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Gentes que habitam Évora

  Ontem comemorou-se o centenário de Virgílio Ferreira, o escritor português que escreveu sobre Évora e as suas gentes de forma clara, objectiva e directa. Ontem por aqui muitos foram os que relembraram e homenagearam a sua obra e o seu nome. E eu assinei em baixo. Mas houve um post que me deixou possessa...uma professora de português que conheço empolou a obra do escritor e rasgou-lhe muitos e diversos elogios. Concordo com ela mas mais uma vez comprovei que aqui neste espaço virtual todos são bons, todos fazem o seu papel, o pior é na vida lá fora, onde se influenciam pessoas, onde se transforma a sociedade. Ai, é preciso mais que teclar e dá trabalho. Porque digo isso? Porque a senhora foi professora na escola da minha filha quando estava no currículo o estudo da obra de Virgílio Ferreira. Na época muitas eram as turmas que visitavam Évora e faziam o percurso da historia descrita pelo escritor, vinham de todo o País. Foi por isso com grande assombro que soube que as turmas de Év...

Velhinha excêntrica

  Um dia destes recebi um telefonema da Deco, para me aliciar a ser sua associada. Deixei, como sempre faço, a moça debitar a sua propaganda. Quando chegou ao fim disse-me "vê poupa muito dinheiro como associado, para isso basta dar-me o nib e fica logo a poder usar dos descontos". Na tentativa de não lhe entalar as estatísticas internas, respondi-lhe que não tinha o nib, ficou surpresa mas não baixando a guarda informou-me que eu poderia ver no meu telemovel, respondi-lhe que o meu telemovel não dá para tal, pensou que eu fosse uma tonta da informática e prontificou-se a ensinar-me e primeiro que percebesse que eu só tenho um que faz e recebe chamadas foi uma carga dos trabalhos. Um pouco incrédula, sugeriu-me que eu fosse o multibanco e visse o nib, resolvi divertir-me e ver onde aquilo ia dar e informei a moça que não uso cartões, ai não resistiu e lá lhe saiu o pensamento " mas isso não é possível" perguntei-lhe se era obrigatório ter cartões de bancos, f...

nada é tao mau quanto o holocausto

  A segunda guerra mundial foi mais que o holocausto. Foi a anexação de países pela Alemanha, foi a morte de gente que tentava lutar contra a anexação, foram as privações das populações anexadas, foi a prisão indiscriminada de pessoas, foi a humilhação de quase toda a Europa. Mas a mim, e talvez a quase todos, a parte que mais me choca é o holocausto. A tentativa de exterminar um povo na sua totalidade, arrepia-me. A forma planeada para esta exterminação causa-me náuseas. Desde a adolescência, num tempo em que queria seguir historia, esta foi sempre a parte sobre a qual me debrucei. Nos manuais escolares apenas duas paginas nos mostravam a segunda guerra mundial, mas a biblioteca publica ajudou-me nesta procura. Li muitos livros sobre o tema, muitas entrevistas a sobreviventes, vi muitos filmes e imensas reportagens e continuo a achar que aquilo não tem como ser justificado. Não existe a mínima possibilidade de se justificar um crime tao bárbaro e tao desumano. Não se consegue comp...

Auschwitz/ Birkenau

  Há coisas muito irónicas...no dia em que o partido nazi volta a ter acento parlamentar na Alemanha, eu fui levada por um polaco a Auschwitz/ Birkenau e se o 1º é mau o 2º é péssimo. Já vi muitos filmes, li muitos livros e estudei esta parte negra da historia mundial, mas nao estava preparada para escutar tudo aquilo quase na 1ª pessoa. Tudo pesa, desde o museu, objectos pessoais, as salas, os retratos e os nomes dos mortos, mas nada se comparou ao escutar " agora vamos fazer o caminho que os meus fizeram ate às câmaras de gás" ali levei o maior murro no estômago de que me lembro...ate pensei ser o maior... O silencio do caminho faz as pernas pesarem e os passos tornarem-se mais lentos, como se tivesse medo da chegada...aquelas ruínas causam pánico, ali morriam aos milhares sem se saber o porquê. E os passos continuam lentos, o polaco vai apontando os espaços do campo, vai contando a historia da sua família, de si próprio... "aqui dormiam as 700 crianças polacas que não...

sou contra o preconceito

sou  contra o preconceito acho que desde a barriga da minha mãe. Era muito miúda e nem gostava de brincar com bonecas mas todas as semana ia brincar com um vizinho que só gostava deste tipo de brincadeiras. Ninguém brincava com ele então eu ia! No colégio quando foi necessário arranjar uma madrinha para uma colega negra ofereci a minha mãe prontamente, que não se negou e lá se fez o baptismo da menina. Já adulta foi necessário hospedar um árabe e claro ofereci a minha casa sem pensar no tema, reconheço que para ele foi difícil aceitar para mim foi natural. Cresci e de cada vez que escutava algo a lembrar qualquer preconceito aquilo fazia-me ir em auxilio. Um dia alguém me questionou sobre esta forma de agir, foi fácil responder " o que tenho eu com isso?" ! Esta é a pergunta que faço a Cavaco e aos hipócritas que são contra a adopção gay e contra o aborto...O que tem vocês a ver com isso? Por acaso se as leis passarem acham que serão obrigados a fazer alguma destas coisas?...

assinalar o holocausto

  Em dia de assinalar o holocausto, crime hediondo contra a humanidade, deixo estas palavras para as vitimas de ontem que se tornaram os carrascos de hoje Olha pá, lembras-te das historias que te contavam à lareira? Das lágrimas, fome, miséria e sujidade que os teus sentiram entranhadas nos corpos carcomidos? Lembras-te do olhar sem brilho dos teus avós, sempre que não se sabiam olhados... olhares negros pelas lembranças de um murro que lhes tolhia a liberdade, que os separava dos seus amores. Lembras-te pá de escutares os soluços abafados quando a noite caia e dos gemidos incontidos quando os pesadelos do horror os tomavam na calada do sono. E do cansaço, aquele tremendo cansaço da vida não vivida com os seus. E lembras-te das vezes em que olhavam uma moldura de familiar, na qual tantos faltavam? E das festas pá, lembras-te de sentires a solidão que carregavam por se acharem indignos de ter sobrevivido ao pai, à mae, à irmã? Lembraste quando se arrepiavam de cada vez que falavam d...

Sentido de preservaçao

ecebi uma mensagem privada depois de um comentário que fiz que dizia "não tens sentido de preservação?" Tenho...nao consigo é nao dizer o que penso, se isso levar à minha extinção, paciência!-respondi Isso levou-me a pensar na Trisavó, teve 12 filhos, todos chegaram a adultos o que na época era um milagre. A todos ensinou que nunca se deviam calar perante o que achavam mal e que era preciso lutar. Dos 12, 6 morreram por causas, um na revolta dos quartéis, outro foi assassinado por ser anarquista, outro morreu no Tarrafal por ser comunista, um outro foi para o desterro em Angola e lá morreu, outro morreu na greve das minas e o ultimo morreu numa Praça de Jorna, no tempo em que o trabalho era tão escasso e tão mal pago que os homens tinham que ficar nas praças à mercê dos agrários para serem escolhidos naquele dia para trabalhar. Nesse dia não só o agrário negociava com um camarada um valor ainda mais baixo como queria colocar no negocio a filha do pobre homem. O Joaquim lidad...