acto de resistencia - 2025

 Terminamos esta primeira parte da programação do Armazém 8. Por aqui passou todo o tipo de artes, músicas do mundo, portuguesas. Grandes e pequenos grupos. Tivemos uns meses de trabalho árduo, a maior parte dos espetáculos esgotados, um carinho deste público que tem vindo a fazer parte da nossa vida e que é o melhor de todos os públicos.

Posso garantir que gostei de todos os espetáculos que por aqui passaram, claro que uns mais que outros, mas gostei de todos.
Quero falar-vos do penúltimo. Quinta-feira recebemos um espetáculo que é mais que um espetáculo.
Bale, Bale, o espetáculo do afegão Ustad Fazel Sapand e de Mili Vizcaíno Jaén vai para alem de um espetáculo de música, ele é a preservação da cultura das mulheres persas, é o guardião da voz milenar das mulheres que deixaram de ter voz no Afeganistão, as que estão proibidas de cantar, de passar a cultura aos seus filhos, aquelas que durante séculos contaram cantando uma das culturas mais importantes da civilização. Bale, Bale, preserva e mostra-nos as sonoridades de instrumentos como a Gheichak , Barbat - Oud ou Dohol, este um instrumento marcadamente feminino. Instrumentos que foram destruídos pelos talibãs e que Fazel constrói com amor e com o propósito de não os deixar desaparecer.
Bale, Bale, foi mais que o canto das mulheres afegãs, foi mais do que as cantigas persas, foi mais que um espetáculo, Bale, Bale, foi um ato de Resistência. Resistência de um povo, Resistência de uma cultura, Resistência da voz das mulher que um governo fundamentalista e grunho quer silenciar, mas que um homem não cala.
Quinta-feira, o espetáculo que recebemos foi a afirmação de que "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não".
Obrigado a todos os que estiveram connosco neste ato de solidariedade e resistência.
Vou para o Natal com a certeza de que há muita gente boa no mundo, mesmo em tempos complexos como os que vivemos.
Obrigado a todos, boas festas e sejam felizes! Em janeiro voltamos.

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