha cá tocar. Aceitamos na hora. Marcamos a data e no 2º ano foi dos primeiros espectáculos a apresentar. Foi um grande espectaculo e foi uma noite magica para mim. No público estava um jovem eborense que eu nao conhecia mas que no fim veio falar comigo e me disse que também tocava saxofone e que o saxofonista da...

O temivel Abobora e os medos da minha infancia - 2021

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  Évora sempre foi de mitos. Quando era miúda, eu e as minhas amigas escutávamos muitas vezes que se fossemos ao Café Portugal ficávamos drogadas e que os drogados nos iriam fazer muito mal. O pior de todos era o Abobora. Não me era dito em casa, mas como escutei isso muitas vezes durante vários anos de cada vez que passava em frente do Portugal encostava-me à parede do Anselmo, para ficar protegida e fugia do Abobora de cada vez que com ele me cruzava. Mas como sempre fui de lutar com os medos, tinha ai uns 11 anos quando saindo de Santa Clara resolvi armar-me em corajosa e ir lanchar ao Portugal. Comi à pressa, sempre de olho em tudo e todos e sai ainda mais depressa. Acho que engoli a torrada. O certo é que como não me drogaram, nem me fizeram mal, aquele passou a ser um ritual, lanchava e saia rápido nos primeiros tempos, depois passei a ir com amigos e com o passar do tempo aquela passou a ser a minha 2ª casa ate ao dia em que fechou. Durante vários anos o Abobora ainda me dav...